quinta-feira, novembro 26, 2009
terça-feira, novembro 24, 2009
150 anos da «Origem das Espécies»
Faz hoje 150 ano que saiu nas livrarias Inglesas a primeira edição «Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural, ou a Preservação das Faças Favorecidas na Luta pela Vida» (no original: «On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life») de Charles Darwin. As 1250 cópias da 1ª edição (apenas 1170 nas livrarias) esgotaram rapidamente, e uma segunda edição de 3 mil exemplares foi impressa em Janeiro de 1860.Embora escrito para o público não especializado (não se pode dizer que seja tenha sido para o público em já que a maioria da população inglesa na época mal sabia ler), talvez nenhum livro científico anterior tenha tido tanto e tão imediato impacto na sociedade. Os comentários terão propagado também por pessoas que não terão lido o livro, levando a várias distorções. Mas o peso dos argumentos a favor da evolução expostos neste volume terão feito da ideia de evolução um tema de discussão incontornável.
Curiosamente, o mecanismo de selecção natural, proposto por Darwin como mecanismo natural capaz de explicar a origem das adaptações das espécies, não foi objecto de tão grande discussão, nem bem recebido inclusivamente por defensores de Darwin. O seu mais feroz defensor público, Thomas Henry Huxley, alcunhado de "buldogue de Darwin", não perfilhava do mecanismo de selecção natural.
Contudo, passados 150 anos não há dúvida que a Evolução das espécies é um facto e que um dos mecanismos responsável pela evolução, e o único capaz de dar uma explicação material e natural para a origem de adaptações biológicas, é a selecção natural.
É certo que Darwin só publicou a «Origem» após ter recebido uma carta de Alfred Russel Wallace, expondo a ideia de evolução por selecção natural. (Curiosamente, ambos tiveram, independentemente, como fonte de inspiração para o mecanismo de selecção natural a leitura da obra de Malthus sobre o crescimento demográfico humano.) Mas ninguém pode negar, e o próprio Wallace o reconheceu, que Darwin não só teve precedência no desenvolvimento da ideia, como durante os largos anos em que andou a cozinhá-la, acumulou uma variedade e grandeza de factos e argumentos muito superior ao de Wallace. Em 1858, cartas de Wallace e Darwin foram lidas conjuntamente numa sessão da Sociedade Linneana, sem grande impacto social. Foi com a publicação da «Origem» que verdadeiramente se fundou a Biologia Evolutiva como área integradora de toda a biologia. Esta noção é muitas vezes encapsulada na citação de um artigo, de 1973) de um evolucionista do século XX, Theodosius Dobzhansky: "nada faz sentido em biologia excepto à luz da evolução". Mas é extraordinário que, já em 1949, numa carta escrita da prisão para a sua família, enquanto estava na solitária, e após ter lido a «Origem», Álvaro Cunhal tenha usado a mesma metáfora, escrevendo “só é possível o estudo da biologia iluminado pela ideia de evolução”.
