Oito horas de trabalho, oito horas de tempo livre e social, oito horas de sono.
Parece uma fórmula simples, equilibrada e saudável.
Quase que custa a acreditar que o limite das oito horas de trabalho diário foram conquistadas tão recentemente.
Mais inacreditável é que esse limita na prática deixado de existir. O novo código de trabalho não só permite jornadas de trabalho de 10 e 12 horas, como pressupõe que os dias livres que assim se ganhem possam ser passados como se de um domingo se tratasse. Como se os outros elementos da família não tivessem afazeres, trabalhos com outros horários, igualmente flexíveis. É a supremacia da eficácia do uso da força de trabalho sobre o bem-estar do trabalhador.
Vejam o blog: 8!8!8!
quarta-feira, outubro 21, 2009
segunda-feira, outubro 19, 2009
Matar sem risco
A primeira preocupação de um presidente dos EUA quando decide envolver o seu país numa guerra é o número de fatalidades das suas forças militares. Os danos colaterais, isto é, as vítimas inocentes no território alvo não são suficientemente graves para obrigar a repensar uma acção militar. São, quanto muito, um problema de relações públicas a resolver. Mas vítimas Estadunidenses: isso já afecta a opinião pública doméstica. Há que camuflá-las (proibindo a publicação de fotos de caixões re-enviados para os EUA) e minimizá-las. O ideal seria poder infligir danos sem colocar em perigo as suas forças militares. E para isso é que o Departamento de Defesa recebe um orçamento monstruoso e as companhias como a Boeing, Northrop Grumman, Raytheon e Lockheed Martin recebem contratos públicos na ordem dos milhares de milhões de dólares. Nada melhor que as aeronaves de "reconhecimento",
como este MQ-9, usado pelos EUA e Grã-Bretanha no Iraque e Afeganistão. Estas aeronaves comandas por via remota, e portanto sem pilotos ou passageiros (em inglês são referidos como drones ou UAVs: Unmanned Aircraft Vehicle), não são apenas para "reconhecimento". Alguns são armados com misseis Hellfire e usados para ataques sobre territórios inimigos ou mesmo sobre territórios "amigos" sem conhecimento e autorização dos mesmos: caso a aeronave seja detectada e abatida, não há risco de piloto capturado e problema diplomático. A aeronave em baixo, o Predador MQ-1, foi primeiramente usado para "assassinatos de precisão" no Afeganistão, a partir de bases no Pa
quistão e Uzbequistão. Claro que precisão é uma questão de opinião. O embaixador Paquistanês Azmat Hassan afirmou em Julho deste ano que dos cerca de 40 ataques usando UAVs, apenas 8-9 militantes da al-Qaeda foram mortos. O insuspeito Brookings Institute estima que 10 civis morrem por cada militante da al-Qaeda. A revolta entre os civis perante tais ataques e a intensificação do ódio face ao ocupante superam qualquer erosão que os ataques militares provoquem na organização terrorista.
Ora, resulta que o Presidente do EUA e Prémio Nobel da Paz, Barack Obama, já autorizou mais ataques de UAVs sobre território Paquistanês nos seus 9 meses e meio na Casa Branca do que o Bush nos seus 3 anos finais como presidente.
A política dos EUA na região é aliás aparentemente cheia de contradições. Para a entender é preciso rasurar qualquer fragmento de discurso aparentemente diplomático e ambição de estabilização. Como entender que os EUA apoiem o Paquistão e simultaneamente ataquem o seu território e cidadãos, sem autorização do seu governo? Como entender porém que coordenam com esse governo uma ofensiva militar Paquistanesa sobre o sul do Waziristão (no noroeste do Paquistão, junto à fronteira com o Afeganistão) levando 150 civis a procurarem refugio? Como entender que persistem em levar adiante a farsa das eleições no Afeganistão, quando as Nações Unidas reconhece que houve fraude e que aceitar os resultados fará mais para destabilizar o país? E que apoio deu os EUA ao grupo Suni Jundallah que cometeu o ataque no Irão que matou 6 comandantes da Guarda Revolucionário, o mais grave ataque nos últimos 20 anos?
Voltando ainda aos UAVs: estes foram usados também, em Março deste ano, pelas forças armadas Israelitas sobre a Faixa de Gaza, matando 48 civis, incluindo 2 crianças e um grupo de mulheres numa rua deserta. Mais uma demonstração de precisão. Apesar do cessar-fogo com o Líbano, Israel é acusado de voar UAVs sobre o território do Líbano em violação da Resolução 1701. Israel aliás tem outros meios de ataque à distância. Uma investigação das Nações Unidas sobre explosões no passado fim de semana no sul do Líbano revelou que foram devidas a aparelhos aí colocados durante o recente invasão de Israel, e detonados via remota por Israel, felizmente sem resultar em feridos.
