segunda-feira, maio 31, 2010

Mais um crime de Terrorismo de Estado Israelita

As forças militares Israelita, contra as mais básicas leis internacionais, atacaram um barco que transportava toneladas de bens de primeira necessidade em ajuda humanitária para o povo Palestino na Faixa de Gaza. O ataque causou à data 15 mortos e impediu a entrega dos mantimentos aos Palestinos que enfrentam uma crise humanitária devido ao estrangulamento Israelita.
Como justifica Israel este ataque? Com base no bloqueio económico por si mesmo imposto desde 2007, e que não tem qualquer sustento legal, por exemplo ao nível das Nações Unidas (contrariamente às resoluções do Conselho de Segurança sobre a constituição de um Estado Palestino).
Havia algum perigo imediato? Quando primeiro ouvi a notícia ainda pensei que Israel justifica-se a sua acção com base em inteligência que indicasse a presença de armamento, sei lá, para o Hamas. [Actualização a 5 de Junho: segundo Israel tripulantes do Mavi Marmara pertenciam ao grupo Turco "Fundação pelos Direitos Humanos, Liberdade e Ajuda Humanitária" (IHH), que consta da lista Israelita de organizações terroristas por alegadas ligações ao Hamas]. Esse teria sido um argumento que, embora não justificando o ataque, teria feito sentido dentro da lógica de defesa Israelita. Mas não. Não encontro nenhuma justificação nesse sentido, nenhuma dúvida Israelita sobre o conteúdo e missão do navio. Apenas recurso ao bloqueio ilegal para justificar uma acção imoral: o ataque a ajuda humanitária. Uma fonte noticiosa(*) informa que (sublinhado meu):
«As autoridades israelitas já lamentaram o número de mortos, mas dizem que os seus militares foram provocados pelas tripulações dos navios que, de acordo com o ministro do Comércio e da Indústria, empunhavam machados e facas. Informação desmentida pelo porta-voz das organizações que integravam os navios.»
Mesmo que tal fosse verdade, esta justificação dá uma vontade de rir no meio da desgraça. Face ao acenar de facas por parte de uns tripulantes num navio, manda-se bombas que matam e destroem: eis a noção Israelita de "resposta proporcional". Mais uma prova que os governos belicistas de Israel e as suas forças armadas perderam o tino, e assumem o Terrorismo de Estado como prática corrente.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação, esta a apelar a signatários de uma posição conjunta a entregar à Embaixada de Israel, na próxima Quarta-feira, dia 2 de Junho, pelas 18h00 (R. António Enes 16, transversal à Av. 5 de Outubro)

sábado, maio 29, 2010

Grande Manifestação

Dezenas de milhares de trabalhadores dos sectores privado e público, reformados, desempregados, bolseiros, estudantes marcharam hoje pela Avenida da Liberdade até à Praça dos Restauradores. Pois é. Os nomes das ruas são significativos. Precisamos de outra Restauração, para reconquistar a nossa soberania.
Há muito que não participava numa manifestação tão compacta e tão animada, na qual o sentimento de resistência e luta era tão palpável, mas também o sentimento de confiança.
Eu desfilei juntos com bolseiros de investigação, na qual me incluo. Pois tendo os bolseiros lutado durante anos para serem reconhecidos como trabalhadores, só faltava depois virem essa reivindicação consagrada para serem trabalhadores sem direitos.
A acompanhar-me, como sempre nestas lides, estava o meu cão, o Djoka (="fiel" em polaco), o ManifestaCão. Estava tão cheia a coluna de gente, que desta vez ele pregou-me um susto e desapareceu. Santa Isabel Branco, como te estou agradecido, por o teres seguido e apanhado. (Mais fotos do ManifestaCão)

sexta-feira, maio 28, 2010

É hora

O momento não é para nos resignarmos, ficarmos calados, e baixarmos os braços.
O momento não para nos limitarmos às queixas no café ou na fila das Finanças.
O momento não é cairmos na esparrela das alegadas "inevitabilidades".
O momento não é para deixarmos o Governo pensar e decidir por nós, segundo os seus interesses e de quem os representa.
O momento não é para abdicar da soberania nacional, e deixar a Europa ditar a nossa política nacional, que não serve os interesses nacionais, mas os da Alemanha e que tais.
O momento não é para Velhos do Restelo, nem observar os céus à espera de uma resposta.
O momento não é esquecermos a crise e ir ao Rock in Rio ou esperar o Mundial.

Também –
Não é altura de desespero, de dar o futuro por perdido, de deixar de acreditar no nosso país.
Não é altura de perder confiança na nossa capacidade, no nosso potencial, na nossa riqueza humana e social.
Não é altura de nos fechar em copas, a sete chaves, ou como uma ostra.

