quarta-feira, maio 20, 2009

Simpósio «Fonteiras do Humano»

Fronteiras do Humano

No dia 22 de Maio, das 10:30 às 18h, no Auditório Armando de Castro (Auditório 1) do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), na Rua Jardim do Tabaco, 34, em Lisboa, irá decorrer um simpósio cujo objectivo deriva da seguinte problemática: o ser humano é simultaneamente uma espécie biológica, fruto de processos evolutivos como as demais espécies, mas também um animal social, em que a cultura e a linguagem têm um papel de grande relevância. Do ponto de vista disciplinar, o ser humano, a sua cultura e sociedade, têm sido objecto de estudo de várias áreas do saber, com diferentes tradições, metodologias e problemáticas, incluindo a biologia, antropologia, psicologia, sociologia e história.

O simpósio irá reunir investigadores de diferentes áreas que estudem a nossa espécie, e discutir os limites e o nível de complementaridade entre cada perspectiva disciplinar, as fronteiras, barreiras e articulações entre as várias disciplinas. (ver programa e sumários das palestras.)

O simpósio está integrado nas comemorações do ISPA do 200º aniversário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos desde a publicação da sua obra «Sobre a Origem das Espécies».

Organizado pela Unidade de Investigação em Eco-Etologia e Centro de Biociências do ISPA, com colaboração do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.

A entrada é gratuita, mas pede-se que os interessados se pre-inscrevam, enviando um correio electrónico para: centro.biociencias@ispa.pt

terça-feira, maio 19, 2009

Ensino Superior: que futuro com Bolonha?

No próximo dia 20 de Maio, 4ª feira, às 18h, no edifício C6, na sala 2.53 (2º piso), da Faculdade de Ciências, no Campo Grande em Lisboa, irá decorrer um debate CDU promovido pelo Sector Intelectual de Lisboa do PCP, sob o título «Ensino Superior: que futuro com Bolonha?». O debate conta com a participação de João Ferreira, segundo candidato da CDU ao Parlamento Europeu, Manuel Gusmão, Eduardo Chitas, Frederico Carvalho e Luísa Mota Soares.

quinta-feira, maio 07, 2009

Propaganda Eleitoral

Não sou designer, mas como qualquer pessoa tenho o meu gosto e preferências estéticas, e as minhas ideias sobre propaganda política. E sou algo exigente. Acho que é importante o texto, mas a imagem é importantíssima em propaganda de rua (seja mupi, mini-red ou outdoor - terminologia para os diferentes tamanhos, o equivalente em grande ao A5, A4 e A3). Igual para os pendões: formato que apenas a CDU tem usado com frequência, e bem por essa razão se destaca. (A este propósito o recente uso de pensões pela UGT na Avenida da Liberdade é indicativo da sua falta de prática e experiência: usaram suportes frágeis que se partiram todos numa noite. Quando os foram substituir, acharam por bem ... retirar os da CDU.)

O texto tem de ser curto mas com conteúdo, o que é um grande desafio. Não se pode cair no erro de uma mensagem curta mas demasiado genérica ou quase vazia de conteúdo, num lema que podia servir a qualquer força política. Tem de ser identificativo e diferenciador. Mas é no jogo de cores, no uso do espaço, na procura de uma ideia visual simples que agarre a pessoa durante aquele segundo em que passa a estrutura que está a chave. Neste respeito, embora seja militante do PCP, tenho de tirar o chapeu ao designers do Bloco de Esquerda que conseguem esta difícil harmonia e equilibrío. Embora, tenha de dizer, que o BE é responsável por um dos mais horríveis outdoors que me recordo: o do Tubarão.
Passei várias vezes por este outdoor e levou-me algum tempo a entender que era propaganda política. Mais parece um anúncio. E a mensagem política também não passa muito bem.

A CDU tem nesta fase de pré-campanha um design que me parece muito bem conseguido:
É bonito e a mensagem "Abril de novo", sendo simples, parece-me eficaz. Evoca os valores de Abril e subtilmente indica que são necessários recuperar, não num retorno ao passado, mas numa recriação, "de novo". E esta mensagem é reforçada pelo presença, mais discreta, de alguns desses valores: "Democracia, Justiça Social, Soberania". "Democracia" no seu sentido mais completo, como o entende o PCP, nas suas quatro vertentes indissociáveis (política, económica, social e cultural), tal como vem consagrado na Constituição da República. "Justiça Social" só alcançável com uma política que não esteja subordinada ao poder económico. E "Soberania" um conceito que todas as outras forças, incluindo o BE, parecem desconsiderar, e que se torna por esse motivo um conceito importante e diferenciador nestas eleições europeias.

