quarta-feira, janeiro 28, 2009

«Professores Unidos» por um SPGL mais interventivo


Sem dúvida que um dos marcos da vida nacional de 2008 foi a luta dos professores, que ainda prossegue. Greves, resistências, vigílias e duas das maiores manifestações por parte de um sector profissional jamais vistas em Portugal. Na organização destas diversas iniciativas tiveram um papel os vários espontâneos movimentos de professores, mas particularmente os sindicatos e a estrutura unitária da Plataforma Sindical dos Professores e Educadores [1]. Nesta luta, merece particular destaque o papel da FENPROF, pela sua capacidade de intervenção e mobilização.

Infelizmente, como os professores e educadores da área de Lisboa conhecem bem, a intervenção do sindicato afiliado na FENPROF na região, o Sindicato de Professores da Grande Lisboa (SPGL), tem sido dos sindicatos que integram a federação (FENPROF) o menos interventivo, dos que menos procura contactar os professores nas escolas, aí colocar informação, e mobilizar os professores para as suas iniciativas. A falta de dinâmica do SPGL tem sido em parte ofuscada pela actividade nacional da FENPROF e da Plataforma Sindical. Mas para continuar a luta por uma escola melhor, por melhores condições de carreira para os professores na área de Lisboa, é necessário uma direcção do SPGL mais forte e interventiva. Tal não será certamente alcançado pela actual direcção, cuja eleição em Junho de 2006, só foi possível após um processo eleitoral controverso e pouco transparente (ver). Um SPGL mais forte e combativo, implica também uma FENPROF, uma União dos Sindicatos de Lisboa (UGL), e uma CGTP-IN mais fortes.

Aproximam-se as eleições para a direcção do SPGL. Está em formação uma lista alternativa à actual direcção, «Professores Unidos», uma lista unitária, combativa, que segundo o seu manifesto defende
um sindicato que apoie mais os professores, que alargue a mais escolas a rede de delegados sindicais, que debata com os professores a situação nas escolas e as formas de luta a adoptar em cada momento, única forma de conseguir derrotar as políticas da 5 de Outubro.

É neste contexto que consideramos que só o projecto consubstanciado neste Manifesto pode gerar uma direcção para o SPGL mais próxima das escolas e dos problemas dos professores e do ensino, capaz de responder aos grandes desafios que se colocam ao movimento sindical docente, convocando-nos a participar, à volta do lema “UNIR OS PROFESSORES E EDUCADORES, REFORÇAR A LUTA! ELEGER UMA DIRECÇÃO DE CONFIANÇA.
Visita o blog dos «Professores Unidos» e subscreve o manifesto. Contribui para melhor o SPGL.


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[1] A Plataforma Sindical dos Professores e Educadores é composta pela FENPROF – Federação Nacional dos Professores; FNE – Federação Nacional dos Sindicatos da Educação; SPLIU – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades; SNPL – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados; SEPLEU – Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades; FENEI – Federação Nacional do Ensino e Investigação; ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados; PRÓ-ORDEM – Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem; FEPECI – Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Cultura e Investigação; SIPPEB – Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e do Ensino Básico; SIPE – Sindicato Independente dos Professores e Educadores; USPROF – União Sindical dos Professores; SINPROFE – Sindicato Nacional dos Professores e Educadores; e SNPES – Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Secundário.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Quo Vadis: Presos de Guantánamo

«O encerramento de Guantanamo levanta o problema do que fazer com os detidos. Alguns dos países da nacionalidade dos presos – não necessariamente o país onde foram apreendidos – recusam-se a recebê-los. Eis que Portugal, na linha da cooperação de Durão Barroso na Cimeira dos Açores, da cooperação com os voos da CIA para Guantanamo – que o actual Governo recusa admitir ou ver investigado – decide oferecer o nosso território como possível destino para alguns dos detidos cujos países nacionais se recusam a recebê-los. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, terá certamente querido dar maior pompa à sua declaração por ocasião do 60.º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem (10/Dez.)(1). Mas Amado, ofuscado pela oportunidade de ajudar o «amigo americano» e dar ares de grande humanitário, não terá certamente pensado em todas as consequências da sua oferta. Tal ficou claro quando os deputados do PCP lhe colocaram questões práticas durante uma sessão da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros. Amado não tinha respostas, gerando ainda mais interrogações.»

domingo, janeiro 25, 2009

A Palavra Camarada


Camarada

Camarada é uma palavra bonita. Sempre. E assume particular beleza e significado quando utilizada pelos militantes comunistas.