Ora, resulta que o Presidente do EUA e Prémio Nobel da Paz, Barack Obama, já autorizou mais ataques de UAVs sobre território Paquistanês nos seus 9 meses e meio na Casa Branca do que o Bush nos seus 3 anos finais como presidente.
A política dos EUA na região é aliás aparentemente cheia de contradições. Para a entender é preciso rasurar qualquer fragmento de discurso aparentemente diplomático e ambição de estabilização. Como entender que os EUA apoiem o Paquistão e simultaneamente ataquem o seu território e cidadãos, sem autorização do seu governo? Como entender porém que coordenam com esse governo uma ofensiva militar Paquistanesa sobre o sul do Waziristão (no noroeste do Paquistão, junto à fronteira com o Afeganistão) levando 150 civis a procurarem refugio? Como entender que persistem em levar adiante a farsa das eleições no Afeganistão, quando as Nações Unidas reconhece que houve fraude e que aceitar os resultados fará mais para destabilizar o país? E que apoio deu os EUA ao grupo Suni Jundallah que cometeu o ataque no Irão que matou 6 comandantes da Guarda Revolucionário, o mais grave ataque nos últimos 20 anos?
Voltando ainda aos UAVs: estes foram usados também, em Março deste ano, pelas forças armadas Israelitas sobre a Faixa de Gaza, matando 48 civis, incluindo 2 crianças e um grupo de mulheres numa rua deserta. Mais uma demonstração de precisão. Apesar do cessar-fogo com o Líbano, Israel é acusado de voar UAVs sobre o território do Líbano em violação da Resolução 1701. Israel aliás tem outros meios de ataque à distância. Uma investigação das Nações Unidas sobre explosões no passado fim de semana no sul do Líbano revelou que foram devidas a aparelhos aí colocados durante o recente invasão de Israel, e detonados via remota por Israel, felizmente sem resultar em feridos.
domingo, outubro 18, 2009
Está tudo doido?!
Passei as últimas duas semanas de cama, doente, e pude prestar uma atenção mínima às notícias. Mas as que vi convenceram-me que a minha cabeça ainda não estava recuperada.Quando vi um referência à atribuição do Prémio Nobel da Paz ao novo presidente dos EUA, Barack Obama, não sabia se havia estado em coma durante uns anos, ou se Obama havia salvo o mundo do apocalipse durante os dias em que estive doente e desatento.
Agora que estou com a cabeça um pouco mais clara, entendo que Obama ganhou mesmo o prémio e, pelo que se pode concluir, não por nada que tenha concretizado. Quanto muito terá sido por ter feito os juízes sentirem esperança no futuro. Diz a texto do júri: «pelos seus esforços extraordinários para reforçar a diplomacia e cooperação internacional entre os povos.»
Não é primeira vez que há controvérsia em torno do galardoado. Basta recordar Henry Kissinger, Lech Walesa, Mikail Gorbatchev, Frederick de Klerk, Shimon Peres,
A sua nomeação tem levantado naturalmente perguntas. Cabe perguntar se não teria mais sentido nomear alguém ou alguma organização com mais tempo para concretizar os seus planos. Há assim tão poucos candidatos? Não. O comité recebeu um número recorde de nomeações (205), incluindo 33 organizações.
As nomeações são aceites pelo comité de nomeação até 1 de Fevereiro. Os membros do comité podem fazer nomeações até à primeira reunião do comité. Mas Obama foi inaugurado para a Presidência dos EUA a 20 de Janeiro de 2009. Isto é, por muito extraordinárias que fossem as actividades de Obama durante os primeiros meses da sua presidência, estas não deveriam contar para a avaliação do comité.
Ora, que me lembre, nas primeiras semanas na Casa Branca Obama não erradicou a fome na terra, não fez desaparecer as minas terrestres, não resolveu alguns dos conflitos militares persistentes, nem transformou água em vinho. Tomou alguns passos interessantes no sentido da redução de armas nucleares, mas é ainda cedo para ver onde irão conduzir. Por outro lado, reforçou a presença militar no Afeganistão e apoiou as eleições fraudulentas. Mas é escusado por os pesos nos dois pratos da balança, pois muitas dessas decisões e acções foram posteriores ao período sob consideração pelo comité Nobel. A menos que simplesmente incutir esperança, qual Prozac, tenha mais peso que acções concretas. Será que as outras 200 nomeações eram assim tão fraquinhas?
quinta-feira, outubro 01, 2009
O futuro é a juventude
Oscar David Montesinos, um menino de 10 anos, impressionou o público quando a 24 de Agosto, no espectáculo "Concierto Voces contra el Golpe", que reuniu milhares de pessoas em Tegucigalpa, capital das Honduras, Oscar fez um discurso de resistência ao golpe que derrubou, a 28 de Junho de 2009, o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, colocando no seu lugar Roberto Micheletti:
«Mais duro contra os golpistas!»
