terça-feira, agosto 14, 2007

Fosso salarial


Segundo números divulgados pelo Eurostat, em 2005 os 20 por cento dos portugueses mais ricos tiveram salários 8,2 vezes superiores aos 20 por cento mais pobres. O fosso salaria portuguese volta assim a bater recordes, estando quase duas vezes acima da média europeia a 15.

Segundo o Jornal de Negócios, o fosso salarial em Portugal começou a agravar-se em 2000, após a chegada do Euro.

Dados avançados pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários mostram que os ordenados dos presidentes dos Conselhos de Administração das empresas do PSI-20 mais do que triplicaram entre 2000 e 2005.

De acordo com o Jornal de Negócios, os vencimentos dos administradores foram, em média, 33 vezes superiores aos dos trabalhadores tendo crescido nove por cento entre 2005 e 2006 por comparação com os dos restantes funcionários com aumentos não acima dos cinco por cento.

terça-feira, agosto 07, 2007

Nunca mais

Este relógio foi encontrado nos escombros de Hiroshima, marcando a hora da primeira explosão nuclear usada como arma de guerra. 8:15. 1945. Há 62 anos o Enola Gay libertava o Little Boy sobre uma população civil insuspeita do inferno que iria cair sobre ela. Nos 5 kilómetros em torno do local de impacto, 2/3 dos 90,000 edifícios foram arrasados. Cem mil pessoas morrem imediatamente. 145,000 morrerão devido a ferimentos até ao fim do ano de 1945. Cerca de 70 mil morrem por efeito da radiação nos 5 anos seguintes. Milhares de crianças nascerão com defeitos devido à radiação a que os pais foram sujeitos. (mais fotos)
Quando recebeu notícia do bombardeamento, o Presidente dos EUA, Harry Truman terá declarado "Este é o maior dia da história". Um dia de infámia, que nos força a levar muito seriamente o propósito da actual administração Bush e as forças militares dos EUA de utilizar armas nucleares como táctica de prevenção.

Eis o comunicado do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC)

Há 62 anos que a humanidade foi confrontada com o lançamento das primeiras bombas atómicas, em acto de guerra, sobre populações civis. Duas cidades foram instantaneamente aniquiladas. Foram essas as primeiras armas de destruição maciça alguma vez utilizadas. Já tinha acabado o inferno da guerra na Europa, na Africa, no Próximo Oriente. As populações ainda festejavam o final da guerra mundial. No Japão, muitos milhões de homens e mulheres acalentavam, certamente, a esperança certa do fim rápido das hostilidades com o seu país. A guerra, que nunca tivera sentido para os povos, ainda menos tinha na sua insensata continuação. O Japão estava isolado, cercado, derrotado. Mas para as populações das cidades de Hiroshima e Nagasaki o inferno dos infernos iria acontecer. Um acto militarmente gratuito iria fazer prevalecer o pesadelo da guerra por gerações.


O lançamento das 2 bombas atómicas sobre aquelas cidades mártires relançou uma irracional corrida armamentista. Desde então a humanidade vive sob a ameaça de outras catástrofes nucleares. O poder do arsenal nuclear agora existente dá para destruir a vida sobre todo o planeta Terra. E todavia continuam a gastar-se somas fabulosas, a consumir-se energias enormes no fabrico e em inovação de mais e outros armamentos, nomeadamente nucleares.

È possível, necessário e urgente inverter este caminho. A humanidade não deve ser posta em risco por causa de desvarios imperialistas e hegemónicos de alguns governantes. O que foi feito em Hiroshima e Nagasaki já foi demais. Sob o patrocínio da ONU foram redigidos vário Tratados tendo em vista não só travar o desenvolvimento e a proliferação de armamento nuclear, como também reduzir progressivamente os seus arsenais, até que fosse atingido um mundo livre de tais armas.


Neste contexto, num momento em que pelo contrário as principais potências mundiais levam a cabo uma nova corrida aos armamentos, o CPPC apela aos órgãos de comunicação social, às organizações e instituições democráticas, aos homens e mulheres deste País, para que se empenhem na criação de uma opinião pública que exija o cumprimento e o empenhamento do governos Português na defesa dos Tratados internacionais conducentes à não proliferação e à abolição das armas nucleares.


O CPPC apela para que o assinalar daquele crime impune seja uma manifestação de vontade para que nunca mais se volte a repetir.

