domingo, setembro 23, 2007

Reunião Europeia em Defesa da Paz

“Reunião Europeia em Defesa da Paz”
28 e 29 de Setembro
no Hotel Zurique, em Lisboa

Sob o Lema “Desmilitarizar a Europa, Defender a Paz”, a reunião bordará genericamente os seguintes temas:

§ A Europa e o Mundo – A estratégia de guerra e a militarização na Europa;
§ Em defesa da paz, contra o militarismo e a guerra;
§ A ordem política internacional. Solidariedade com os povos sob agressão e ocupação estrangeira, bloqueios e ingerência. O movimento pela paz.

Esta reunião é co-organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, o Conselho Mundial da Paz e o Grupo Confederal da Esquerda Unitária/Esquerda Verde Nórdica, do Parlamento Europeu.

Podemos desde já anunciar que contamos com a confirmação de presença de trinta representantes de Movimentos e Organizações pela paz oriundos de quinze países Europeus, e ainda com a presença de euro-deputados de Portugal, Grécia, Alemanha, República Checa e Espanha.

Programa

Sexta-feira, 28 de Setembro

14.30H – 16.30H

- Sessão de Abertura, Intervenções de Boas Vindas do CPPC, do CMP e GUE/NGL

- 1ª Sessão de Trabalhos: “A Europa e o Mundo – A estratégia de guerra e a militarização na Europa”

17.00H – 19.00H

2ª Sessão de Trabalhos: “Em defesa da paz, contra o militarismo e a guerra”

Sábado, 29 de Setembro

9.00H – 13.00H

3ª Sessão de trabalhos: “A ordem política internacional. Solidariedade com os povos sob agressão e ocupação estrangeira, bloqueios e ingerência. O movimento pela paz”

14.30H – 16.30H Continuação dos trabalhos

17.00 — 18.00H Aprovação da “Declaração Final”

18.30H Conferência de Imprensa

Fatalidades na luta de classes

O Inquérito sobre Violações de Direitos Sindicais, referente a 2006, realizado pela International Trade Union Confederation (ITUC), tráz à memória que lutar pelos direitos dos trabalhadoresnão implica apenas o esforço físico e mental, e a disponibilidade para organizar e mobilizar, mas que traz riscos que podem ir desde o despedimento, à prisão, até aos ataques físicos e morte. Ainda dizem que já não há luta de classes ...

quinta-feira, setembro 20, 2007

Tambores de guerra

Os sinais de que os EUA estão a planear um ataque ao Irão continuam a emergir do interior do Pentágono e dos serviços de inteligência. Segundo Alexis Debat, director de terrorismo e segurança nacional no Centro Nixon, o Pentágono elaborou um plano de ataque aéreo contra 1200 alvos no Irão (1). O Pentágono terá concluído que a resposta iraniana será igual quer se façam ataques precisos ou um ataque massivo, pelo que pretendem aniquilar a capacidade militar iraniana em três dias. Terão também em conta os planos de Israel, que se tem declarado disposto a ataque as centrais nucleares iranianas, caso os EUA não o façam.

No final de Agosto, Bush acrescentou a Guarda Revolucionária do Irão – um braço das forças militares iranianas – à sua lista de grupos terroristas, em resposta ao seu alegado envolvimento no Afeganistão e Iraque. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, acusou a Guarda de ter «tentáculos numa diversificada gama de actividades, incluindo empresariais e bancárias; todos sabemos [!] que eles apoiam esses grupos que perseguem os nossos soldados no Iraque, que fornecem armas aos Taliban no Afeganistão, e também tem havido muitas informações sobre as suas ligações ao Hezbollah e outras organizações terroristas».

Estas acusações contrariam as afirmações do presidente Afegão, Hamid Karzai, que declarou à CNN que o Irão tem sido uma influência positiva sobre o Afeganistão. Ignorando estas declarações, Bush acusou o Irão de ser uma força desestabilizadora. Isto no país que os EUA invadiu para esmagar os Taliban e apanhar Bin Laden – dois objectivos falhados – e cuja integridade é ameaçada por conflitos entre as forças tribais financiadas pelos EUA e cuja grande proeza foi tornar o Afeganistão o maior produtor e exportador de ópio do mundo.
Bush acusa a teocracia xiita do Irão de ligações com os Taliban e al-Qaeda (no Iraque), ambos grupos fundamentalistas sunitas, ignorando o profundo antagonismo entre as duas correntes islâmicas: alegações tão ridículas como acusar o Vaticano de ter armado os Hugenots.

Perigo real

Persistem as alegações estadunidenses de que o Irão pretende desenvolver armas nucleares e tem impedido as inspecções da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Mas, a 30 de Agosto, Mohamed ElBaradei, director-geral da AIEA, emitiu um relatório assinalando cooperação significativa com o Irão, concluindo que foi capaz de verificar que o material nuclear declarado não está a ser desviado dos seus fins pacíficos (2).
As relações diplomáticas positivas são afogadas nos média nos EUA, onde predomina a imagem de Irão fundamentalista e ameaçador. O ex-embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, declarou, no canal televisivo Fox News, que deseja um ataque ao Irão: «Espero que o Irão entenda que estamos a falar a sério, que estamos determinados a que não consigam capacidade nuclear e que, se não inverterem as decisões estratégicas dos últimos 20 anos, devem ter em conta a possibilidade de um ataque». As notícias e comentários sobre o Irão na Fox News são em tudo semelhantes às que antecederam a invasão do Iraque (3).