«Passo firme em direcção ao socialismo!»
«Micheletti, saia daí. Saia!»
Há quem vendo este vídeo sejam incapaz de acreditar que uma criança tão nova possa, de forma tão articulada e apaixonada, ter ideia do que diz. O seu cinismo leva-lhe à conclusão que esta criança não difere das que aparecem a actuar no Chuva de Estrelas, ou outro programas que exploram as crianças. Mas a realidade política e evolução social afectam profundamente uma criança, podendo acelerar rapidamente a sua consciência política, o seu sentimento de justiça, a sua maturidade atingida não pela via do ensino da escola, mas pela escola da vida. As crianças sem infância de Soeiro Pereira Gomes ou Jorge Amado não são ficção. E para que se veja que não é apenas sob um clima repressivo que pode despertar a eloquência e a claridade de pensamento político, mas que este também pode emergir no decurso de um processo revolucionário que abre portas e dá condições ao pleno desenvolvimento, veja-se o seguinte vídeo da jovem Rosa de Monagas, cujo fervor revolucionário deixa o Chávez um tanto atónito.
E porque inevitavelmente, haverá os que tendo visto este último vídeo opinem que na Venezuela, Hugo Chávez é um ditador (apesar de eleito democraticamente) e suprime as liberdades, veja-se mais um vídeo demonstrando como só num programa de humor jornalístico é que há coragem para admitir as distorções de informação:
«Mais duro contra os golpistas!»
«Passo firme em direcção ao socialismo!»
«Micheletti, saia daí. Saia!»
Há quem vendo este vídeo sejam incapaz de acreditar que uma criança tão nova possa, de forma tão articulada e apaixonada, ter ideia do que diz. O seu cinismo leva-lhe à conclusão que esta criança não difere das que aparecem a actuar no Chuva de Estrelas, ou outro programas que exploram as crianças. Mas a realidade política e evolução social afectam profundamente uma criança, podendo acelerar rapidamente a sua consciência política, o seu sentimento de justiça, a sua maturidade atingida não pela via do ensino da escola, mas pela escola da vida. As crianças sem infância de Soeiro Pereira Gomes ou Jorge Amado não são ficção. E para que se veja que não é apenas sob um clima repressivo que pode despertar a eloquência e a claridade de pensamento político, mas que este também pode emergir no decurso de um processo revolucionário que abre portas e dá condições ao pleno desenvolvimento, veja-se o seguinte vídeo da jovem Rosa de Monagas, cujo fervor revolucionário deixa o Chávez um tanto atónito.
E porque inevitavelmente, haverá os que tendo visto este último vídeo opinem que na Venezuela, Hugo Chávez é um ditador (apesar de eleito democraticamente) e suprime as liberdades, veja-se mais um vídeo demonstrando como só num programa de humor jornalístico é que há coragem para admitir as distorções de informação:
quarta-feira, setembro 30, 2009
Não ao tratado de Lisboa
Entre as eleições nacionais legislativas (a 27/Set) e autárquicas (11/Out), realizam-se outra votação com consequências também para Portugal. Refiro-me ao segundo referendo ao Tratado de Lisboa, no dia 2 de Outubro, a que o povo da República da Irlanda foi forçado, pelo governo da Irlanda e pela União Europeia, desrespeitando assim o rotundo Não do primeiro referendo, e esperando que uma segunda rodada da roleta seja favorável ao Sim.Para aliciar o voto no Sim, o governo Irlandês e o Conselho da UE fizeram promessas, sem qualquer fundamento legal, sobre a sua neutralidade, a lei fiscal, o IVG e a existência de um comissário Irlandês. Não há qualquer garantia que estas promessas venham a ser cumpridas. É um desrespeito pelo voto já expresso contra o Tratado, apesar da campanha de forte pressão pelo Sim. Mas igualmente grave é o reforço do princípio de que os países membros da UE vêm em diferentes categorias. Nem todos se têm de submeter às mesmas regras, nem todos se submetem às mesmas penalizações (por exemplo, a Alemanha e França, quando não cumprem os critérios de convergência do Euro). Tudo para que se consiga aprovar, de qualquer maneira, um Tratado, infelizmente associado a Lisboa, que irá agravar as assimetrias entre países, o carácter neoliberal da UE, de liberalização de serviços e fronteiras; aprofundar o carácter federal da UE, apontando-se um presidente e um ministro da política estrangeira europeu; e intensificar o carácter militarista da UE. Por todas estas razões, e porque em Portugal não houve referendo ao Tratado, apesar das promessas e da reforma constitucional unanimemente aprovada pela AR unicamente para permitir esse referendo, devemos apoiar o Não ao Tratado na Irlanda. Uma forma de o expressar é visitando o sítio http://www.no-means-no.eu
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