sexta-feira, junho 01, 2007

Liberdade para a Palestina e a Paz para o Médio Oriente

Completam-se em breve os 40 anos da ocupação dos Territórios Palestinianos – Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Entre 5 e 11 de Junho vozes por todo o mundo irão reclamar pela Liberdade para a Palestina e a Paz para o Médio Oriente. Entre nós haverá uma sessão pública de intervenção no próximo dia 4 de Junho, 2ª feira, pelas 21h00, na Casa do Alentejo, na Rua das Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, com a participação de
JOSÉ SARAMAGO – Prémio Nobel de Literatura
DR. ABDULLAH ABDULLAH - Presidente da Comissão Politica do Conselho Legislativo Palestiniano
DRª FAIHA ABDUHADI - Poetisa, Investigadora e Historiadora
MÁRIO RUIVO – Professor Universitário
ISABEL ALLEGRO MAGALHÃES – Professora Universitária
SILAS CERQUEIRA – Investigador

* Pelo fim da ocupação dos Territórios Palestinianos por Israel desde 1967
* Pelo Direito do Povo Palestino ao seu Estado Independente
* Pelo termo da Violência e do Desastre Humanitário no Médio Oriente
* Pela Solidariedade com o Povo Palestino ameaçado na sua sobrevivência

Sessão promovida pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente. O MPPM lança também o seuinte apelo (adesões deverão ser endereçadas para ppm.palestina@gmail.com)

DECLARAÇÃO

Sobre a Situação nos Territórios Palestinianos
Ilegalmente Ocupados por Israel há Quarenta Anos

APELO
Ao Fim da Ocupação e à Paz no Médio Oriente

Completam-se agora 40 anos desde a “guerra dos seis dias” levada a cabo por Israel contra o Egipto, a Síria e a Jordânia, entre 5 e 11 de Junho de 1967. Dela resultou, então, a ocupação do Sinai, restituído ao Egipto em 1982, e, até hoje, dos Montes sírios do Golan e dos territórios palestinianos da Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Desde aí, o Estado de Israel – que já se tinha estabelecido em 1948 em 78% da Palestina, excedendo em um terço o Plano de Partilha da ONU - com a ocupação e colonização dos 22% restantes do território, tem-se recusado a reconhecer e tem impedido pela força o direito à existência do Estado palestiniano.

1
Os signatários, na diversidade das suas convicções e apreciações, mas com a preocupação comum de defender um futuro de liberdade e de Paz para a Palestina, e na continuidade da anterior declaração do MPPM (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente) “Pelo termo da violência e do desastre humanitário no Médio Oriente”, de Julho de 2006, vêm, agora, apelar à compreensão e sensibilidade solidárias dos portugueses para com o martirizado Povo Palestino, submetido à violência da ocupação estrangeira, opressão e exploração.

Em violação sistemática, e até hoje impune, do Direito Internacional e da Carta e das Resoluções da ONU, nestes quarenta anos de ocupação os palestinianos têm sofrido: a espoliação das melhores terras agrícolas (na Cisjordânia, com 2,3 milhões de habitantes, 250.000 colonos israelitas controlam 40% do território); as anexações na Jerusalém Oriental, árabe, e na Cisjordânia; a repressão e operações militares maciças (demolição de mais de 12.000 casas, destruição de um milhão de oliveiras, asfixiante controlo de quaisquer movimentos das populações, muitos milhares de mortos e de presos).

A ocupação ilegal, arbitrária e sem fim dos territórios palestinianos por Israel - de que são co-responsáveis grandes potências com recurso ao veto no Conselho de Segurança - desestabiliza permanentemente a situação no Médio Oriente; prejudica as relações de países ocidentais com os países árabes e islâmicos; impede a própria inserção médio-oriental de Israel, feito posto avançado da estratégia de grandes potências; propicia condições favoráveis aos “ciclos” dos terrorismos e contra-terrorismos; e inquina quaisquer perspectivas de paz na região.