domingo, novembro 15, 2009
A Jangado do Medusa
Num post anterior, sobre a minha opinião sobre qual a postura de um revolucionário face ás perspectivas de alcançar os objectivos de ruptura, transformação, revolução. Sendo indiscutível que a luta é o caminho, debati-me sobre se deveríamos encarar esse objectivo como algo alcançável durante nosso tempo de vida ou se apenas nas gerações seguintes. Claro que esta perspectiva dependerá da idade da pessoa, mas defendi que deveríamos encarar a possibilidade de alcançar esse objectivo durante o tempo que estamos nesta terra. Porque a história demonstra que é possível, e porque as condições actuais exigem que essa transformação ocorra o mais cedo possível. Entendendo que essa postura pode conduzir à desilusão quando após uma determinada luta não alcança os seus objectivos (seja um batalha eleitoral, seja uma luta sindical), penso ser mais motivador ter a perspectiva de mudança a médio (?) prazo, sob risco de se achar que a luta não vale a pena, que os progressos são demasiado lentos, as forças oponentes demasiado fortes. Mas o meu objectivo não era agora dar continuidade a essa reflexão. Depois de ter escrito aquele texto, recordei-me da imagem de cabeçalho deste blog:
Trata-se da «Jangada do "Medusa"» (1819) de Théodore Géricault (1791-1824). Refere-se a um episódio real de um barco da frota francesa que naufragou em 1816 na costa de África. O barco transportava 400 pessoas, incluindo o futuro governador Francês do Senegal, e 160 membro da tripulação. À semelhança do Titanic, os barcos de socorro foram ocupados pelos membros das classes privilegiadas, e os restantes 149 membros da tripulação montaram uma jangada com restos do navio. A jangada eventualmente perdeu-se do "comboio" dos barcos de socorro. Seguiram-se duas semanas de tempestade, assassinato, demência e canibalismo. Apenas 15 tripulantes da jangada sobreviveram e cinco morreram pouco depois do seu salvamento. O incidente gerou algum escândalo e o capitão do "Medusa", De Chaumereys, foi alvo de tribunal militar, mas posteriormente ilibado pelo governo Francês por este temer ser ridicularizado pelos Ingleses por terem nomeado como capitão um homem que nunca comandar um navio e não havia estado no mar há 25 anos. (fonte; quadro no Louvre).
O meu blog primogénito é um blog em inglês, criado enquanto estava no EUA, chamado "All the World's a Stage, Act for Change" / "Todo o Mundo é um Palco, Age pela Mudança", cujo título combinava o meu interesse pelo teatro, citando Shakespeare, e o activismo político. Infelizmente não tenho conseguido actualizar muito esse blog. Mas antes de regressar a Portugal, decidi criar um blog em português, tendo optado pelo nome «Jangada de Pedra», claramente uma referência ao livro de José Saramago, muito embora considere ser um dos seus romances mais fracos e não conceber a Jangada como a Península Ibérica, mas apenas como Portugal. O quadro do Géricault, que sempre me impressionara, surgiu como ilustração, pois ali estão homens lutando pela vida, pelas necessidades mais básicas, acenando para um navio à distância, só visível ampliando a imagem (vejam detalhe da parte direita). Claro que a analogia não é perfeita. Os sobreviventes não viveram numa comunidade ideal nas condições austeras da jangada; e a esperança dos sobreviventes jaz no exterior, quase uma presença milagrosa, divina. Mas para mim simboliza esta ideia de que a esperança nunca deve morrer, que o salvamento (ou a solução, ruptura, revolução) pode estar longe, mas está à vista, longe, potencialmente inalcançável, mas é algo real, quase tangível, e que no caso concreto veio de facto a salvar os náufragos.
Trata-se da «Jangada do "Medusa"» (1819) de Théodore Géricault (1791-1824). Refere-se a um episódio real de um barco da frota francesa que naufragou em 1816 na costa de África. O barco transportava 400 pessoas, incluindo o futuro governador Francês do Senegal, e 160 membro da tripulação. À semelhança do Titanic, os barcos de socorro foram ocupados pelos membros das classes privilegiadas, e os restantes 149 membros da tripulação montaram uma jangada com restos do navio. A jangada eventualmente perdeu-se do "comboio" dos barcos de socorro. Seguiram-se duas semanas de tempestade, assassinato, demência e canibalismo. Apenas 15 tripulantes da jangada sobreviveram e cinco morreram pouco depois do seu salvamento. O incidente gerou algum escândalo e o capitão do "Medusa", De Chaumereys, foi alvo de tribunal militar, mas posteriormente ilibado pelo governo Francês por este temer ser ridicularizado pelos Ingleses por terem nomeado como capitão um homem que nunca comandar um navio e não havia estado no mar há 25 anos. (fonte; quadro no Louvre).O meu blog primogénito é um blog em inglês, criado enquanto estava no EUA, chamado "All the World's a Stage, Act for Change" / "Todo o Mundo é um Palco, Age pela Mudança", cujo título combinava o meu interesse pelo teatro, citando Shakespeare, e o activismo político. Infelizmente não tenho conseguido actualizar muito esse blog. Mas antes de regressar a Portugal, decidi criar um blog em português, tendo optado pelo nome «Jangada de Pedra», claramente uma referência ao livro de José Saramago, muito embora considere ser um dos seus romances mais fracos e não conceber a Jangada como a Península Ibérica, mas apenas como Portugal. O quadro do Géricault, que sempre me impressionara, surgiu como ilustração, pois ali estão homens lutando pela vida, pelas necessidades mais básicas, acenando para um navio à distância, só visível ampliando a imagem (vejam detalhe da parte direita). Claro que a analogia não é perfeita. Os sobreviventes não viveram numa comunidade ideal nas condições austeras da jangada; e a esperança dos sobreviventes jaz no exterior, quase uma presença milagrosa, divina. Mas para mim simboliza esta ideia de que a esperança nunca deve morrer, que o salvamento (ou a solução, ruptura, revolução) pode estar longe, mas está à vista, longe, potencialmente inalcançável, mas é algo real, quase tangível, e que no caso concreto veio de facto a salvar os náufragos.
