quinta-feira, novembro 12, 2009

Partidos e Partidos

Caros Srs e Dr. Luciano Amaral
 
No editorial do Dr. Luciano Amaral, publicado no Metro-Lisboa de 12 de Nov. de 2009, LE implica que "não há nenhum partido político, excepto os que nunca participaram no poder (BE e PCP)" de ser acusado de corrupção e que estes dois "muito provalvelmente apenas por não terem participado no poder (e apenas por isso) ainda não foram distinguidos com a medalha da corrupção". Primeiro, quero notar que a visão de 'poder' de LA no nosso país é extremamente redutor, limitado ao executivo e presidencial. Basta lembrar que há uma componente importante que é o poder local autárquico, onde o BE e o PCP (integrado na CDU) estão presentes, exercendo poder. E basta rever o historial das duas forças para ver que no reduzido exercício de poder local do BE houve já uma acusação de corrupção, e no extenssísimo historial autárquico este é mínimo e geralmente assente sobre figuras que já se afastavam do PCP. Segundo, estes dois partidos também têm representantes na Assembleia da República, e os seus deputados exercem poder legislativo. Aí devo sublinhar que os deputados do PCP se destacam dos demais pelo facto de não auferirem qualquer benefício salarial por serem deputados, postura que reflecte a sua dedicação aos interesses dos portugueses e não ao avanço de interesses pessoais.
Grato pela atenção


André Levy

Paz, Peace, Pace, Paix, Pax, Pau, Paqja, Salaam  سلام , Shalom שלום, Huzur, ειρήνη, He Ping 和平, Kedamaian, Shanti, Mir мир, Vrede, 平和, ความสงบ

http://andrelevy.net

quarta-feira, novembro 11, 2009

Parabéns JCP!

Mural de Encontro Nacional da União de Estudantes Comunistas (UEC) e da União das Juventudes Comunistas (UJC), em 1978. No ano seguinte, as 2 organizações iram fundir-se na Juventude Comunista Portuguesa (JCP), que faz hoje 30 anos de história de luta e defesa dos jovens, dos seus ideais e aspirações, em defesa de um mundo de paz. O seu destacado papel ao nível internacional, assumindo a presidência da Federação Mundial da Juventude e dos Estudantes, é testemunho do reconhecimento do seu trabalho e dedicação pela juventude e estudantes do mundo inteiro.

Parabéns JCP!
Viva a Juventude Comunista!

segunda-feira, novembro 09, 2009

libertação dos sete activistas dos direitos humanos saharauis

No passado dia 8 de Outubro, sete activistas de direitos humanos saharauis foram detidos pela polícia marroquina, no aeroporto de Casablanca, quando regressavam de uma visita aos acampamentos de refugiados saharauis em Tinduf (Argélia). Até à data permanecem presos, sendo o seu paradeiro desconhecido. Eles são:
Ali Salem Tamek, Secretário-geral do Colectivo de Defensores Saharauis dos Direitos Humanos (CODESA);
Brahim Dahan, Presidente da Associação Saharaui de Vítimas de Graves Violações dos Direitos Humanos (ASVDH);
Rachid Sghaïr, Activista do Comité Contra a Tortura de Dajla, Rachid Sghayar;
Nassiri Hamadi, Secretário-Geral do Comité Saharaui para a Defesa dos Direitos Humanos em Smara e presidente da AMDH secção Smara Chapter;
Yehdih Terruzi, Membro da Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH), secção El Aaiún;
Saleh Loubeihi, presidente o Fórum para a Protecção da Infância Saharaui, membro da CODESA e da AMDH;
Degja Lechgar, activista e dirigente da ASVDH.

A detenção foi ordenada pelo Procurador Real do Tribunal de Apelação de Casablanca, sob a acusação de traição à pátria e de atentarem contra a soberania e integridade territorial de Marrocos ao serviço de outro país. Estas prisões constituem uma grave violação dos direitos humanos e fazem parte de uma longa política de perseguição, desaparecimento e tortura das autoridades marroquinas contra os activistas saharauis e população em geral.
Recentemente, em Março, no quadro desta política, foram igualmente detidos, entre outros, activistas como SIDI MOHAMMED DADDACH, Presidente do CODAPSO (Comité para a Autodeterminação do Sahara Ocidental); a activista SUKEINA IDRISSI, Presidente de Fórum Futuro da Mulher Saharaui e a activista de direitos humanos de Bojador SULTANA JAYA, que visitou Portugal no ano passado. Outros activistas, como HMAD HMAD, permanecem submetidos a uma apertada vigilância policial.