Na última quinzena de anos, as Conferências e “processos de Paz” (Madrid, Oslo, “roteiro de Paz” do “Quarteto”- EUA, U.E., Rússia, ONU) sobre a Palestina fracassaram inevitavelmente quando chegaram à questão decisiva da retirada israelita dos territórios ocupados e do estabelecimento de um Estado palestiniano independente e soberano nos mesmos territórios de 1967 - e que reconheça e respeite, na base da reciprocidade, o direito à existência de Israel.

As promessas feitas ao Povo Palestino, a troco de sucessivas concessões, e o processo de autonomia, acabaram sempre por redundar no inverso:

* reocupação e aceleração da colonização israelita na Cisjordânia, culminando, desde 2003, com a construção do “Muro” de um novo apartheid (quase terminada apesar da sentença condenatória do Tribunal Internacional da Haia);
* cerco terrestre, marítimo e aéreo por Israel - após se ter retirado unilateralmente - da Faixa de Gaza, transformada na “maior prisão do mundo” e onde 1 milhão e 500 mil habitantes estão ameaçados de fome;
* crescentes anexações, quer em Jerusalém Oriental - capital árabe e Cidade Santa - onde foram instalados 200.000 colonos judeus, quer na Cisjordânia, com o “Muro” do apartheid;
* recusa em negociar - ignorando a Resolução 194 ( de 1948) da Assembleia Geral da ONU - o “direito ao regresso” dos refugiados palestinianos, dos quais mais de um milhão vivem em campos miseráveis na região;
* rejeição pela “comunidade internacional” - que insistira com a Autoridade Palestiniana para a realização de eleições legislativas - dos resultados democráticos dessas mesmas eleições (de resto antecipados por idênticos resultados das eleições autárquicas) ,visto darem a vitória ao Movimento islâmico Hamas.

Finalmente, em vez da Paz anunciada, assiste-se ao desenvolvimento de outros - e cada vez maiores e mais perigosos - conflitos: a recente guerra de Israel contra o Líbano, posta em causa, depois de terminada, pela sua opinião pública; as duas grandes guerras em curso na região, com origem em intervenções e ocupações estrangeiras; e o irresponsável recurso à ameaça de novas guerras, evocando, inclusive, a eventualidade da utilização da arma nuclear (?!), alegadamente para impor “mudanças de regime” e “remodelar democraticamente” o Médio Oriente. Neste contexto, outra guerra não declarada, quase ignorada, dita de “baixa intensidade”, é desenvolvida por Israel há sete anos - com incursões e reocupações, tanques e artilharia, ataques aéreos, operações militares e de polícia , demolições e execuções – continuando a vitimar diariamente e directamente os palestinianos, nos territórios ocupados.

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Os signatários reclamam o fim da guerra de terror anti-palestiniana que Israel continua a conduzir desde a segunda Intifada, ou revolta popular, iniciada em Setembro de 2000 (que Sharon suscitou com uma deliberada provocação, na expectativa de vir a desmantelar militarmente a Autoridade Palestiniana). Os signatários manifestam-se, ainda, em conformidade com os princípios do MPPM - opostos a todas as formas de terrorismo, seja ele de Estado ou qualquer outro - contra as acções terroristas que atingiram vítimas civis em Israel, e pela cessação do lançamento de mísseis artesanais a partir de Gaza (apesar do desacordo da Autoridade Palestiniana e Primeiro Ministro) sobre território israelita vizinho, de par com idêntica cessação das operações repressivas, dos ataques aéreos e tiros de canhão por parte de Israel.

Até Janeiro do presente ano perderam-se, nesta guerra não declarada, mais de 5.000 vidas nos territórios ocupados e um milhar de vidas em Israel. Foram feridos mais de 49.000 palestinianos e estão encarcerados mais de 10.000. As Forças Armadas de Israel destruíram e inutilizaram sistematicamente as infra-estruturas, equipamentos e instalações (até financiadas pela União Europeia) da vida civil e economia das cidades e campos da Cisjordânia e Gaza. O nível de vida dos palestinianos continua em queda, a taxa de pobreza nos territórios atinge os 70%.

