José Carlos Ary dos Santos, que faleceu há 25 anos, escreveu, em Agosto de 1975, e com rapidez, um belo e emocionante poema enaltecendo os comunistas e a sua bandeira. No espírito desse valor que sempre defendeu, a liberdade ("Porém cantar é ternura/escrever constrói liberdade/e não há coisa mais pura/do que dizer a verdade"), tomei eu a liberdade de adicionar algumas quadras (a vermelho) ao seu poema "A Bandeira comunista", versos que o actualizam para o contexto actual.
A bandeira comunista
Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.
À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.
Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.
E a cada novo assalto
cada escalada fascista
cada atendado de limpeza
do regime salazarista
A cada Durão, Leite,
ou clique Satanista
aos Portas que Abril fechadas
e outros pró-imperialistas
a cada parte ou bloco oco
querendo atrair progressistas
mas sem ligação às massas
só aplausos dos jornalistas
a cada falsa esquerda
socraticó-socialista
que entre brindes e reformas
faz obséquio ao monopolista
contra todos estes cabrões
há ruptura realista, e
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.
sexta-feira, setembro 25, 2009
Comício da CDU no Campo Pequeno
Na 5a à noite, a CDU realizou um grandioso comício no Campo Pequeno com a presença de mais de 7 mil pessoas. Um momento de afirmação da Coligação Democrática Unitária, como a única força que pode garantir a presença de uma força de esquerda na Assembleia da República que não abdica dos seus princípios e das promessas feitas aos trabalhadores e a todos os portugueses desejosos de uma efectiva e verdadeira ruptura com a política de direita.Q
uem se considera de esquerda e tenha visto o cartaz do Bloco afirmando "Estamos Prontos" não poderá deixar de se interrogar 'Prontos' para quê? Não certamente para formar, sozinho, governo. Só poderia ser mesmo em coligação com o PS. Ora, se o BE se afirma 'pronto' para formar governo com este PS de Sócrates, terá de se perguntar: a custa de que compromisso? A CDU nisso mantém uma linha coerente. Está pronta para assumir o Governo quando o povo assim o entender. Quando o povo português quiser genuinamente um governo de esquerda, baseada em princípios de esquerda, numa política de esquerda, e não numa falsa esquerda, que se assume de esquerda no seu discurso de campanha, mas que no poder dá continuidade a uma política de direita, aliada aos interesses do capital monopolista, de submissão à linha neoliberal, federalista e militarista da União Europeia de Durão Barroso, de ataque aos trabalhadores e às populações. Com este PS não há possibilidade de compromisso, porque não há qualquer base de para convergência. A CDU não irá dará nunca qualquer legitimidade democrática a um governo com tais princípios. Mas estará, naturalmente, pronta quando a população desejar por em prática os princípios de Abril, o programa consagrado na Constituição. Lutamos por esses princípios e esse programa durante as campanhas. E seja quais forem os resultados da campanha legislativas, continuará a lutar por esses valores, junto da luta dos trabalhadores e das populações. Não porque seja uma oposição limitada à crítica, mas porque tem propostas concretas para um Portugal diferente. Lutará para unir os trabalhadores e populações em torno dessa ruptura necessária para Portugal, durante e após os actos eleitorais.sábado, setembro 19, 2009
A frustração: poema de um camarada e amigo
A Frustração
Tenho as respostas
A todas as tuas dúvidas.
Só não sei
Quais são as tuas dúvidas.
Tenho a certeza
De corresponder a todos os teus anseios.
Só não sei quais são os teus anseios.
Tenho todas as palavras certas
Para preencher os teus silêncios.
Só não consigo ouvir os teus silêncios.
Tenho as cores todas
Com que se pintam os sonhos.
Só não sei dos teus sonhos que é preciso pintar.
Tenho a paz que amansará
Todas as tuas revoltas.
Só não sei do teu tempo das revoltas.
Tenho os antídotos todos
Para todas as tuas dores.
Só não sei se te queres tratar.
Sei das soluções para as tuas crises.
Só não sei se acreditas que tens crises.
Tenho tudo para ti.
Só não sei se tu existes.
Estou a falar de ti, Povo.
Eu faço parte integrante de ti.
Acredita, de fonte segura,
que ainda não fui atacado pela amnésia,
quase colectiva, que te corrói
e apenas te deixa continuar a não acreditar em mim.
E é pena.
Vou continuar a falar-te e a falar de ti.
Só não sei do prazo da tua surdez artificial.
Restam-me as lágrimas
Que nunca te darei.
Fernando Tavares Marques
Tenho as respostas
A todas as tuas dúvidas.
Só não sei
Quais são as tuas dúvidas.
Tenho a certeza
De corresponder a todos os teus anseios.
Só não sei quais são os teus anseios.
Tenho todas as palavras certas
Para preencher os teus silêncios.
Só não consigo ouvir os teus silêncios.
Tenho as cores todas
Com que se pintam os sonhos.
Só não sei dos teus sonhos que é preciso pintar.
Tenho a paz que amansará
Todas as tuas revoltas.
Só não sei do teu tempo das revoltas.
Tenho os antídotos todos
Para todas as tuas dores.
Só não sei se te queres tratar.
Sei das soluções para as tuas crises.
Só não sei se acreditas que tens crises.
Tenho tudo para ti.