O camarada é o companheiro de luta – da luta de todos os dias à qual dá o conteúdo de futuro, transformador e revolucionário que está na razão da existência de qualquer partido comunista;

O camarada é aquele que, na base de uma específica e concreta opção política, ideológica, de classe, tomou partido – e que sabe que o seu lugar é o do seu partido, que a sua ideologia é da classe pela qual optou;

O camarada é aquele com cujo apoio solidário contamos em todos os momentos – seja qual for o ponto da trincheira que ocupemos e sejam quais forem as dificuldades e os perigos com que deparamos;

O camarada é aquele que nos ajuda a superar as falhas e os erros individuais – criticando-nos com uma severidade do tamanho da fraternidade contida nessa crítica;

O camarada é aquele que, olhando à sua volta, não vê espelhos...: vê o colectivo – e sabe que, sem ter perdido a sua individualidade, integra uma outra, nova e criativa individualidade, soma de múltiplas individualidades;

O camarada é aquele que, vendo a sua opinião minoritária ou isolada, mas julgando-a certa, não desiste de lutar por ela – e que trava essa luta no espaço exacto em que ela deve ser travada: o espaço democrático, amplo, fraterno e solidário, da camaradagem;

O camarada é aquele que, tão naturalmente como respira, faz da fraternidade um caminho, uma maneira de ser e de estar – e que, por isso mesmo, não necessita de a apregoar e jamais a invoca em vão;

O camarada é aquele que olhamos nos olhos sabendo, de antemão, que lá iremos encontrar solicitude, camaradagem, lealdade – e sabemos que esse olhar é uma fonte de força revolucionária;

O camarada é aquele a cuja porta não necessitamos de bater – porque a sabemos sempre aberta à camaradagem;

O camarada é aquele que jamais hesita entre o amigo e o inimigo – seja qual for a situação, seja qual for o erro cometido pelo amigo, seja qual for a razão do inimigo;

O camarada é o que traz consigo, sempre, a palavra amiga, a voz fraterna, o sorriso solidário – e que sabe que a amizade, a fraternidade, a solidariedade, são valores humanos intrínsecos ao ideal comunista;

O camarada é aquele que é revolucionário – e que não desiste de o ser mesmo que todos os dias lhe digam que o tempo que vivemos é coveiro das revoluções.

Camarada é uma palavra bonita – é uma palavra colectiva: é tu, eu, nós: é o Partido. O nosso. O Partido Comunista Português.

José Casanova

terça-feira, janeiro 20, 2009

Palestina livre: 24/Jan às 14h30 no Lg Camões

No próximo sábado (24 de Janeiro) pela 14.30, do Largo Camões em Lisboa, vai ter lugar nova concentração para exigir:
  • fim do massacre Israelita do povo Palestino
  • fim do bloqueio Israelita na Faixa de Gaza
  • liberdade para a Palestina
  • fim dos acordos bilaterais entre Portugal e Israel enquanto não forem cumpridas as resoluções da Nações Unidas, restabelecida a paz no território, e criadas condições para um estado Palestino livre e soberano
Esta iniciativa é organizada pela Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque, a CGTP-IN, o Comité de Solidariedade com a Palestina[*], o Conselho para a Paz e Cooperação (CPPC), o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, e o Movimento Democrático de Mulheres (MDM); a apoiado por mais de uma centena de organizações.

Quem ainda pretende preservar alguma "imparcialidade" neste conflito, argumentando que ambos os lado são responsáveis por crimes, ataques militares e terrorismo, faço duas perguntas:
  • Há ou não um povo que oprime outro? Gozam os Palestinos dos meus direitos e privilégios no seu território que os judeus Israelitas em Israel? Especifico judeus israelitas, porque não nos podemos esquecer que em Israel também existem cidadãos Palestinos. E se alguém pensa que eles gozam dos meus direitos de cidadania que os judeus Israelitas, leiam a recente decisão do Comité Central de Eleições que decidiu banir dois partidos árabes – o Balad e a Lista-Ta'al de Árabes Unidos – de concorrem nas eleições legislativas do próximo mês. Decisão esta tomada a pedido de dois partidos da ultra direita – Yisrael Beiteinu e a Partido Religioso de União Nacional.
  • Quantos mortos e feridos se registam entre os civis das duas populações? Os números parecem-me reveladores de uma certa desproporção na eficácia dos morteiros do Hamas e de as forças armadas terrestres, aéreas e marinhas de Israel. Parecem-me também indicar que, embora os morteiros enviados a partir dos territórios causem feridos, mortos e medo, que este último é propositadamente exacerbado pelo Governo com o objectivo de criar uma justificação para o bloqueio criminoso, ao ponto de proibir a entrada am Gaza de ajuda médica e humanitária, e para o massivo e indiscriminado massacre militar, que tem chegado ao ponto de destruir instalações das Nações Unidas

Com o lema "Fim ao Massacre na Palestina, Solidariedade com o Povo Palestiniano", está a decorrer uma campanha de esclarecimento do PCP (ver).