sábado, novembro 14, 2009
SPGL & CPQTC
Desde o 25 de Abril que a direita e a social-democracia tem combatido o conceito de unidade sindical, através de ataques à CGTP-IN e os seus sindicatos membros e através da criação de novos sindicatos e da UGT. Naturalmente que em democracia todos têm direito a formar as suas próprias estruturas sindicais, com as quais se identifiquem. Mas a história tem provado que estes sindicatos e a UGT têm sistematicamente alinhado com as posições dos sucessivos governos de direita, permitindo às associações patronais e os servidores no governo alegarem que em sede de concertação social terem o apoio de sindicatos de trabalhadores, apesar das denúncias e discordância da principal e mais representativa confederação sindical em Portugal: a CGTP-IN. Isto é, em vez de defenderem os interesses dos trabalhadores, que pretensamente representam, têm servido de falsa marca de aprovação para a implementação de políticas lesivas aos direitos dos trabalhadores e para dividir os trabalhadores.{Achei engraçado que buscando o sítio da UGT, usando Google no Firefox, tenha recebido um aviso que este sítio podia danificar o meu computador ;) }
O objectivo de unidade sindical não pretende esmagar as diferenças de posições ou, como alguns alegam, ter sindicatos livres da influência do PCP. É óbvio que existem membros e pessoas próximas do PCP na CGTP-IN e seus filiados. É frente de trabalho dos militantes do PCP defenderem os direitos dos trabalhadores. Pelas suas posições e sua postura, actividade, intervenção, verticalidade e inamovível defesa dos interesses dos trabalhadores, os comunistas destacam-se entre os trabalhadores e tendem, naturalmente são eleitos para comissões de trabalhadores, como delegados sindicais, e para as direcções sindicais. Mas tal como em qualquer estrutura unitária onde militantes comunistas participem há sempre a preocupação de integrar elementos que não são militantes e não partilhem o projecto do PCP. É porém condição sine qua non que estas listas tenham um carácter reivindicativo, interveniente, de diálogo mas não de conivência com a classe exploradora e seus representantes políticos.Vem isto a propósito porque, enquanto membro do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), recebi ontem convocatória para a Assembleia Geral de 10 de Dezembro, que tem como ordem de trabalhos:
1. Revisão dos Estatutos
2. Decisão de permanência ou não do SPGL na Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos.
Junto com a convocatória recebi dois boletins de votos, ficando a saber que existem 4 propostas para revisão dos Estatutos, cujo conteúdo não constava no envelope. Após protesto de alguns membros, as propostas foram colocadas no sítio do SPGL (A, B, C, e D). Mas não é sobre esta votação que me quero debruçar.