Contrastando com a incapacidade dos EUA em dialogar com o Irão, Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão, tem-se desdobrado em contactos diplomáticos. Em Agosto visitou o Afeganistão, Turquemenistão, Quirguizistão e Azerbaidjão, tudo países onde os EUA têm procurado aumentar a sua influência e presença militar. Após a sua reunião com Karzai, afirmou: «Queremos que o nosso melhor amigo seja um país poderoso, desenvolvido e estável».
Esteve ainda presente como observador na recente cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), após a qual o presidente russo, Vladimir Putin, reafirmou o seu compromisso de completar a construção da central nuclear de Bushehr, no Sul do Irão (4). Assinou um contrato com a Bielorússia para esta desenvolver o campo petrolífero de Jofeir.

Ahmadinejad descarta a probabilidade de os EUA atacarem o seu país, descrevendo como erradas as análises vindas do interior dos EUA referindo que uma secção da administração Bush estaria a preparar um ataque4. Temo que Ahmadinejad esteja a dar mais crédito à racionalidade da administração Bush-Cheney do que esta tem demonstrado merecer. Ou melhor, ela obedece a uma razão, mas a do imperialismo e seus interesses geoestratégicos, não a lógica do direito internacional, da paz e respeito entre nações. É certo que o Irão tem uma capacidade militar defensiva superior à do Afeganistão ou do Iraque (mesmo antes da primeira guerra do golfo). Mas os EUA só invadiram o Iraque após anos de sanções que enfraqueceram o país económica e militarmente. Uma primeira ofensiva não tomará a forma de invasão, mas possivelmente de ataques estratégicos. Há que dar atenção e peso aos tambores de guerra que tocam cada vez mais alto em direcção ao Irão, preparando terreno para o momento oportuno.
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(1) Times de Londres, 2 de Setembro
(2) Muriel Mirak-Weissbach, 31 de Agosto, http://www.globalresearch.ca ;
(3) Vejam o documentário curto de Robert Greenwald, "Fox Attacks:Iran", disponível no YouTube
(4) Agência de Notícias da Republica Islâmica, http://www2.irna.ir/


Artigo publicado na Edição Nº1764 do Avante!

sábado, setembro 15, 2007

A revolução está agendada

Já ouvi amigos e camaradas, activistas na luta, falarem desanimadamente das perspectivas de mudanças profundas na sociedade portuguêsa. Entendem a importância de resistir as ofensivas neo-liberais, e entregam-se a essa batalha com todo o coração, mas sem esperança de essas lutas conduzirem a uma transformação estrutural, de ultrapassarmos a fase de resistência para a fase de construção de algo novo, do combate ao capitalismo à construção do socialismo. Sentem que hoje as forças do capitalismo e do imperialismo são demasiado fortes para serem derrotadas. Que vale a pena resistir, que é necessário fazê-lo, mas que a «vitória final» está para lá do horizonte. A existência da URSS socialista tornava esse objectivo mais tangível. Agora parece demasiado distante.

Mas não esse sentimento não terá sempre pesado sobre as aspirações dos resistentes? Sobre os que lutavam contra o aparteid? Contra o colonialismo? Contra o fascismo? Contra o Salazar e Marcelo Caetano? Contra a ocupação indonésia em Timor, ou o colete de forças estadunidense em Cuba, ou as sucessivas juntas militares e presidências de direita na Venezuela? Ou contra o muro de berlim? A história do século XX é rica de transformações repentinas, que anos ou mesmo meses antes pareciam longíquas ou impossíveis. É certo que nem sempre estas penderam para o lado do progresso social, mas sobresaí que a história é fluida e dinâmica. Um olhar para o passado demonstra que há motivo para ter esperança no sucesso transformador da luta quotidiana, e que pode ter consequências mais cedo do que a nossa imaginação premite antever.

Não procuro com isto simplesmente convencer a resistir. Isso já estes companheiros fazem. Entendem que a luta não garante a vitória, mas que sem ela a derrota está assegurada. Mas é necessário mais. É necessário resistir inclinado para a frente, embuir a resistência de propulsão, embeber a luta de esperança, mais, de convicção não só na vitória da luta pontual, mas da vitória final. Não porque esta seja certa, mas - como indicava a Rosa Luxemburgo - porque é necessária
pois a alternativa é a barbárie. Há que lutar por uma sociedade diferente como algo ao nosso alcance. A história demontra que é possível. A perspectiva imediata pode ser sombria, mas quem sabe quando virá o momento revolucionário? Pode ser só para os nossos bisnetos, ou pode ser no ano que vem.

No comício de encerramento da Festa do Avante!, Jerónimo de Sousa disse:
Por todo mundo prossegue a resistência e a luta libertadora e o retomar do curso ascendente do processo universal de emancipação social e nacional. E nesta caminhada – que implicará avanços e recuos, vitórias e derrotas, momentos de exaltante avanço revolucionário e situações de sombria reacção – é necessário ter sempre presente a perspectiva do socialismo, não como objectivo longínquo mas como uma possibilidade e uma exigência do nosso tempo.