É hora, sim, de dizer Basta! aos ataques contra os nossos direitos.
É hora de todos os afectados pelas políticas monopolistas, nacionais e internacionais, se unirem.
É hora de chamar, em alta voz, as coisas pelas seus nomes: estão a roubar-nos o nosso salário e o nosso futuro.
É hora de dizer Não! às privatizações previstas e ao hipotecar do nosso património económico.
É hora de de dizer a verdade: que a nossa economia interna precisa do aumentos salariais, não congelamentos e decréscimo de investimento público.
É hora de exigir e implementar as propostas alternativas para um Portugal ao serviço dos Portugueses, do seu desenvolvimento económico, social e cultural.

O momento é chave. O momento é de luta, resistência e exigência.
Luta travada com confiança, determinação, convicção e dedicação.

Todos aqueles atingidos pelas políticas de direita, que têm vindo a escamotear as "portas que Abril abriu", devem sair amanhã à rua, na Manifestação Nacional convocada pela CGTP, no Marquês de Pombal, às 15h, em Lisboa.

quarta-feira, maio 26, 2010

100+1 intelectuais contra o PEC

Mais de cem intelectuais de todo o país, das mais variadas profissões, assinaram uma posição sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que não deve ser confundido com o PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento), embora ambos serviam os mesmos interesses. Este último, o PEC-UE, provem da Comissão Europeia. O PEC-PT foi avançado pelo Governo Sócrates, numa aparente tentativa (inconsequente) de melhorar a "credibilidade" de Portugal nas ranking das agências de crédito. Na verdade, trata-se de um conjunto de medidas que pretendem implementar medidas que a direita Portuguesa há muito deseja e que agora, sob o pretexto da crise e da subida do défice público, pensa ter condições para realizar: mais privatizações, mais desinvestimento público, mais ataques aos direitos laborais, congelamentos ou reduções salariais. Um Programa que resultará num empobrecimento das condições de vida e trabalho da maioria da população portuguesa. Os intelectuais juntam-se assim aos restantes trabalhadores e a população em geral, reclamando outra política. (Leiam o texto na integra e a lista dos primeiros subscritores neste blog.)
Amanhã, 5a feira, alguns signatários irão apresentar a sua posição frente à Assembleia da República, às 17h30. Os subscritores não ficarão pelas palavras, prevendo-se um conjunto de acções de esclarecimento num futuro próximo.

Podes juntar o teu aos restantes subscritores na petição pública.

sábado, maio 22, 2010

Mais perguntas justas

Quem tenha andado mais distraído das notícias nas últimas semanas, facilmente perde o fim à meada da origem e momento em que foram anunciadas uma panóplia de ataques aos salários e pensões, ao 13º mês, de anúncios de privatizações, de subidas de impostos. Primeiro houve o Pacto de Crescimento e Estabilidade, acordado ao nível da União Europeia. Depois o Programa de Crescimento e Estabilidade, acordado durante um tango entre Sócrates e Passos Coelho. Este Programa por sinal tem o mesmo acrónimo que o anterior Pacto (Coincidência? A verdade é que confunde quando só se usam os acrónimos.). Chamemos ao primeiro PEC-UE e ao segundo PEC-PT. Como o PEC-PT não bastava, Sócrates, de novo dando as mãos com Passos Coelho, anuncia o Programa de Austeridade (podia-se abreviar para PDA). Aos acrónimos juntam-se inúmeras medidas avulsas, incluindo a publicação de há dias da diminuição das comparticipações nos medicamentos e o despacho afectando os nossos impostos que deveriam passar pela Assembleia da República, como foi levantado hoje na discussão da moção de censura.

Neste debate, Sócrates disse uma coisa de jeito: como é que o PSD [e os CDS-PP] – alvos da moção de censura, os três mosqueteiros dos interesses económicos e da política de direita – se abstiveram? De resto, Sócrates foi incapaz de justificar como é capaz de tão rapidamente e repetidamente contrariar-se. Diz que apresentar agora uma moção de censura é irresponsável. Assume que a sua apresentação só pode ter como finalidade o derrube do governo. Mas não. Uma moção de censura tem como objectivo político censurar a actuação do Governo, sempre que este mereça ser censurado. Se daí advém o derrube do Governo dependerá da AR e do autismo e ortodoxia do Governo.

Atingimos agora o máximo histórico de desemprego oficial (10,6%). Temos crescimento quase zero do PIB, sem perspectivas de recuperação (sobretudo se as medidas previstas pela direita forem implementadas, pois ficamos com o aparelho produtivo ainda mais delapidado). Temos um défice público quase nos dois dígitos! Isto então deve levantar as sobrancelhas dos que apesar da má governação Sócrates em maioria, voltaram a votar nele. Então ele tinha conseguido, à custa do sacrifício dos trabalhadores, das "reformas" dos sectores públicos, do encerramento de escolas, maternidades e centros de urgência, da reforma dos Laboratórios de Estado, etc. reduzir a despesa do Estado. Tudo para cumprir os sacrossantos critérios de convergência. Como é que agora subiu tão drasticamente?