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[*] - Removeu-se da organização da manifestação de sábado após o discurso de Ehud Olmert discutindo um possível cessar-fogo. Discurso este claramente para apaziguar os líderes Europeus na audiência, e no qual faz uma explícita associação entre um cessar-fogo e a tomada de posse do Barack Obama.

sábado, janeiro 17, 2009

Algumas pérolas, umas barocas

Ao longo da semana fui recolhendo algumas pequenas notas dispersas que queria partilhar. Não têm ligação particular entre elas. Apenas o facto por uma ou outra razão terem despertado a minha atenção.

1.
Nas minhas viagens de metro pela cidade apanho todos os diários gratuitos que consigo. Adoro fazer Soduku's (os do Meia-Hora são os mais desafiantes) e por vezes há referências a questões interessantes. E são de graça. O título deste Meia-Hora chamou-me a atenção não tanto pelo elevado número médio de SMS, mas porque o título é estatisticamente absurdo. Uma média é um sumário de uma população, é uma quantia abstracta. No estudo referido, haveriam jovens que enviavam 1-2 SMS e outros várias centenas, e em média os jovens sondados enviam, ao que parece, 235 SMS por semana. O que é absurdo é dizer-se que "cada um dos jovens" envia a média. Só consigo entender que isto tenha passado, porque num jornal quem faz os títulos em geral não são os jornalistas que escrevem os textos, mas sim outros trabalhadores que procuram sumarizar os textos com a preocupação de criar títulos apelativos e que paginem bem. Mas neste caso, saiu-se mal.

2. Por contraste, no Correio da Manhã, vinha um artigo da Lusa a propósito do assalto à casa do Ministro Mariano Gago. No pequeno texto que li estava uma frase que me parecia digna de um livro do Eça:
"A mulher do governante estava sozinha em casa e, doente na cama, na segunda-feira de manhã, nem se apercebeu de que lhe estavam a revirar a casa toda, tendo os ladrões fugido com um casado valioso de Mariano Gago."
As melhoras para a Sra. Gago, o assaltante que passe um inverno mais quentinho que o Gago há-de ter outros casacos, e parabéns ao jornalista que lavrou tal frase deliciosa.

3. Ao mudar de linha na estação de Metro do Marquês, encontrei um Público abandonado. No título da capa lia-se «Mais riscos, menos emprego»; falava em despedimentos na Autoeuropa (referidos eufemisticamente como "corte de postos de trabalho"; na paragem de produção da Aerosoles, a maior empresa de calçado, por falta de matéria prima; no ameaça de aumento do risco financeiro português e a prevista subida do custo das dívidas; e tinha uma photo do Oliveira e Costa a ser escoltado do Parlamento, onde optou por não responder à comissão de inquérito parlamentar sobre o caso BPN. No interior havia um barómetro dos riscos globais e previsões negras para Portugal; referência ao João Pedrosos, ex-dirigente do PS, que tendo sido contratado pela Min. da Educação, em Fev. de 2005, por despacho interno, para uma prestação de serviços que ascendia a quase 267 mil euros, não completou o trabalho para que havia sido contratado, tendo agora que repor o dinheiro (mas claro a prestações e sem juros; estamos em crise); havia a notícia de que Ehud Olmert havia telefonado a Bush dictando-lhe como os EUA haviam de votar nas NU. Na secção de economia, havia indicação que o rating do Governo português está em risco de descer, isto é, que o Estado terá maiores dificuldades em pedir dinheiro emprestado, o que pode implicar um cresciemento, em Portugal, abaixo de um por cento nos próximos 5 ou mesmo 10 anos. Outra notícia indicava que a venda de automóveis irá cair 15%.

Isto combinado com outras notícias que fui lendo durante a semana (que a taxa de desemprego em Portugal esteve nos 7.8% em Novembro; que 3/4 das pensões de reforma são inferiores ao salário mínimo!, incluindo 100 mil ex-funcionários públicos com pensões inferiores a 400 euros) e outras informações (como, apesar da descida do EURIBOR, em Portugal os novos compradores de casa não estarem a beneficiar de crédito mais acessível porque os Bancos estão a compensar essa descida, aumentando o spread – lembram-se de Sócrates se gabar de ter sido responsável pela baixa da taxa de juro, como se essa não fosse um decisão do Banco Central Europeu, que pouca importância dará ao Socrates e ao que ele acha).

Com os depedimentos, os encerramentos de empresas, as benesses dadas ao grande capital, enquanto ajustes à atribuição do subsídio de desemprego foram chumbadas pela maioria PS (neste momento um desempregado que consiga emprego por apena algumas semanas, não pode depois, ao voltar ao desemprego, beneficiar do súbsídio), cresce em mim a sensação de que Portugal vive um estado de guerra. Já não se trata de uma luta de classes, mas de uma guerra de classes, onde os trabalhadores têm de persistir na luta não já apenas pela defesa dos direitos laborais conquistados com Abril, mas lutar pela sobrevivência contra os círculos do poder e capital que, à custa de dinheiros públicos, enchem os bolsos e vêm os seus crimes e inaptidões recompensadas, em vez de punidas.