Lançado pelo
Conselho Português para a Paz e Cooperação
Amnistia Internacional – Portugal
Movimento Democrático de Mulheres
CGTP – IN
“Voz do Operário”

mais de 120 organização portuguesas já assinaram um apelo para a sua libertação:
Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental
Juventude Socialista
FENPROF – Federação nacional dos Professores
URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses
UMAR – União das Mulheres Alternativa e Resposta
CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal
FECTRANS – Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações
Marcha Mundial pela Paz e a Não Violência
Comissão de Paz do CPPC de Beja
Comissão de Paz do CPPC do Seixal
JOC – Juventude Operária Católica
Almada pela Paz
Colectivo Estudantes Pela Paz
Juventude Comunista Portuguesa
Obra Católica Portuguesa de Migrações
Comité de Solidariedade com a Palestina
Sindicato dos Professores da Região Centro
STIMMDVC -Sindicato dos Trabalhadores Metalurgia e Metalomecânica Distrito de Viana do Castelo
Associação Fronteiras – Associação para a Defesa dos Direitos e Liberdades Democráticas
Sindicatos dos Trabalhadores da Pesca do Norte
ASEH – Associação de Solidariedade com Euskal Herria
Associação de Amizade Portugal-Cuba
Associação de Solidariedade Académico de Leiria
Associação de Solidariedade de Leiria
Associação Cultura e Juventude – Leiria
Grupo de Escalada de Leiria
Associação Juvenil Ambiente e Património
Federação de Associações Juvenis do Distrito de Leiria
Sinorquifa, Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Norte
União dos Sindicatos do Porto/CGTP-IN
Associação Iúri Gagárin
União dos Sindicatos de Lisboa
SNTCT – Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e telecomunicações
Interjovem Lisboa
STIV – Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria Vidreira
ACED – Associação Contra a exclusão pelo Desenvolvimento
Sindicato Nacional dos Trabalhos do Sector Ferroviário
SINTTAV
Tribunal-Iraque – Audiência Portuguesa
FEDERACION DE MUJERES CUBANAS
Confederação Portuguesa dos Quadros técnicos e Científicos
CNOD – Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes
FESAHT
Partido Comunista Português
Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Norte
Associação Barca da Vida
FAR – Frente Anti-Racista
Sindicato dos Trabalhadores das Indústria de Celulose, Papel, Gráfica e Imprensa
Sindicato Dos Trabalhadores Da Indústria Metalúrgica E Metalomecânica do Distrito de Lisboa, Santarém E Castelo Branco
Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e dos Açores
Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro
SIESI – Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas
SINQUIFA – Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro, Sul e Ilhas
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul
STAL – Setúbal
URAP – Delegação de Setúbal
Associação 25 de Abril
União dos Sindicatos de Braga
SINTAB – Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal
STEFFAS – Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas
CIL
STAL – Sindicatos dos Trabalhadores da Administração Local
STML – Sindicatos dos Trabalhadores do Município de Lisboa
STAV – sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades
diversas
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de CERÂMICA, Cimentos e Similares do Sul e Regiões Autónomas
Grupo de Teatro “A Barraca”
Escola Profissional Almirante Reis
Academia de Estudos Laicos e Republicanos
Associação contra a Exclusão pelo Desenvolvimento – ACED
Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto – CPCCRD
CPQTC – Confederação Portuguesa dos Quadros Técnicos e Científicos
Revista Latitudes – Paris
SPZS – Sindicato dos Professores da Zona Sul
Partido Ecologista "Os Verdes”
Sindicato Nacional dos Psicólogos – SNP
Associação Portuguesa para a Prevenção da Tortura – APPT
Teatro de Pesquisa e Arte "MANDRÁGORA"
SINTAF – Sindicato dos Trabalhadores das Actividades Financeiras
Ecolojovem «Os Verdes»
União de Sindicatos de Setúbal – CGTP-IN
A União dos Sindicatos de Coimbra /CGTP-IN
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul
Junta de Freguesia de Santo Estêvão
Plataforma Internacional de Juristas por Timor
CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral
ICE – Instituto das Comunidades Educativas
Médicos do Mundo
Engenho & Obra, Associação para o Desenvolvimento e Cooperação
Junta de Freguesia da Quinta do Anjo
Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino – AEPGA
Associação Move-A-Mente
Casa do Alentejo
Núcleo em Portugal do Partido dos Trabalhadores (Brasil)
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro
Federação Nacional da Função Pública
Associação de Acção de Reformados do Barreiro
Comissão Moradores – Bairro 3 – Alto do Seixalinho, Barreiro
Grupo Desportivo "O Independente" – Santo André – Barreiro
SINQUIFA – Delegação Regional de Setúbal
SIRB – "Os Penicheiros" (Barreiro)
Comissão Sindical dos Trabalhadores da Autarquia do Barreiro (STAL)
Direcção Regional do Barreiro dos Trabalhadores do Sector Ferroviário
Grupo Desportivo Cultural "Estrela Negra" – Barreiro
Futebol Clube Silveirense – Barreiro
Liga dos Amigos dos Hospitais
Cooperativa Cultural Alentejana
Clube Estefânia
ADDHU – Associação de Defesa dos Direitos Humanos
ACEP – Associação para a Cooperação Entre os Povos
Agua Triangular – Ambiente, Desenvolvimento e Território
Mó de Vida – Cooperativa de Comércio Justo
INCOMUNIDADE
Associação “Pais para Sempre”
Associação Seres
ISU – Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária
Universidade Popular do Porto
Associação Cidadãos do Mundo
Fundação Gonçalo da Silveira