Está-se perante uma situação que ultrapassa, em muito, o “combate ao terrorismo” (quando desde há cerca de dois anos deixaram praticamente de verificar-se acções armadas e atentados suicidas no interior de Israel). Trata-se de uma estratégia de terror que visa o próprio Povo da Palestina - cuja digna e inquebrantável resistência força o respeito e admiração - com a perigosa pretensão de o fazer quebrar.

O sentido e o objectivo desta estratégia - a partir da viragem imposta por Sharon, com o beneplácito da Administração Bush, e continuada por Olmert - é o de provocar, pelo terror e a fome, a saída dos territórios palestinianos, e a dispersão, de uma fracção importante do seu povo. Isto, de modo a conseguir então impor aí um “Estado” palestiniano falhado à partida, sem soberania e assente em alguns enclaves isolados (rodeados de colonatos israelitas) da Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

A tragédia humana e sócio-política que assim se desenrola, dia a dia, na Palestina, e que as opiniões públicas ocidentais conhecem mal, pode terminar num desastre humanitário de incalculáveis proporções e altamente desestabilizador na região. Está ameaçada a sobrevivência dos palestinianos enquanto Povo.

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Não devemos permanecer indiferentes. A tragédia palestiniana interpela cada um de nós, e todos os portugueses, na nossa humanidade, nos nossos princípios de solidariedade, justiça, democracia e Paz. Alertamos a opinião pública nacional para o facto de que – com a intensificação da política presentemente seguida pelos actuais dirigentes de Israel e certos dos seus poderosos parceiros internacionais – se acentua, de há um ano a esta parte, uma perigosa viragem na questão da Palestina, viragem que acelerando-se e imbricada noutros conflitos ameaça precipitar uma nova catástrofe, ou Nakba, como a do êxodo em massa dos palestinianos em 1948.

Com efeito, desde a formação de um governo da Autoridade Palestiniana em Março de 2006 pelo Movimento islâmico Hamas, vitorioso em eleições legislativas plenamente democráticas, Israel e os EUA (que tinham antecipando essa vitória) aproveitaram para impor um embargo total ao novo governo, infligindo assim uma punição colectiva ao Povo Palestino e tentando dividi-lo, no que foram seguidos pela União Europeia. Ao fim de um ano, e perante a ameaça de bancarrota com colapso da economia e desagregação social, os Partidos políticos palestinianos, nomeadamente o grande partido nacionalista Fatah, e o partido eleitoralmente maioritário Hamas, após anteriores tentativas frustradas, acabaram por acordar – graças à mediação da Arábia Saudita, em Meca, em Fevereiro passado – em formar pela primeira vez um Governo de Unidade Nacional.

Este Governo, de difícil e frágil formação, tem um programa moderado cuja plataforma de relações externas é a das Cimeiras Árabes - de Beirute em 2002 à Cimeira de Riade de Março último - garantindo o pleno reconhecimento de Israel desde que se retire dos territórios árabes ocupados em 1967. No entanto, isso não impede que poderosos interesses exteriores à Palestina ocupada continuem a querer aí dirimir outros conflitos e a procurar exacerbar, acentuando as enormes dificuldades da situação, desinteligências inter-palestinianas que nestes dias têm chegado a choques mortíferos entre milícias - armadas a partir de fora.

A este respeito os signatários, reiterando a sua disponibilidade para prosseguirem no apoio sem ingerências às justas aspirações do Povo da Palestina - e não, especificamente, a qualquer dos Partidos em presença - querem tornar claro que não só lamentam, mas reprovam inequivocamente, as divisões e o recurso às armas entre destacamentos palestinianos. É uma via que o Povo Palestino condena e rejeita e que só tem agravado os seus sofrimentos, e está a ser utilizada por terceiros para secundarizar o problema fundamental na raiz de todos os outros – isto é, a ocupação ilegal desde há quarenta anos e as continuadas agressões por Israel. Agressões agora mesmo multiplicadas com incursões, com a prisão de dezenas de responsáveis palestinianos incluindo deputados ou membros do Governo e ameaças de morte contra o Primeiro-Ministro, e com bombardeamentos de artilharia e mortíferos ataques aéreos em particular em Gaza. Isto, apesar de o Governo de Unidade Nacional da Palestina continuar a insistir na proposta de uma trégua.