A Direcção do CPPC

segunda-feira, agosto 06, 2007

Água da torneira da Pepsi

Após pressão da campanha "Pensem fora da garrafa" ('Think outside the bottle'), liderada pela Corporate Accountability International, a Pepsi Co., produtora da água engarrafada Aquafina foi forçada a admitir que esse seu produto não é mais que água da torneira. A Aquafina terá que adicionar ao seu rótulo, junto à imagem de riacho de montanha um texto que indique que a origem da água é a rede pública.

Mais de 40% da água engarrada tem como fonte água da torneira, incluindo a Dasani (da Coca-Cola) e Pure Life (da Nestlé). Tal abre portas para enormes lucros. O jornal Arizona Daily Star informa que meio-litro de Aqufina - contendo água do sistema municipal de Tuscson, Arizona - custa $1.39 numa loja de conveniência em Tucson. Directamente da torneira, 29 litros de água custa um centimo.
Embora seja a mesma água, na garrafa da Pepsi, o líquido custa 7000 vezes mais que a água municipal.

Estas companhias promovem as suas águas como mais limpas, puras e saudáveis que a água das redes municipais, embora se alimentem desses sistemas para encher as suas garrafas (e os seus bolsos). Ao promoverem o consumo de água engarrafada criam também um acréscimo de lixo proveniente das garrafas vazias. Só nos EUA 60 milhões de garrafas de plástico são deitadas ao lixo diariamente, a maioria das quais não é reciclada. O Pacific Institute concluiu que a produção de garrafas para água nos EUA consumiu cerca de 17 milhões de baris de petróleo, não incluindo o consumo ligado ao transporte, responsabilizando o sector de engarrafamento de água pela produção de 2.5 milhões de toneladas de CO2. A "água pura de montanha" afinal vem da torneira, e produz quantias significativas de gases de estufa. Mais absurdo, a produção de um litro de água engarrafada exige o consumo de 3 litros de água!

domingo, agosto 05, 2007

combustiveis comestiveis

Durante a cimeira entre o Brasil e a União Europeia, em Julho passado, os biocombustíveis foram louvados como uma panaceia, uma fonte de energia renovável alternativa ao petróleo e gás natural, particularmente como combustível dos meios de transporte. Actualmente, as duas formas principais de biocombustíveis são etanol – produzido a partir de milho e cana de açúcar – e biodiesel – produzido a partir de soja. Sendo produzidos a partir de material vegetal (daí o prefixo “bio”, que lhes dá uma bem apreciada entoação amigável do ambiente), para calcular o balanço energético da sua produção há que deduzir ao valor energético do produto final o consumo energético das máquinas necessárias para plantar, colher e processar o material vegetal, a energia para produção e aplicação de pesticidas e fertilizantes, e para sustentar a força de trabalho humana necessária em todo o processo. Estudos recentes parecem indicar que o balanço é de facto positivo, particularmente no caso do biodiesel. Adicionalmente, a substituição dos hidrocarbonetos fósseis pelos biocombustíveis resultaria numa redução na libertação de gases que contribuem para o efeito de estufa.

A União Europeia já cresce plantas para biocombustíveis, particularmente colza, e tem incentivos para a sua produção e uso. Contudo mesmo com a mobilização de terrenos protegidos para plantar matéria para biocombustíveis, a produção da UE15 apenas permitiria uma redução de 0.3 % das emissões de gases de estufa desses países. Dai que o enfase na produção de plantas para biocombustíveis esteja centrado em países do terceiro mundo, com amplos terrenos férteis ainda por explorar e força de trabalho barata. Investidores ansiosos por apanhar o comboio dos biocombustíveis têm alimentado uma enorme pressão sobre terrenos agrícolas e terrenos protegidos. Na Argentina, o aumento de 10% por ano na produção de soja (é o 3º maior produtor mundial depois dos EUA e Brazil) tem sido feito à conta do despejo de pequenos agricultores e populações indígenas, uma aumento da poluição por uso excessivo de pesticidas e fertilizantes, e um desgaste do solo fértil. Fidel Castro, num discurso pronunciado a 14 de Maio de 2007, descreve em pormenor os custos humanos do agrocombustiveis 1. Os terrenos desflorestados no Pantanal, Amazonas e florestas atlânticas do Brazil, e em El Chaco na Argentina e Paraguay têm sido utilizados para plantação de soja. No balanço de emissões de gases de estufa pelos biocombustíveis dever-se-ia também contemplar o desaparecimento do contributo desta floresta original para retenção e captação de dióxido de carbono.

