quinta-feira, maio 07, 2009

Propaganda Eleitoral

Não sou designer, mas como qualquer pessoa tenho o meu gosto e preferências estéticas, e as minhas ideias sobre propaganda política. E sou algo exigente. Acho que é importante o texto, mas a imagem é importantíssima em propaganda de rua (seja mupi, mini-red ou outdoor - terminologia para os diferentes tamanhos, o equivalente em grande ao A5, A4 e A3). Igual para os pendões: formato que apenas a CDU tem usado com frequência, e bem por essa razão se destaca. (A este propósito o recente uso de pensões pela UGT na Avenida da Liberdade é indicativo da sua falta de prática e experiência: usaram suportes frágeis que se partiram todos numa noite. Quando os foram substituir, acharam por bem ... retirar os da CDU.)

O texto tem de ser curto mas com conteúdo, o que é um grande desafio. Não se pode cair no erro de uma mensagem curta mas demasiado genérica ou quase vazia de conteúdo, num lema que podia servir a qualquer força política. Tem de ser identificativo e diferenciador. Mas é no jogo de cores, no uso do espaço, na procura de uma ideia visual simples que agarre a pessoa durante aquele segundo em que passa a estrutura que está a chave. Neste respeito, embora seja militante do PCP, tenho de tirar o chapeu ao designers do Bloco de Esquerda que conseguem esta difícil harmonia e equilibrío. Embora, tenha de dizer, que o BE é responsável por um dos mais horríveis outdoors que me recordo: o do Tubarão.
Passei várias vezes por este outdoor e levou-me algum tempo a entender que era propaganda política. Mais parece um anúncio. E a mensagem política também não passa muito bem.

A CDU tem nesta fase de pré-campanha um design que me parece muito bem conseguido:
É bonito e a mensagem "Abril de novo", sendo simples, parece-me eficaz. Evoca os valores de Abril e subtilmente indica que são necessários recuperar, não num retorno ao passado, mas numa recriação, "de novo". E esta mensagem é reforçada pelo presença, mais discreta, de alguns desses valores: "Democracia, Justiça Social, Soberania". "Democracia" no seu sentido mais completo, como o entende o PCP, nas suas quatro vertentes indissociáveis (política, económica, social e cultural), tal como vem consagrado na Constituição da República. "Justiça Social" só alcançável com uma política que não esteja subordinada ao poder económico. E "Soberania" um conceito que todas as outras forças, incluindo o BE, parecem desconsiderar, e que se torna por esse motivo um conceito importante e diferenciador nestas eleições europeias.

O PS, depois do cartaz com o Vital Moreira, inaugurando o infeliz lema "Nós, europeus" – somos primeiro Portugueses, e é enquanto tal que devemos estar na União Europeia, não como funcionários ao serviço de um projecto Europeu que espezinhe o desenvolvimento e soberania nacional; e nunca deixámos de ser europeus, nem é a existência da UE que nos torna europeus. A nova vaga de cartazes do PS, recordando a entrada na CEE (que inicialmente tinha o ano errado, e teve que ser corrigido), o Euro e o Tratado de Lisboa, até me parecem bem conseguidos. Para quem é europeísta e acha que estes são grandes marcos. Para quem acha que estes foram momentos de um processo de destruição do desenvolvimento nacional autónomo, em que a nossa soberania económica e monetária foi declarada caducada, e de submissão a um projecto neoliberal, militarista e federalista (três eixos indissociáveis no Tratado de Lisboa), são cartazes que trazem uma mensagem negativa. Nesse sentido, acho bem que recordem quem desde o 25 de Abril já andava com os olhos apontados para a integração na Europa do Grande Capital. Gostava era de ver o cartaz em que o PS se recusa a realizar o referendo sobre o Tratado de Lisboa, como havia prometido na última campanha eleitoral.