Por isso, quando os actuais dirigentes de Israel e a Administração Bush dos EUA, e também até aqui a União Europeia - pretextando da ideologia do Hamas, que não se reflecte no programa do presente Governo de Unidade - mantêm o embargo total (já aplicado ao anterior Governo só do Hamas) ao novo Governo de Unidade Nacional, devem assumir a responsabilidade de um futuro colapso da Autoridade Palestiniana, e do risco de caos na sociedade – uma vez que o Povo Palestino não se submete nem se submeterá.

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Raramente, ou nunca como hoje, foi tão difícil e perigosa a situação para os direitos inalienáveis e a própria sobrevivência deste povo heróico e mártir, pelo que os signatários, convidando a subscrever o presente documento todos quantos partilham idênticas preocupações com a causa da Justiça e da Paz na Palestina e no Médio Oriente, apelam:

● À opinião pública nacional, às mais diversas associações e entidades cívicas e religiosas, aos partidos, sindicatos e forças democráticas em geral, à Assembleia da República e aos órgãos do Poder autárquico, para que, no presente momento, associando-se às Nações Unidas e a muitas centenas de outras instituições, associações, movimentos e organizações não-governamentais (ONGs) em todo o mundo, SAIBAM NESTA DATA DIZER NÃO À CONTINUAÇÃO DOS 40 ANOS DE OCUPAÇÃO ESTRANGEIRA ILEGAL E DESUMANA DOS TERRITÓRIOS PALESTINIANOS E PROMOVER AS MAIS DIVERSAS TOMADAS DE POSIÇÃO E INICIATIVAS DE SOLIDARIEDADE MORAL, POLÍTICA, MATERIAL COM A JUSTA LUTA DE LIBERTAÇÃO DO POVO DA PALESTINA – e consequentemente por uma Paz justa no Médio Oriente e a coexistência, em conformidade com as Resoluções da ONU, entre dois Estados independentes, Israel e Palestina;

● Ao Governo português para que, ao assumir em breve a Presidência da União Europeia, consiga com audácia e inspirando-se no artigo 7.º da Constituição da República, LEVAR A U.E. A TER UMA POSIÇÃO PRÓPRIA E DIFERENCIADA EM QUESTÃO DE TÃO GRANDE IMPORTÂNCIA PARA A EUROPA E PARA A PAZ MUNDIAL, DE MODO A RECONHECER PLENAMENTE E TRATAR COM O LEGÍTIMO GOVERNO DE UNIDADE NACIONAL PALESTINIANO (como já estão a fazer os Governos dos países nórdicos e da Suíça), assim como a trabalhar por uma solução política global e segura assente no respeito pelas resoluções da ONU e pelos direitos inalienáveis do Povo Palestino.

Lisboa, Junho de 2007

quinta-feira, maio 31, 2007

Reunião do G8



A próxima reunião dos G8 demonstra mais uma vez a disponibilidade destes "líderes" mundiais de ouvirem as vozes dos povos que oprimem. Desta feita vão reunir-se na estância de
Heilgendamm, situada no norte da Alemanha, na vila de Bad Doberan. Para garantir a serenidade da reflexão dos distintos representantes, foi construida uma muralha com 12 kilometros de comprimento em torno de Heiligendamm, afectando também a linha férrea e estrada local, e a circulação de barcos nas águas circundantes. Bem empregues 12.5 milhões de euros! Adicionalmente, manifestantes devem protestar a mais de 200 metros de distância ds muralhas do bunker estival - a zona de protecção seria de vários kilómetros, não fosse a oposição de um tribunal regional. Bush, Merkel, Sarkozy, Putin, Blair, Harper, Prodi e Shinzo Abe terão causa para receio: são esperados mais de cem mil participantes na conferência em Rostock.