domingo, novembro 08, 2009

Abu Rayan Biruni

Felizmente já vem sendo cada vez mais reconhecido que os livros de história ocidentais (gerais e mais específicos, como os livros da história da ciência) são profundamente eurocêntricos. Basta pensar que nós Portugueses ainda nos louvamos como grandes descobridores mundiais por termos aberto os caminhos marítimos para a Índia (a partir da Europa), apesar de estas rotas serem posteriores a um comércio marítimo intenso entre a África Ocidental, a Índia e a China. Embora reconhecido em meios académicos, é ainda largamente ignorado o papel das civilizações avançadas da África do Norte e Médio Oriente não só no desenvolvimento da Ciência e Filosofia como na preservação de muitos dos textos clássicos da cultura Europeia, como os textos dos filósofos da Grécia antiga e o Novo Testamento. Esta ligação assume por vezes contornos surpreendentes. O Ayatollah Komeinei, o grande líder espiritual da revolução Iraniana era, academicamente, um profundo e reconhecido estudioso de Aristóteles. O nosso eurocentrismo colonialista continua ainda muito presente na ignorância generalizada da história de África e das suas populações antes do período colonial. Enquanto que a história das grandes civilizações da América do Sul e Central (e.g., os Incas, Maias, Azetecas) já se implantaram no nosso conhecimento (ainda que por vezes superficialmente), temos ainda um grande desconhecimento das civilizações e etnias Africanas, apesar dos trabalhos desenvolvidos durante a segunda metade do século XX, sobretudo por Africanos ligados aos Movimentos de Libertação Nacional, que vieram estudar para a Europa, e que estudaram a história pré-colonial africana. A nossa ignorância, e mesmo desinteresse por essa história, vez com que esse continente fosse divido pelas potências europeias de fora totalmente desligada da realidade cultural no terreno. Semelhante ignorância existe relativamente ainda em relação a outras regiões. Basta pensar nas dificuldades enfrentadas pelas tropas estadunidenses ocupantes do Iraque, pela sua incompreensão da existência de duas correntes islâmicas, os xiitas e sunitas. Ou os problemas enfrentados pelas agências de inteligência por não se terem dado conta atempadamente da necessidade de ter quadros letrados em Farsi, pensando eles que no Médio Orientes, todos falavam Árabe.

Tudo isto a propósito de algum reconhecimento também da minha própria ignorância. Enquanto cientista, sou familiar com os grandes pensadores e cientistas europeus, desde os gregos (Platão, Aristóteles, Arquimedes) até cientistas como Copérnico, Galileu, Newton. Mas que nomes de pensadores e cientistas de outras regiões conheço? Cruzei há meses com o nome de Abu Rayan Biruni, um persa residindo no que é agora a região ocupada do Afeganistão, e que viveu entre 973 e 1048.