Mas do pior que se pode ver por aí são sem dúvida os cartazes do PSD com a Manuela Ferreira Leite. Vi o cartaz que se segue pela primeira vez na Alameda Afonso Henriques durante o primeiro de Maio, e dei um salto espontâneo de susto:
Já não basta a cara normal da MFL, mas neste cartaz vem pálida, vestida de branco e rodeada de tons cinzentos. Parece um espectro. O lema é bizarro. "Não desista"?! Mas a quem se dirige tal mensagem? Pode haver algum desanimo e desespero com a crise, mas que eu veja os trabalhadores não baixaram os braços e desistiram. Talvez se dirija aos empresários que estão a arrumar a loja e mudar-se para outras paragens, despedindo os seus trabalhadores e não cumprindo os compromissos com o estado (que em alguns casos lhes deu vantagens com a garantia se se manterem em Portugal) e a sua responsabilidade social. [Uma camarada associa o "v" de vitória no PSDV à coelhinha da Playboy. Se a coelhinha é a MFL, o Hugh Hefner vai brevemente à falência.]

Depois, a noção de um número de telefone especado no cartaz, com as letrinhas indicado ter o custo de uma chamada local. Não resisti e telefonei. Há uma mensagem gravada da MFL, seguido de uma pessoa que nos pergunta a idade, conselho, actividade, e nos dá dois minutos para exprimir a nossa opinião. Eu disse-lhe: eu cá não vejo ninguém a desistir. Vejo é o povo em luta.
Ainda sobre o PSD, acho curioso que a segunda vaga traga de novo a MFL. Então e o Paulo Rangel, o cabeça de lista para as europeias do PSD? Admito que visualmente entre a MFL e o PR, venha o diabo e escolha.

Hoje vi o primeiro outdoor de propaganda do CDS-PP.
O que eu vi não tinha esta mensagem, mas “Não andamos a brincar aos polícias. Soluções sérias para a Segurança”, tanto que convenci uns amigos que eles tinham lido mal, não era "políticos" mas "polícias". Afinal há várias versões em torno do tema "não andamos a brincar". Quem anda a trabalhar para encher os bolsos é o bloco central (PS-PSD) cuja receptividade agora andam a sondar. O Nuno Melo aparece muito sério ... mas de braços cruzados, qual miúdo amuado que não é incluindo na brincadeira.

Por fim, para não excluir ninguém, há o cartaz da Laurinda Alves e do praticamente desconhecido Movimento Esperança Portugal, liderado pelo Rui Marques, que teve o grande mérito de não ter conseguido levar o barco Lusitâia Expresso até aos mares de Timor-Leste; e os muitos cartazes do MMS. Não se trata de Multimedia Messaging Service mas do Movimento Mérito e Sociedade. Este movimento que não é partido mas é partido, e que até declara num cartaz querer ser governo, tem tantos cartazes que levanta a pergunta: onde vai um novo movimento, com poucos militantes (presumo), sem apoio do estado, buscar dinheiro para fazer e colocar tanto cartaz? São assim tão independentes?

segunda-feira, maio 04, 2009

Deixas saudades, Vasco.

Faleceu hoje, aos 83 anos, Vasco Granja, um grande divulgador, um homem de horizontes largos, um combatente anti-fascista e, já em democracia, um grande promotor da democracia cultura.
Pertenço à geração etária que via regularmente os seus programas de animação, sempre variados na selecção de tipos de animação e suas nacionalidades. Contrariamente à monotonia hoje oferecida às crianças, entre o Noddy e os Transformers, o Vasco apresentava tanto o Bugs Bunny e o Coiote da Warner Bros., como animação da Europa de Leste e animação feita com simples sombras da Ásia. Sempre precedidos de um enquadramento pedagógico. Ver desenhos animados era não só passar tempo a vegetar em frente da televisão. Era uma lição multi-cultural. Que saudades, Vasco. Ficarás sempre na minha memória.

domingo, maio 03, 2009

1º Maio

[Aos seguidores regulares deste blog: ainda não tive oportunidade de fazer a habitual compilação a meio do ano das lutas de trabalhadores realizadas em 2009 até ao 1º de Maio. Outros compromissos impediram-me de completar essa listagem. Estará para breve. ]

O 1º de Maio de 2009 foi mais um grandioso dia de luta e demonstração de determinação dos trabalhadores portugueses. Dia particularmente importante, tratando-se de um ano carregado de eleições, e de possibilidade de ruptura com a política de direita.

