terça-feira, março 24, 2009

28 de Março: Manifestação de Jovens Trabalhadores

A crise económica e financeira está a ter graves consequências em Portugal, com particular incidência nos jovens trabalhadores, que enfrentam grandes dificuldades em entrar no mercado de trabalho, e quando o conseguem confrontam-se geralmente com condições de grande precariedade e instabilidade. Estas condições fomentam o medo, e criam obstáculos à luta organizada, em particular à sua sindicalização. Mas os jovens trabalhadores não se devem deixar intimidar, devem sindicalizar-se, para que junto com os restantes trabalhadores lutem por um outro Código de Trabalho, por Emprego com Direitos, por Maior Estabilidade, e Salários Mais Justos e Dignos. Não são os trabalhadores que devem pagar a crise, mas aqueles que por ela são responsáveis. Junta-te à Manifestação de Jovens Trabalhadores promovida pela CGTP/Interjovem este sábado, dia 28 de Março.

Informação na página da CGTP/Interjovem:

Inserção dos jovens no mercado de trabalho cada vez mais difícil
A situação dagravou-se com o Governo PS/Sócrates.

* O desemprego total aumentou 12% quando se compara o 4º trimestre de 2008 com o mesmo trimestre de 2004.
* Os contratos não permanentes cresceram 20% desde o 4º trimestre de 2004.
* Os jovens recebem salários mais baixos que os restantes trabalhadores. A sua remuneração média mensal base é de apenas 76,8% da média dos assalariados.

domingo, março 22, 2009

Dia 28 de Março: debate sobre Médio Oriente


Das 14h30-17h00
1. Violações do direito internacional. Criminosos e cúmplices.
  • GUANTÂNAMO, AS PRISÕES IRAQUIANAS, DIEGO GARCIA - Eduardo Maia Costa - magistrado
  • OS VOOS DA CIA E A COLABORAÇÃO DE PORTUGAL E DA UE - André Levy - investigador
  • O USO DE NOVAS ARMAS E DE ARMAS PROIBIDAS NO IRAQUE, NO LÍBANO E NA PALESTINA Mário Tomé - coronel
  • COLABORAÇÃO PORTUGUESA NAS AGRESSÕES IMPERIALISTAS - Manuel Raposo - membro do Tribunal -Iraque
Das 17h30-20h30
2. Terror de Estado. O terror sobre as populações como estratégia programada.
  • PALESTINA, UM PROCESSO DE LIMPEZA ÉTNICA - António Louçã – historiador, membro do Comité de Solidariedade com a Palestina
  • O EMBARGO AO IRAQUE, E O BLOQUEIO A GAZA, PREPARATIVOS DAS ACÇÕES MILITARES - Sandra Benfica - membro do Conselho Português para a Paz e Cooperação
  • A SITUAÇÃO DAS CLASSES TRABALHADORAS NO IRAQUE E NA PALESTINA - Carlos Carvalho - dirigente da CGTP-IN
  • A SITUAÇÃO DAS MULHERES NOS TEATROS DE GUERRA - Regina Marques - membro do Movimento Democrático Mulheres
Organização: CGTP-IN; CPPC; TMI
Apoios: Associação Abril; FENPROF; MDM; MPPM; SPGL


Texto do Conselho para a Paz e Cooperação (CPPC) marcando os 6 anos de ocupação do Iraque:
Completam-se em 20 de Março seis anos sobre a invasão do Iraque.

O balanço não podia ser mais desastroso: destruição física do país, desarticulação de todas as estruturas sociais, níveis de desemprego nunca vistos, pobreza generalizada, seis milhões de refugiados e deslocados, mais de um milhão de mortos.

Mas nestes seis anos consolidou-se, também, uma tenaz resistência patriótica, armada e não armada. A sua acção inviabilizou os planos de domínio do Iraque pelos EUA. E contribuiu – a par das resistências populares no Líbano, na Palestina e no Afeganistão – para conduzir a aventura militar do imperialismo norte-americano a um beco sem saída em toda a região, desde o Médio Oriente às fronteiras do Paquistão.

O anúncio por Barack Obama da retirada, a prazo, de tropas dos EUA do Iraque é o corolário de uma derrota mal assumida mas real. Mas, em si mesma, a decisão do novo presidente pouco acrescenta à posição da administração Bush – porque também esta não pretendia manter no Iraque mais forças do que as necessárias para assegurar a ocupação do país.