Nota de curiosidade: A povoação de Bad Doberan havia concedido, em 1932, a cidadania alemã a Adolf Hitler. Mas no final deste passado Março, o conselho local unanimemente revocou esta honra, para dissipar quaisquer dúvidas que tal cidadania não teria sido cancelada com o a sua morte em 1945.

domingo, maio 06, 2007

2ª Feira, 7 de Maio, às 21.00, o PCP promove uma concentração de protesto contra a discriminação por parte da RTP. A concentração decorre frente à Casa do Artista, em Carnide, onde a RTP promove, nessa mesma altura, um debate sobre eleições (incluindo em Lisboa) sem a presença de qualquer representante do Partido. A concentração decorre sob o lema "Não calam a voz do PCP". Participa e divulga esta acção.

Vários são os programas de debate e talk-shows sobre actualidade politica na rádio e televisão. É dever democrático das estações e de interesse cívico para os ouvintes e espectadores as emissoras escolherem convidados de forma a representar a diversidade de opinião, diferentes sectores políticos, por forma a garantir um substantivo confronto de opiniões, ideias e perspectivas e não simplesmente uma esgrima de retórica e um pavonear de personalidades. É possível escolher personalidades especializadas no tema em debate, comentadores generalistas, ou represetantes de organizações como os partidos políticos. Em Portugal poucos são os comentadores que não estão conotados a um partido político, quando não são mesmo militantes e ex-dirigentes partidários. Mesmo que ocasionalmente tomem posições contrárias ou críticas da direcção desse partido, o mais frequente é a opinião e perspectiva expressa ser semelhante à desse partido, e o comentador estar efectivamente em representação desse sector partidário. É portanto falacioso apresentar um programa com Marcelo Rebelo de Sousa ou António Vitorino como apenas a exposição de opiniões de um qualquer cidadão informado. Tratam-se de espaços oferecidos às opiniões de partidos políticos. Ou tomem o exemplo do programa «Choque Ideológico» anunciado pela RPT como "espaço de debate sobre polémicas da actualidade entre personalidades "sem actividade partidária relevante" (como historiadores, politólogos e filósofos, entre outros)". Sôa interessante, mas a presença de Bagão Félix alerta logo para o facto de haver sectores ideológicos claramente presentes, e outros ostensivamente ausentes.

Sendo comentadores da área ideológica associada a partidos ou representantes escolhidos pelos mesmos, um critério das emissores pode ser garantir alguma proporcionalidade entre os sectores partidários representados pelos convidados e o peso desses sectores na Assembleia da República. (Outro critério poderia ser escolher opositores ideológicos, por contraste com aqueles que variam apenas na forma e estilo de implementação dos mesmos preceitos ideológicos.) Se o programa tem apenas dois convidados, terá alguma lógica que estes provenham dos sectores representados pelos dois maiores partidos em termos eleitorais, PS e PSD. (Sob o critério alternativo sugerido acima, esta rescolha resume-se a convidar Dupont e Dupond, ou Tweedledum e Tweedledee.)

Mas que fazer se o espaço permite três convidados? Que sector representará o terceiro convidado? A opção do programa «Quadratura do Círculo» da SIC Notícias é convidar o Lobo Xavier (CDS-PP), para juntamente com Pacheco Pereira (PSD) e Jorge Coelho (PS) haver um verdadeiro clash de ... personalidades. Alguns programas optam por ter cinco convidados podendo assim incluir, para além dos três partidos referidos acima, o PCP e Bloco de Esquerda. É o caso dos programas «Debate da Nação» ou «Eurodeputados» da RTP e RTP-N. Não estão assim representados todos os grupos parlamentares, mas sempre haverá um espectro mais alargado e representativo.

E se o formato escolhido fôr de quatro pessoas? Não seria lógico escolher haver pessoas das áreas dos quatro partidos com maior votação? Não terá sido certamente essa resposta dos produtores do «Eixo do Mal», na SIC Notícias, que inclui José Júdice, Clara Ferrera Alves, Nuno Artur Silva e Daniel Oliveira. Então e o PCP? O partido com maior história, terceiro maior grupo parlamentar e autarquico? O seu eleitorado só tem direito a ter uma voz nestes programas quando o número de pessoas é grande, ou seja no formato mais raro, e às vezes nem nesses?