O texto tem de ser curto mas com conteúdo, o que é um grande desafio. Não se pode cair no erro de uma mensagem curta mas demasiado genérica ou quase vazia de conteúdo, num lema que podia servir a qualquer força política. Tem de ser identificativo e diferenciador. Mas é no jogo de cores, no uso do espaço, na procura de uma ideia visual simples que agarre a pessoa durante aquele segundo em que passa a estrutura que está a chave. Neste respeito, embora seja militante do PCP, tenho de tirar o chapeu ao designers do Bloco de Esquerda que conseguem esta difícil harmonia e equilibrío. Embora, tenha de dizer, que o BE é responsável por um dos mais horríveis outdoors que me recordo: o do Tubarão.
Passei várias vezes por este outdoor e levou-me algum tempo a entender que era propaganda política. Mais parece um anúncio. E a mensagem política também não passa muito bem.A CDU tem nesta fase de pré-campanha um design que me parece muito bem conseguido:
É bonito e a mensagem "Abril de novo", sendo simples, parece-me eficaz. Evoca os valores de Abril e subtilmente indica que são necessários recuperar, não num retorno ao passado, mas numa recriação, "de novo". E esta mensagem é reforçada pelo presença, mais discreta, de alguns desses valores: "Democracia, Justiça Social, Soberania". "Democracia" no seu sentido mais completo, como o entende o PCP, nas suas quatro vertentes indissociáveis (política, económica, social e cultural), tal como vem consagrado na Constituição da República. "Justiça Social" só alcançável com uma política que não esteja subordinada ao poder económico. E "Soberania" um conceito que todas as outras forças, incluindo o BE, parecem desconsiderar, e que se torna por esse motivo um conceito importante e diferenciador nestas eleições europeias.O PS, depois do cartaz com o Vital Moreira, inaugurando o infeliz lema "Nós, europeus" – somos primeiro Portugueses, e é enquanto tal que devemos estar na União Europeia, não como funcionários ao serviço de um projecto Europeu que espezinhe o desenvolvimento e soberania nacional; e nunca deixámos de ser europeus, nem é a existência da UE que nos torna europeus. A nova vaga de cartazes do PS, recordando a entrada na CEE (que inicialmente tinha o ano errado, e teve que ser corrigido), o Euro e o Tratado de Lisboa, até me parecem bem conseguidos. Para quem é europeísta e acha que estes são grandes marcos. Para quem acha que estes foram momentos de um processo de destruição do desenvolvimento nacional autónomo, em que a nossa soberania económica e monetária foi declarada caducada, e de submissão a um projecto neoliberal, militarista e federalista (três eixos indissociáveis no Tratado de Lisboa), são cartazes que trazem uma mensagem negativa. Nesse sentido, acho bem que recordem quem desde o 25 de Abril já andava com os olhos apontados para a integração na Europa do Grande Capital. Gostava era de ver o cartaz em que o PS se recusa a realizar o referendo sobre o Tratado de Lisboa, como havia prometido na última campanha eleitoral.
Mas do pior que se pode ver por aí são sem dúvida os cartazes do PSD com a Manuela Ferreira Leite. Vi o cartaz que se segue pela primeira vez na Alameda Afonso Henriques durante o primeiro de Maio, e dei um salto espontâneo de susto:
Já não basta a cara normal da MFL, mas neste cartaz vem pálida, vestida de branco e rodeada de tons cinzentos. Parece um espectro. O lema é bizarro. "Não desista"?! Mas a quem se dirige tal mensagem? Pode haver algum desanimo e desespero com a crise, mas que eu veja os trabalhadores não baixaram os braços e desistiram. Talvez se dirija aos empresários que estão a arrumar a loja e mudar-se para outras paragens, despedindo os seus trabalhadores e não cumprindo os compromissos com o estado (que em alguns casos lhes deu vantagens com a garantia se se manterem em Portugal) e a sua responsabilidade social. [Uma camarada associa o "v" de vitória no PSDV à coelhinha da Playboy. Se a coelhinha é a MFL, o Hugh Hefner vai brevemente à falência.]Depois, a noção de um número de telefone especado no cartaz, com as letrinhas indicado ter o custo de uma chamada local. Não resisti e telefonei. Há uma mensagem gravada da MFL, seguido de uma pessoa que nos pergunta a idade, conselho, actividade, e nos dá dois minutos para exprimir a nossa opinião. Eu disse-lhe: eu cá não vejo ninguém a desistir. Vejo é o povo em luta.
Ainda sobre o PSD, acho curioso que a segunda vaga traga de novo a MFL. Então e o Paulo Rangel, o cabeça de lista para as europeias do PSD? Admito que visualmente entre a MFL e o PR, venha o diabo e escolha.
Hoje vi o primeiro outdoor de propaganda do CDS-PP.
Por fim, para não excluir ninguém, há o cartaz da Laurinda Alves e do praticamente desconhecido Movimento Esperança Portugal, liderado pelo Rui Marques, que teve o grande mérito de não ter conseguido levar o barco Lusitâia Expresso até aos mares de Timor-Leste; e os muitos cartazes do MMS. Não se trata de Multimedia Messaging Service mas do Movimento Mérito e Sociedade. Este movimento que não é partido mas é partido, e que até declara num cartaz querer ser governo, tem tantos cartazes que levanta a pergunta: onde vai um novo movimento, com poucos militantes (presumo), sem apoio do estado, buscar dinheiro para fazer e colocar tanto cartaz? São assim tão independentes?