A questão está, pois, em saber se os EUA reconhecem ou não a soberania do Iraque, se restituem o poder às forças representativas do povo, se se retractam dos crimes e das violações cometidas, se se dispõem a indemnizar o país pelas destruições que levaram a cabo.

A Resistência iraquiana tem planos políticos claros para uma transição no sentido de um Iraque livre, soberano e democrático. A solução para o Iraque passa por essa Resistência porque é ela que representa de facto as forças populares que se opuseram à ocupação e é por isso fundamental apoiá-la, prestando ajuda internacionalista ao povo iraquiano e, simultaneamente, denunciando e pressionando os governos que têm apoiado directa ou indirectamente a ocupação.

Como em anos anteriores, diversas organizações portuguesas evocam a data da invasão do Iraque e a situação geral no Médio Oriente, com destaque para a Palestina.

Os seis anos da resistência iraquiana para libertar o país e os mais de sessenta anos de luta do povo palestiniano pelos seus direitos nacionais serão justamente destacados.

segunda-feira, março 02, 2009

Afinal quem são os verdadeiros empreendedores?

No passado sábado, participei no Encontro Nacional do PCP sobre as Eleições de 2009. Entre os muitos e interessantes contributos vindos de todo o país e diversos sectores, houve uma que sobressaiu na minha opinião, dada na parte da tarde, e nem me lembro do nome do camarada. Vinha do Distrito de Aveiro. E relatou como essa mesma manha numa empresa têxtil, a Jotex, em Espinho (notem bem, a poucos kms do Congresso do PS) alguns trabalhadores tinham visto a chegada de camiões destinados a transportar a maquinaria da empresa. Isto a um sábado, sem conhecimento dos trabalhadores. Alguns destes dirigiram-se a um militante comunista da região para pedir ajuda. Ao chegarem de novo à fábrica, já havia um brigada da PSP para escoltar os camiões que já se encontravam com máquinas carregadas. Rapidamente se mobilizaram os trabalhadores da fábrica, cerca de 60 ao todo, para impedirem que a maquinaria fosse removida. Porque haveria de ser desmantelada uma fábrica que estava em plena produção e possuia uma carteira de encomendas preenchida? Os trabalhadores, na sua maioria mulheres, conseguiram na noite de sábado que impedir a saída das máquina e o descarregamento dos camiões.1 Neste caso, quem foram os grandes defensores da manutenção de postos de trabalho e do sector produtivo: os empresários "empreendedores", mas preocupados em reaver o seu capital fixo, ou os trabalhadores, defendendo o seu ganha-pão, a sua dignididade, o seu trabalho, e as suas vidas?


São múltiplos os casos pelo país fora em que os empresários aproveitando a crise, tentam desfazer-se de investimentos no sector produtivo, e são os trabalhadores que lutam pela defesa da produção nacional e dos seus postos de trabalho, isto é, em defesa na nossa economia nacional. Para referir apenas dois
  • os 170 trabalhadores da Bordalo Pinheiro que "trabalharam milhares de horas sem receber, produzindo peças inigualáveis que foram entretanto exportadas e vendidas na loja nas Caldas da Rainha."2 Que forma encontrou a administração de mostrar a sua gratidão aos trabalhadores para se esforçarem para manter a empresa em produtiva e com projecção? O "não pagamento dos salários e a ameaça de redução de postos de trabalho e, numa espécie de canto da sereia, a «solicitação» aos trabalhadores para que recorressem à suspensão do contrato de trabalho." 2 Mas os trabalhadores, unidos, estão a lutar para manter otodos os postos de trabalho e exigirem o pagamento de salários.
  • as centenas de trabalhadores do Arsenal do Alfeite, estabelecimento de reparação e manutenção naval da Armada, que dia 19 vão concentrar-se em Lisboa para exigirem a imediata reavaliação do processo de extinção e privatização, processo que a Comissão de Trabalhadores caracteriza como "profundamente lesivo do interesse público, dos postos de trabalho e dos mais elementares direitos laborais".3
______________
1 DN online 02.03.09
2 Avante! Nº 1839 26.Fevereiro.2009
3 Avante! Nº 1839 26.Fevereiro.2009

terça-feira, fevereiro 24, 2009

«Poder económico, direitos dos trabalhadores, desigualdades sociais e liberdades democráticas»

No passado dia 13 teve lugar um encontro promovido pelo PCP, sobre «Poder económico, direitos dos trabalhadores, desigualdades sociais e liberdades democráticas», que contou com a intervenção de Odete Santos, Pedro Carvalho, dos Profs. Jorge Leite e Manuela Silva, e do Secretário Geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