É por isso lamentável que a marcha da CGTP-IN em Lisboa tenha recebido mais atenção devido ao acto provocatório do cabeça de lista ao Parlamento Europeu, Vital Moreira, que procurou integrar a cabeça da manifestação, e tendo tal presença sido impedida (como é natural, não tendo sido convidado para tal, e sendo uma figura que várias vezes atacou a CGTP e tem defendido o código de trabalho que a CGTP tanto tem combatido), insistiu em precorrer em sentido contrário a marcha, pelo passeio, tendo sido algo de apupos e assobios. Ao que consta, devia ter levado chapeu de chuva, foi atirar-lhe água para cima. Que eu tenha havido, não houve qualquer tentativa de agressão física. Não terá sido agradável para o senhor, mas que estava ele à espera, ao dirigir-se a uma manifestação onde as políticas de direita e o Governo Sócrates, que ele representa, eram um dos principais alvos de protesto. E quem lhe fez escolta durante o seu percurso provactório, garantindo que ele não seria vítima de algum manifestante mais exaltado: membros da CGTP. É assim incrível o o spin dos média e dos partidos de direita, fazendo de VM uma vítima, e os seus pedidos de desculpa à CGTP e ao PCP, como se os assobios fossem uma acção planeada pelos organizadores e não uma reacção espontânea dos participantes.
Ainda assim, Francisco Lopes, do Comité Central do Partido Comunista, declarou:
"O PCP manifesta a sua discordância e lamenta os incidentes verificados em Lisboa, num acto isolado de alguns manifestantes" mas "rejeita as acusações, insultos e calúnias dirigidas pelo PS contra o PCP." (...) "estas atitudes do PS, instrumentalizando actos isolados que só podem responsabilizar os próprios e que são inseparáveis da situação de desespero em que milhares de trabalhadores se encontram, constituem uma manobra de carácter eleitoralista". O Partido Socialista, "procurando a vitimização, pretende fugir à discussão dos grandes problemas nacionais, às suas responsabilidades na situação do país e ao julgamento que os trabalhadores e o povo português farão da sua política."
Há uma diferença muito grande, do meu ponto de vista, entre agressões à pessoa física (ainda que só atirando água, que só molha tolos), e os assobios e apupos. Alguns consideram estes uma atitude primitiva e logo também reprovável. Em relação a isto, não posso de recordar com um sorriso, que na Scala de Milão, uma das mais reputadas casas de ópera do mundo, onde o público que assiste a essa forma expoente da arte de espectáculo, não suprime os seu sentimentos quando gostam ou desgostam de um cantor. O "terceiro anel" da Scala não poupa os "bravos", "bravas", e palmas quando homenegeiam a prestação de um cantor. Mas quando não gostam da actuação, também não resistem ao apupos e a estampar os pés. Os apupos não são mais primitivos que as palmas. São actos colectivos de expressão de uma opinião. E a liberdade de expressão ainda é um direito constitucional.

sábado, abril 25, 2009

25 de Abril Sempre! Beija-me na boca!