Importa notar também que para biocombustíveis se está a utilizar sobretudo soja e milho geneticamente modificado. Incapazes de romper a resistência dos consumidores a alimentos abertamente identificados como geneticamente modificados, a indústria biotecnológica está a aproveitar-se da frente dos biocombustíveis para ganhar terreno. Mesmo que se possa garantir que não haverá mistura entre soja geneticamente modificado para uso nos biocombustíveis e soja usado para alimentação, a verdade é que um número crescente de agricultores ficarão sobre o jugo dessa indústria que estende o direito de propriedade sobre a própria vida: um agricultor que compre sementes geneticamente modificada poderá plantá-la e vender o produto, mas não pode colher sementes para re-iniciar o processo; tem de comprá-las de novo.

Sendo o soja , milho e colza também fontes de alimento, quer directamente quer como ração, o preço destes alimentos no mercado livre passa a ser determinado também pela sua procura enquanto fonte para biocombustível. Em 2006, cerca de 60% da produção de colza nos EUA já era usada para biodiesel. O preço de óleo de colza aumentou 45% em 2005, e 30% no ano seguinte. O mesmo sucedeu com o preço de cereais, reduzindo a exportação de milho para o mercado asiático, para ser usado domesticamente para a produção de bioetanol. O efeito dos biocombustíveis no preço dos alimentos poderá estar de momento mascarado por quebras de produção conjecturais, mas o relatório Agricultural Outlook 2007/2016 2 da Organização para o Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), prevê que este factor irá contribuir significativamente para um aumento de preços, particularmente nos países em desenvolvimento que já exibem crescente pressão demográfica sobre o preços dos alimentos.

Não se pretende com este artigo excluir os biocombustíveis do debate necessário sobre formas alternativas de energia. Outras fontes de matéria vegetal devem ser exploradas, em particular formas que não sejam usadas também como alimentos. Mas qualquer forma que tome, deve haver sempre combate à exploração dos trabalhadores e ao sistema que permite, sob a capa de estar a ajudar o ambiente, intensificar a desflorestação, a degradação de solos férteis com agricultura intensiva e o uso de pesticidas e fertilizantes.

1 http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/2007/esp/f140507e.html

2 http://www.oecd.org/dataoecd/6/10/38893266.pdf

sexta-feira, agosto 03, 2007

CPPC alerta para situação nos acampamentos de Refugiados do Sahara Ocidental

O CPPC alerta a comunidade nacional para a gravíssima crise humanitária que vivem presentemente os refugiados saharauis, maioritariamente mulheres e crianças e apela à sua denúncia.

A entrega de 77% do auxílio alimentar dos 158.000 refugiados está em falta, desde Julho, e a levedura necessária à produção de pão falta há quatro meses. Cerca de 66% das mulheres em idade fértil sofrem de anemia grave e dessas, 76% encontram-se grávidas. O mesmo se passa com 68% das crianças com menos de 5 anos, das quais 39% sofrem de subnutrição, segundo as últimas estatísticas da PAM, ACNUR e UNICEF.

A agravar esta situação, refira-se que cerca de 40% dos escassos donativos são retidos pela ACNUR para despesas de gestão.

Esta grave crise humanitária só se resolverá com o desbloqueamento imediato dos entraves ao auxílio humanitário e com um esforço efectivo da comunidade internacional para colmatar a situação dramática em que vive presentemente o povo saharaui. É necessário ter presente que cada dia, cada hora, cada minuto que passa representa maior sofrimento e mais mortes nos campos de refugiados.

Esta situação arrasta-se há mais de 30 anos, devido ao boicote e ao incumprimento por parte do Reino de Marrocos das resoluções das Nações Unidas.

É este impasse causado por Marrocos em conivência com os seus aliados que está na origem desta prolongada crise humanitária vivida por um povo que no seu território que lhe é negado, possui os recursos necessário ao seu bem-estar.

Assim o CPPC manifesta a sua profunda preocupação e apela às autoridades portuguesas para que, no espírito da Constituição da República, manifestem uma posição firma e exijam o cumprimento urgente da resolução 1754 das Nações Unidas que garante o direito à autodeterminação do povo saharaui.

Apela também ao povo português para que não fique alheio a esta situação, manifestando a sua solidariedade com o povo saharaui.

Conselho Português para a Paz e Cooperação
Rua Rodrigo da Fonseca, 56 - 2º 1250 -193 Lisboa, Portugal
Tel. 21 386 33 75 / Fax 21 386 32 21
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