Sobre a permanência do SPGL na CPQTC, usando a função pesquisa no sítio, não encontrei qualquer informação ou posição. Segundo o ponto II da metodologia, aprovada na Assembleia Geral de Delegados Sindicais de 15 de Outubro de 2009, para esta votação:
Ora, tendo recebido o aviso ontem, 13 de Novembro, como poderia eu fazer chegar até 30 de Outubro uma posição? Cabe-me esperar que seja informado sobre um debate de uma delegação do SPGL onde possa exprimir a minha opinião e discutir? Com que base se vai travar essa discussão? É que não há sequer a informação mínima: porque é esta questão sequer levantada?Apresentação e Debate das Propostas1. Compete à Direcção do SPGL a divulgação das posições existentes sobre esta matéria, as quais deverão ser entregues na sede do Sindicato até ao dia 30 de Outubro, através do Escola Informação e/ou do site do SPGL.
2. A Direcção do SPGL deverá propiciar nas estruturas sindicais as condições que possibilitem o mais amplo debate em torno das diversas posições existentes, nomeadamente organizando debates nas delegações do SPGL a partir de 19 de Novembro.
Um amigo da CPQTC informa-me que o SPGL já havia informado a intenção de sair da CPQTC alegando que os professores não são "quadros". Uma visita rápida a um dicionário indica que o termo "quadro" pode querer dizer
8. Lista dos membros de uma corporação.
9. Grupo de empregados de um corpo.
14. Alto funcionário, técnico categorizado ou em nível de direcção numa empresa; dirigente, gerente.
Ora, basta ver os afiliados que compõem a CPQTC para ser evidente que estes não se restringem à definição #14. Consultando o Artigo 6 º do Cap. III, "Noção de Quadro e sua filiação na Confederação", dos Estatutos da CPQTC lê-se:
Consideram-se "Quadros", as pessoas titulares de formação superior ou com actividade e/ou funções a ela equiparadas, exercendo a profissão nas áreas de produção, investigação, administração, cultura, saúde e ciências sociais.Parece-me óbvio que, segundo esta definição, os professores são Quadros. A razão da votação tem portanto de ser mais que mera semântica. Qual a vantagem de sair da CPQTC? Não ter que pagar a quota de membro? Não ter que participar nas discussões junto com os outros membros? Não se revê nas posições da CPQTC?
Só posso suspeitar que a motivação tem uma raiz política, que nos remete para as questões levantadas acima. A CPQTC pretende ser um espaço de trabalho sindical unitário, que será contrário ao espírito da actual direcção do SPGL. A CPQTC tem entre os seus afiliados os tais sindicatos unitários, intervenientes, combativos, com ligação aos trabalhadores. Se essa é a motivação, então são os proponentes da saída do SPGL da CPQTC que deviam ser removidos. Só vejo vantagem no SPGL se manter como membro CPQTC, assim como membro da CGTP-IN, enquanto espaços de discussão, coordenação e fortalecimento da luta dos trabalhadores.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Partidos e Partidos
Caros Srs e Dr. Luciano Amaral
No editorial do Dr. Luciano Amaral, publicado no Metro-Lisboa de 12 de Nov. de 2009, LE implica que "não há nenhum partido político, excepto os que nunca participaram no poder (BE e PCP)" de ser acusado de corrupção e que estes dois "muito provalvelmente apenas por não terem participado no poder (e apenas por isso) ainda não foram distinguidos com a medalha da corrupção". Primeiro, quero notar que a visão de 'poder' de LA no nosso país é extremamente redutor, limitado ao executivo e presidencial. Basta lembrar que há uma componente importante que é o poder local autárquico, onde o BE e o PCP (integrado na CDU) estão presentes, exercendo poder. E basta rever o historial das duas forças para ver que no reduzido exercício de poder local do BE houve já uma acusação de corrupção, e no extenssísimo historial autárquico este é mínimo e geralmente assente sobre figuras que já se afastavam do PCP. Segundo, estes dois partidos também têm representantes na Assembleia da República, e os seus deputados exercem poder legislativo. Aí devo sublinhar que os deputados do PCP se destacam dos demais pelo facto de não auferirem qualquer benefício salarial por serem deputados, postura que reflecte a sua dedicação aos interesses dos portugueses e não ao avanço de interesses pessoais.
Grato pela atenção
André Levy
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