Só não sei se tu existes.
Estou a falar de ti, Povo.
Eu faço parte integrante de ti.
Acredita, de fonte segura,
que ainda não fui atacado pela amnésia,
quase colectiva, que te corrói
e apenas te deixa continuar a não acreditar em mim.
E é pena.
Vou continuar a falar-te e a falar de ti.
Só não sei do prazo da tua surdez artificial.
Restam-me as lágrimas
Que nunca te darei.
Fernando Tavares Marques
terça-feira, setembro 15, 2009
Saída de Domingos Lopes
Domingos Lopes há muito que não mantém actividade no PCP, há muito que marca divergências com a direcção no PCP, se segue o seu próprio rumo há margem das orientações do colectivo partidário. De tal forma que muitos militantes já o consideravam como não sento militante (activo). Qualquer militante é livre de sair do partido, pelas razões que entender. Mas ter DL escolhido este momento, de plena campanha para as eleições legislativas (e depois autárquicas), não é obra do acaso. DL quis não só deixar de ser militante, mas também atacar o PCP ao fazê-lo. Tal diz mais sobre o desejo de protagonismo e do carácter de DL, que sobre os problemas que este terá tido com o PCP.
Manifesto CDU pela cultura, liberdade, transformação e emancipação
PELA CULTURA, LIBERDADE, TRANSFORMAÇÃO E EMANCIPAÇÃO
VOTAMOS CDU!
É necessário e urgente romper com a política de desresponsabilização e asfixia financeira, de esvaziamento e secundarização da cultura.VOTAMOS CDU!
No quadro da luta por uma democracia avançada, a luta e a construção de uma democracia cultural é função e factor das vertentes política, económica e social da democracia.
SEIS ORIENTAÇÕES
1ª O acesso generalizado das populações à fruição dos bens e das actividades culturais é o objectivo básico fundamental de qualquer política de democratização cultural.
2ª O apoio das diversas estruturas do Poder Central e do Poder Local ao desenvolvimento da criação, produção e difusão culturais, com a rejeição da sua subordinação a critérios mercantilistas e no respeito pela controvérsia e pela pluralidade das opções estéticas.
3ª A valorização da função social dos criadores e dos trabalhadores da área cultural e das suas estruturas e a melhoria constante da sua formação, condições de trabalho e estabilidade profissional.
4ª A defesa, o estudo, a preservação e a divulgação do património cultural nacional, regional e local, erudito e popular, tradicional ou actual, como forma de salvaguarda da identidade e da independência nacional.
5ª O intercâmbio com os outros povos da Europa e do mundo, a abertura aos grandes valores da cultura da humanidade e a sua apropriação crítica e criadora, o combate à colonização cultural e a promoção internacional da cultura e da língua portuguesas no plano internacional, no seio das comunidades portuguesas no estrangeiro, em estreita cooperação com os outros países e povos que usam o mesmo idioma.
6ª A democratização da cultura, entendida e praticada enquanto factor de emancipação. Social e individual, a emancipação supõe o enriquecimento das relações colectivas, o equilíbrio entre as relações de pertença e a aventura da criação, o reconhecimento da singularidade própria e da dignidade de cada um, uma consciência crescente da nossa posição na sociedade e no mundo.
DEZ MEDIDAS PRIORITÁRIAS
No quadro destas orientações fundamentais, e tendo em conta os aspectos fundamentais da política seguida pelo Governo Sócrates que é essencial corrigir e inverter, nós, escritores, artistas e demais trabalhadores da cultura subscrevemos o programa da CDU para a cultura, na convicção de que o processo da sua implantação será sempre realizado de forma não burocrática e participada.
1.O princípio do financiamento público da democratização da cultura deve no imediato levar a que o orçamento para a cultura represente 1% do OE e no fim da legislatura deverá conseguir-se que corresponda a 1% do PIB;
2.A reformulação da estrutura orgânica do MC, que lhe assegure condições humanas e técnicas para realizar uma política activa no plano da inventariação, defesa e preservação do património, no apoio à criação contemporânea, ao alargamento de públicos, à democratização do acesso à cultura;
3.Uma articulação de políticas entre MC, ME, MCES, de modo a potenciar os laços entre a educação e o ensino, a cultura artística e a cultura científica;
4.Uma política de efectivo apoio ao que deverão ser as componentes de um autêntico serviço público no plano da cultura, nomeadamente nas áreas do teatro, da música, da dança, do cinema, das artes plásticas e da expressão escrita;
5.A melhoria das condições de exercício, estabilidade profissional e protecção social para os criadores e artistas;
6.O fim da entrega de bens patrimoniais do Estado à gestão privada, ou da sua privatização;
7.Uma urgente reformulação da política relativa aos museus, assegurando as suas condições de funcionamento, de modernização das suas instalações, de preservação, dinamização e investigação dos seus acervos;
8.A construção de um sistema público de ensino artístico de qualidade, com dois objectivos fundamentais: a formação de profissionais e a generalização da cultura artística entre a população portuguesa;
9.Uma política de relacionamento cultural com todos os povos e culturas, resistindo ao afunilamento das relações culturais com os países dispondo das mais poderosas indústrias e mercados culturais;
10.Uma política de afirmação e promoção da língua e da cultura portuguesas, enquanto expressões livres das identidades, aspirações e criações do povo português.
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