As intervenções centrais estão agora disponíveis no YouTube. Coloco aqui apenas o vídeo do princípio da intervenção do Jerónimo (cujo texto completo está disponível na página do PCP), mas poderão encontrar links para o final desta intervenção, assim como das restantes intervenções centrais, no YouTube usando a palavra-chave «povounidovencera».


segunda-feira, fevereiro 23, 2009

140 anos da abolição da escravatura em Portugal


Assinala-se hoje, a 25 de Fevereiro, os 140 anos da proclamação (em 1869) da abolição da escravatura em todo o Império Português. A escravatura havia sido abolida, pelo Marquês de Pombal, durante o reinado de D.José I, a 12 de Fevereiro de 1761, mas apenas na Metrópole e na Índia. Mas só após um decreto de 1854 é que os primeiros escravos, os do Estado, foram libertados, e mais tarde os escravos da Igreja pelo Decreto de 1856. Foi o decreto de 1869 que proclamou a abolição em todo o território português, pondo-lhe fim definitivo apenas em 1878:

"Fica abolido o estado de escravidão em todos os territórios da monarquia portuguesa, desde o dia da publicação do presente decreto.

Todos os indivíduos dos dois sexos, sem excepção alguma, que no mencionado dia se acharem na condição de escravos, passarão à de libertos e gozarão de todos os direitos e ficarão sujeitos a todos o deveres concedidos e impostos aos libertos pelo decreto de 19 de Dezembro de 1854."

Embora Portugal possa honrar-se por ter sido dos primeiros Estados abolicionistas, tal não o absolve da responsabilidade de ter sido o primeiro Estado a fazer comércio global de escravos vindos de África, e de durante largo período ter sido um dos principais traficantes de escravos. Portugal teve um papel central no que deve ser encarado como um dos maiores crimes da história da civilização ocidental: a massiva deslocação de seres humanos (com as centenas de milhares de mortes decorridas durante as viagens) com o fim de serem vendidos e usados como meros objectos de trabalho. Estima-se que entre 1450 e 1900, mais de 11 milhões de Africanos foram sujeitos ao comércio de escravos trans-atlântico. Portugal terá sido responsável por mais de 4.2 milhões (ver). E estes são os que sobreviveram os raids na costa africana, e a passagem trans-atlântica. Segundo o relatória da UNESCO, de 1978, sobre a escravatura:

«[Considerando] factores como as perdas durante a captura, transporte terrestre, e mortes durante a passagem marítima, as mortes Africanas durante os quatro séculos de tráfego de escravos Africanos terá sido na ordem dos 210 milhões de seres humanos.»
Nesta questão, é para mim é irrelevante que tenham havido outras civilizações com escravos, que algumas tribos Africanas colaboraram com os colonizadores na captura e venda de escravos. Foram os países coloniais que tornaram a escravatura num comércio global de larga escala. Que estabeleceram colónias dependentes do trabalho escravo. Que geraram, por assim dizer, a oferta e procurar da carne humana. Portugal montou um comércio de plantação cana e refinação de açúcar, na Madeira, Cabo Verde, São Tomé e Brasil, assente e dependente do trabalho escravo.

É justo também referir que o papel pioneiro de Portugal na abolição da escravatura não se deveu a um avanço do seu nível da sensibilidade pelos direitos humanos dos Africanos. Nos séculos XVII e XVIII, Portugal já não era a grande potência de outrora. Em 1822, o Brasil, um dos principais destinos da rota de escravos transportados por Portugal, deixa de ser uma colónia portuguesa, e reforça as suas trocas comerciais (incluindo de escravos) com outros países. Há conta deste comércio, o segundo país em termo de população de descendência Africana do Mundo, a seguir à Nigéria, é o Brasil: números oficiais indicam que 45% da população do Brasil (cerca de 190 milhões ao todo) têm descendência Africana. Isto é Portugal, tomou esta decisão por, em termos económicos, já não ser um comércio onde fosse "competitivo" e por estar sujeito a pressões por partes dos seus rivais para se remover desse mercado.

Mais triste que este passado, é haver ainda comércio de escravos, a outra escala, nomeadamente no Brasil, e haver esta outra forma de "escravatura" generalizada e inerente ao sistema capitalista, que sob a máscara da palavra «liberdade» reduz a maior parte da população mundial à condição de ter de vender a sua força de trabalho para poder sobreviver.