O PS, depois do cartaz com o Vital Moreira, inaugurando o infeliz lema "Nós, europeus" – somos primeiro Portugueses, e é enquanto tal que devemos estar na União Europeia, não como funcionários ao serviço de um projecto Europeu que espezinhe o desenvolvimento e soberania nacional; e nunca deixámos de ser europeus, nem é a existência da UE que nos torna europeus. A nova vaga de cartazes do PS, recordando a entrada na CEE (que inicialmente tinha o ano errado, e teve que ser corrigido), o Euro e o Tratado de Lisboa, até me parecem bem conseguidos. Para quem é europeísta e acha que estes são grandes marcos. Para quem acha que estes foram momentos de um processo de destruição do desenvolvimento nacional autónomo, em que a nossa soberania económica e monetária foi declarada caducada, e de submissão a um projecto neoliberal, militarista e federalista (três eixos indissociáveis no Tratado de Lisboa), são cartazes que trazem uma mensagem negativa. Nesse sentido, acho bem que recordem quem desde o 25 de Abril já andava com os olhos apontados para a integração na Europa do Grande Capital. Gostava era de ver o cartaz em que o PS se recusa a realizar o referendo sobre o Tratado de Lisboa, como havia prometido na última campanha eleitoral.

Mas do pior que se pode ver por aí são sem dúvida os cartazes do PSD com a Manuela Ferreira Leite. Vi o cartaz que se segue pela primeira vez na Alameda Afonso Henriques durante o primeiro de Maio, e dei um salto espontâneo de susto:
Já não basta a cara normal da MFL, mas neste cartaz vem pálida, vestida de branco e rodeada de tons cinzentos. Parece um espectro. O lema é bizarro. "Não desista"?! Mas a quem se dirige tal mensagem? Pode haver algum desanimo e desespero com a crise, mas que eu veja os trabalhadores não baixaram os braços e desistiram. Talvez se dirija aos empresários que estão a arrumar a loja e mudar-se para outras paragens, despedindo os seus trabalhadores e não cumprindo os compromissos com o estado (que em alguns casos lhes deu vantagens com a garantia se se manterem em Portugal) e a sua responsabilidade social. [Uma camarada associa o "v" de vitória no PSDV à coelhinha da Playboy. Se a coelhinha é a MFL, o Hugh Hefner vai brevemente à falência.]

Depois, a noção de um número de telefone especado no cartaz, com as letrinhas indicado ter o custo de uma chamada local. Não resisti e telefonei. Há uma mensagem gravada da MFL, seguido de uma pessoa que nos pergunta a idade, conselho, actividade, e nos dá dois minutos para exprimir a nossa opinião. Eu disse-lhe: eu cá não vejo ninguém a desistir. Vejo é o povo em luta.
Ainda sobre o PSD, acho curioso que a segunda vaga traga de novo a MFL. Então e o Paulo Rangel, o cabeça de lista para as europeias do PSD? Admito que visualmente entre a MFL e o PR, venha o diabo e escolha.

Hoje vi o primeiro outdoor de propaganda do CDS-PP.
O que eu vi não tinha esta mensagem, mas “Não andamos a brincar aos polícias. Soluções sérias para a Segurança”, tanto que convenci uns amigos que eles tinham lido mal, não era "políticos" mas "polícias". Afinal há várias versões em torno do tema "não andamos a brincar". Quem anda a trabalhar para encher os bolsos é o bloco central (PS-PSD) cuja receptividade agora andam a sondar. O Nuno Melo aparece muito sério ... mas de braços cruzados, qual miúdo amuado que não é incluindo na brincadeira.

Por fim, para não excluir ninguém, há o cartaz da Laurinda Alves e do praticamente desconhecido Movimento Esperança Portugal, liderado pelo Rui Marques, que teve o grande mérito de não ter conseguido levar o barco Lusitâia Expresso até aos mares de Timor-Leste; e os muitos cartazes do MMS. Não se trata de Multimedia Messaging Service mas do Movimento Mérito e Sociedade. Este movimento que não é partido mas é partido, e que até declara num cartaz querer ser governo, tem tantos cartazes que levanta a pergunta: onde vai um novo movimento, com poucos militantes (presumo), sem apoio do estado, buscar dinheiro para fazer e colocar tanto cartaz? São assim tão independentes?