Num
post anterior referi que o processo eleitoral nos EUA, em particular a eleição que definirá a composição do Senado, ainda não estava terminado. Já terminou, porém, a corrida senatorial no Alaska, com a vitória do democrata Mark Begich ao actual senador (e alvo de processo judicial) Ted Stevens. Falta ainda determinar o vencedor no Minnesota e Georgia.
Uma face menos noticiada das eleições de de 4 de Novembro são as propostas referendárias. Consoante o estado, o eleitor terá votado não só para a presidência, como para o Senado e Casa de Representantes, para cargos estaduais (como o Governador, ou para as assembleias estaduais) ou locais (para as autarquias, postos de procuradoria, xerife, etc), e também sobre medidas legislativas estaduais, i.e., um tipo de referendo estadual. Os temas foram diversos, mas alguns foram recorrentes em vários estados (tendo já surgido em eleições anteriores), como o casamento homosexual e a interrupção voluntária da gravidez.
Assim
(ver aqui os resultados completos):
- no Arizona, California e Florida foi aprovada uma medida proibindo o casamento homossexual;
- no Arkansas, aprovou-se uma medida proibindo a adopção por casais homossexuais;
- na California e South Dakota foi chumbada uma medida que imporia limites à IVG, e no Colorado uma medida que definiria a vida humana como tendo inicio no momento da concepção;
- no Arizona foi chumbada uma medida que permitiria a contratação de imigrantes ilegais;
- no Nebraska foi aprovada uma medida pondo fim ao programa de descriminação étnica positiva (Affirmative Action); no Colorado uma medida semelhante está perto de ser chumbada (resultado final ainda não certificado);
- em Maryland, aprovou-se uma forma de lotaria por vídeo;
- no Massachusetts chumbou-se uma medida que eliminaria o imposto de rendimento estatual;
- em Michigan foi aprovado o uso de marjuana com fins medicinais, e uma medida permitindo a investigação com células estaminais;
- em Washington (o estado) aprovou-se uma medida permitindo o suicídio medicamente assistido
Entretanto Obama vai anunciando os seus conselheiros, membros do seu gabinete, e do executivo. Grande destaque tem sido dado à formação de uma
comissão de aconselhamento sobre a recuperação económica, que inclui Paul Volcker, o dirigente do Fed entre 1979-87, e Austan Goolsbee, professor de Economia da Universidade de Chicago; e à nomeação da equipa económica, liderada pelo
Timothy Geithner, o actual presidente do Fed de Nova Yorque, nomeado para Secretário do Tesouro.
![[Review & Outlook]](http://s.wsj.net/public/resources/images/OB-CS079_oj_noo_D_20081120173656.jpg)
Tudo indica que Obama irá manter Robert Gates (ver foto) como Secretário da Defesa e o General James Jones como Conselheiro de Segurança National. A manutenção destes membros do gabinete de Bush será uma aprovação implícita da estratégia de Bush e do arquitecto militar da escalada no Iraque, o General David Petraeus. Que grande enrabadela ao movimento pela paz. Então e a mudança?