Vejam só a abrangência e alcance do seu conhecimento e trabalho, tocando em áreas que na cultura ocidental surgiram só muitos séculos depois. Foi físico, antropólogo e sociólogo comparativo, astrónomo, um crítico da alquimia e astrologia, um historiador, um geógrafo e geólogo, um matemático, um farmacêutico e psicólogo, um teólogo e filósofo Islâmico. Estudou a cultura da Índia, sendo o fundador da Indologia. Foi um dos primeiros cientistas a reflectir sobre o método científico e por introduzir o método experimental na mecânica, mineralogia e psicologia.

Ao longo da sua vida publicou 146 obras, incluindo 25 livros sobre astronomia, 4 sobre astrolábios, 23 sobre astrologia, 5 sobre cronologia, 2 na medição do tempo, 9 sobre geografia, 10 sobre mapeamento, 15 sobre matemática, incluindo aritmética (8), geometria (5) e trigonometria (2), 2 livros sobre mecânica, 2 sobre medicina e farmacologia, 1 sobre meteorologia, 2 sobre mineralogia e joias, 4 sobre história, 2 sobre a Índia, 3 sobre religião e filosofia, 2 livros sobre magia, e 16 obras literárias. Apenas 22 obras sobreviveram, e só 13 estão publicadas.

Não será pois de surpreender que Georges Sarton, o pai da moderna história da ciência, descreva Birun como "um dos grandes cientistas do Islão, e um dos maiores de todos os tempos", ou que Abdelhamid Sabra o aponte como "uma das grandes mentes científicas da história".

É sem dúvida um nome que convém conhecer e reconhecer. Mas que me compele (e penso nos deve compelir a todos) a aprender a história (universal ou da ciência) também através dos olhos de historiadores de outras regiões. Creio que isso não só nos traz uma maior apreciação dessas culturas e do alcance universal das populações humanas, como nos compele, enquanto europeus, a uma postura de maior humildade face a outras civilizações.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Até Sempre Grilo

Faleceu hoje o camarada Carlos Grilo, com 64 anos, vítima de cancro. Membro do Secretariado e do Executivo da DORL, e membro do Comité Central entre 1983 e 2008, o "Grilo", como era conhecido, foi um combatente de longa data. Todos os que tiveram o prazer de trabalhar com ele, ainda que por pouco tempo, iremos recordá-lo pela sua dedicação, militância, capacidade de trabalho e direcção, firmeza e clareza de princípios, e de enorme generosidade. Carlos Grilo é um dos Imprescindíveis que habita o nosso colectivo. Como recorda Rui Namorado Rosa: "testemunhei o seu papel importantíssimo na reanimação do Sector Intelectual da ORL, nos finais da década de 90 e anos subsequentes."

Oportuno será também recordar os versos da canção:
de pé, de pé, ó companheiro
de pé, e punho levantado
o que morreu é o primeiro
a estar de pé ao nosso lado.

O Grilo continuará ao nosso lado, nas muitas luta que temos por diante.

Na página da DORL podemos ler uma curta biografia:

Participou activamente na luta antifascista, nomeadamente nas campanhas da Oposição Democrática de 1969 e 1973 através da CDE (Comissão Democrática Eleitoral). Como empregado bancário, integrou o grupo de activistas sindicais que, em 1968, dinamizou o processo de eleições para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, que viria a culminar com a eleição da primeira Direcção representativa dos trabalhadores. Dinamizou e participou activamente em reuniões de associados e integrou Grupos de Trabalho da Contratação e da Informação do Sindicato.

Em 1973, no local de trabalho foi eleito delegado sindical e, em 1974, eleito para a Comissão Sindical na sua empresa.

Aderiu ao Partido Comunista Português no processo da Revolução de Abril, em Maio de 1974 , integrando a célula do Partido no Banco Totta&Açores. Em 1975 foi chamado ao Organismo de Direcção do Sector dos Bancários.

Carlos Grilo era Funcionário do Partido desde 1977. Foi membro do Comité Local de Lisboa. Desde 1984 integrava a Direcção da Organização Regional de Lisboa e, durante vários anos, os respectivos organismos executivos. Entre outras tarefas, assumiu, com grande dedicação e empenhamento, a responsabilidade pelas organizações dos Sectores dos Seguros, Bancários, Transportes, pelo Sector Sindical e pelo Sector Intelectual, ao qual se mantinha ligado no âmbito das suas tarefas no Secretariado da DORL