35 anos desde o 25 de Abril de 1974.
35 anos desde o dia em que veio abaixo uma ditadura que durou 48 anos. Esperem. Isso em números soa a pouco. É preciso cardinais e em maiúsculas: fascismo que durou QUARENTA E OITO anos.
Depois de tamanho período de tempo sob o medo, a repressão, a opressão a cada canto, a guerra, com resistência heróica, mas também com a prisão, a tortura e a morte, é difícil para mim conceber verdadeiramente o que terá sido a explosão de alegria naquela madrugada de antecipação, e a euforia do 1º de Maio que se seguiu. Acompanhei esses dias enquanto criança de dois anos. Mas a atmosfera naqueles dias era tão forte que mesmo naquele cérebro em formação ficou algo profundamente marcado. De tal forma que não consigo pensar nesse período sem que estremeçam sentimentos vindos do inconsciente.
Muito sucedeu entretanto, e a promessa de Abril continua por cumprir. Muito do alcançado foi sendo destruído por 33 anos de governos de direita. Mas a promessa, o espírito continua. Continua inscrita na Constituição da República Portuguesa (apesar das revisões). Continua nos corações dos que viveram o fascismo e o seu derrube, e daqueles que, como eu, cresceram já libertos do fascismo. Porque a aspiração de um outro Portugal, o Portugal de Abril, continua por cumprir, continua a justificar-se a celebração desse dia no modo como espontaneamente ocorreu naqueles dias: com o povo na rua. Celebração que é também dia de luta: em defesa das conquistas, contra o processo de destruição das suas vitórias, e pela exigência do que ficou por cumprir. Na celebração e defesa da promessa pelo qual lutaram milhares de homens e mulheres.

Celebrado o dia na Avenida da Liberdade, em fraternidade e luta, com amigos e camaradas, é hoje soberba ocasião para partilhar um poema de uma amigo e camarada, que ouvi pela primeira vez, recitada pelo autor, na Festa do Avante! de 2008. A mera leitura não faz jus à sua representação ao vivo, mas o texto é boa expressão do espírito de liberdade de Abril, e do direito conquistado de mandar o poder à badamerda quando ele nos anda a enrabar, sem ser preciso metáforas nem asteriscos: em plena voz.
Beija-me na boca!

Beija-me na boca!
Mesmo quando decides
fechar as maternidades
por achares que é muito mais saudável
parir um filho em andamento
numa ambulância a alta velocidade.

Beija-me na boca!
Mesmo quando preferes
que o trabalho seja precário,
a recibos-verdes ou contratos a um mês,
para que quem trabalha se sinta livre de mudar,
mesmo que para lado nenhum,
e essa mobilidade lhe dê um espírito olímpico.

Beija-me na boca!
Mesmo quando dedicas à cultura deste Povo
uma ínfima parte da riqueza que geres,
no pressuposto de que assim "cimentas" a certeza
de que a cultura só atrapalha
o harmonioso desenvolvimento
de mentes simples e acarneiradas aos ditames
do famoso "Orçamento de Estado" equilibrado.

Beija-me na boca!
Mesmo quando a nossa saúde
se arrasta, dolorosa, pelos corredores
dos hospitais do Estado que é o nosso,
para que possa, enfim, correr para uma clínica privada
onde pode morrer alegremente à porta,
olhando o lugar idílico que não pode pagar.

Beija-me na boca!
Mesmo quando o Saber
vagueia sem qualquer obrigação real
num ensino escolar obrigatório
onde nem sequer sentem a nossa falta,
para facilitar o sucesso da estatística europeia,
como se eles fossem todos estúpidos,
e não estivesse aí a chave do nosso futuro.

Porra! Beija-me na boca!
Que eu gosto que me beijem na boca
quando me estão a foder!!!
Fernando Tavares Marques

quarta-feira, abril 15, 2009

Vitória de Morales

Conquistar cargos políticos de proeminência, por via eleitoral ou revolucionária, é apenas o início do processo de transformação social, política e económica. São conquistas a celebrar, mas que não devem por fim ao processo que lhes deu aso. Pelo contrário, devem servir como factor de mobilização para as batalhas contra a reacção que inevitavelmente se seguem, para solidificar o já conquistado e aprofundar o processo, sob pena das forças conservadores conseguirem, por vias legais ou conspirativas e usando os meios ainda em sua posse (média, sectores económicos, algumas franjas do poder político, apoio do imperialismo) para reconquistarem o monopólio do poder político. A fragmentação das forças progressistas face à reacção unida é um risco a ter sempre presente, devendo ser contrariando com o fomentar de uma frente unida de transformação. A história do pós-25 de Abril é sobre o tema um exemplo muito próximo. Mas as mesmas preocupações têm lugar nos processos em curso na Venezuela ou Bolívia.

Evo Morales foi eleito presidente da Bolívia em 2005, com 53.7% do voto, tornando-se o primeiro Ameríndio a liderar o país e o primeiro candidato a ganhar uma maioria. Desde então tem procurado transformar o país, a sua organização económica (com um processo significativo de reforma agrária e renacionalização dos recursos de hidrocarbonetos), e torná-lo mais soberano e independente das forças imperialistas. Mas durante a sua presidência teve de enfrentar a Câmara Alta (ou Senado) onde a maioria lhe é oposta . À semelhança do sucedido na Venezuela, houve necessidade de alterar a constituição por forma a dar mais poder e direitos à maioria da população empobrecida, e dar condições de continuidade ao processo de transformação. Em 2006, foi constituida uma Assembleia Constituinte, cujo funcionamento sofreu os efeitos da reacção e das forças conservadores (expressas em boicotes dos delegados conservadores, instigação de manifestações violentas e ameaças de autonomização de algumas regiões mais ricas e controladas pelos sectores conservadores), forçando mesmo a Assembleia a mudar de localização, por razões de segurança. O texto final foi apresentado à Câmara Baixa (ou Congresso), em Outubro de 2008, e sujeito a referendo no passado 25 de Janeiro de 2009, tendo sido aprovada por 61.7% da população.

Apesar do claro apoio a favor de reformas políticas, no início de Abril, o Senado recusou-se a aprovar a reforma da lei eleitoral, que daria mais poder à população indígena (incluindo 14 lugares no Congresso - de 130 lugares - para as minorias indígenas, e alargando o direito de voto aos Bolivianos no estrangeiro) e permitiria a nova candidatura de Morales. A 9 de Abril os membros do partido de oposição, Podemos, abandonaram o Congresso, exigindo modificações à lei eleitoral e a adição de um novo processo de registo eleitoral.

Face ao bloqueio do Senado, Morales manteve vigília no palácio presidencial, dormindo num colchão no piso do palácio, e entrou em greve de fome juntamente com outros líderes sindicais membros do seu partido o Movimiento al Socialismo (MAS).

A 12 de Abril, Morales consentiu à implementação da nova forma de registo eleitoral. O MAS havia colocado que não havia condições financeiras e logísticas para implementar o novo processo até às eleições este Dezembro. Mas Morales decidiu prescindir da aquisição de um avião presidencial (Morales é o presidente boliviano que fez mais viagens diplomáticas internacionais), por forma a libertar fundos para o novo registo. Concordou também em reduzir de 14 para 7 o número de lugares no Congresso reservados às minorias indígenas. Mas continuou a sua greve de fome até a lei ser aprovada pelo Senado (um total de 5 dias).

Morales, líder sindical de tradição, que há enquanto sindicalista havia efectuado greves de fome, foi acusado de "ridículo" por membros do Podemos e acusado de chantagear o Senado. "Ridículo" não seria certamente o termo que usariam para descrever as marcantes greves de fome do líder Indiano, Mohandas Ghandi. O acto de entrega e coragem de Morales só o dignifica como líder político, como um Presidente que entende bem que mesmo no poder há que lutar, que o processo de transformação em curso implica batalhas constantes, e que em cada uma delas há que dar o couro e colocar, se necessário, encravar com o corpo os mecanismos da reacção. Saludos Evo!