terça-feira, março 05, 2013
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
O papel dos Partidos na democracia
Os dois Partidos que tem gozado da maioria dos votos em eleições em Portugal durante os últimos 30 e tal anos de Democracia, o PS e PSD, têm através das políticas que implementaram (e implementam) deteriorado a democracia nas suas várias facetas, começando pela económica, social (reportou-se hoje que um quarto das crianças portuguesas vive na pobreza!), cultural e também política. Esta última tem sido atacada por algumas das medidas tomadas, mas também pela forma como os seus membros se têm conduzido (o incumprimento de promessas, a mentira, a corrupção, o nepotismo, a caciquismo, o servilismo aos poderes estrangeiros e o grande capital, etc.) e como os partidos funcionam. Fruto das suas políticas e deste comportamento, a maioria dos eleitores (como quem diz pessoas que tem vindo a votar ou PS ou PSD; mas também outros que vão bebendo da mesma fonte) encheu o saco, e conclui generalizando que os partidos são todos iguais e são todos como o PS e o PSD.
Esta desacreditação destes Partidos e dos seus políticos compreende-se. Mas não creio ser justo que se generalize e se veja nesta conclusão matéria para descartar o papel que os Partidos podem ter na nossa Democracia. Não estou com isto sequer a referir-me à minha convicção de que há Partidos e políticos sobre os quais as críticas generalistas não se aplicam. Estou antes preocupado com algumas ilações resultantes deste descontentamento.
Já escrevi sobre o "apartidarismo ortodoxo", o achar-se que só coisas que não cheiram a influência dos Partidos é que são legítimas, pois basta que qualquer um deles (ou alguns em particular) participem na organização de um evento para o desqualificar. Veicula-se também a opinião de que não se podendo votar num dos Partidos (geralmente opinião de quem acha que já não pode votar PS ou PSD, e nem considera outros Partidos, porque esses não valem a pena, não chegam lá, ou outras desculpas), então devem surgir candidaturas de independentes, pois esses sim podem trazer a mudança. Como se o mal estivesse na concepção do Partido, no seu papel, e não em partidos particulares e em membros desses partidos em particular.
Li há dias uma opinião destas num editorial do Metro, relativamente às eleições para a Câmara Municipal de Lisboa (demonstrando aliás desconhecimento sobre o funcionamento destas eleições, onde não se vota para presidente, mas em listas, pelo que teria que ser uma lista de independentes). Pergunto a quem vê uma solução nos "independentes", quem imagina que eles serão? Ou basta serem independentes de partidos para serem honestos, eficazes, e incorruptíveis? Que capacidade têm os eleitores para os escrutinar o espectro das suas políticas? Que capacidade tem qualquer pessoa singular e independente para apresentar propostas e programa com a abrangência que o cargo implica para que este possa ser escrutinado? Os candidatos de um Partido estão vinculados a um programa elaborado colectivamente. Têm de prestar contas não só aos eleitores, mas também aos membros do seu Partido. Se um partido eleito nas eleições legislativas não satisfizer o eleitorado, não é preciso novas legislativas para o punir, pode levar logo uma coça nas eleições autárquicas. E quem financia a campanha dos independentes? É que a independência face aos Partidos parece-me minúscula face à importância de independência da influência, particularmente através do financiamento, dos grandes interesses económicos. É certo que o PS e PSD têm sido eficientes máquinas de comércio de influência e de promoção social. Mas não têm dúvidas sobre este tipo de dependência ou comprometimento económico dos chamados independentes?
Hoje no Público foi publicado um artigo de opinião de João Nogueira Santos e Carlos Macedo e Cunha provocatoriamente intitulado «Mais de 99% dos portugueses nunca votaram nas eleições para escolha dos candidatos a primeiro-ministro (dire[c]tas do PS ou PSD)». O texto entre parêntesis faz falta, porque contem a proposta dos autores. Depois de (com alguma justiça) atacarem as máquinas do PS e PSD, concluem que ou os eleitores da esfera destes partidos militam nos Partidos para enquanto militantes os influenciarem (solução que obviamente descartam) ou tem de haver eleições directas para os cabeças de lista propostos por estes partidos, à semelhança do que decorreu em França, Itália ou acrescente-se é prática nos EUA.
Se o PS ou PSD assim o entenderem estou bem nas tintas. Mas não admito é que venha alguém de fora da estrutura de uma organização ditar como esta se deve organizar, eleger os seus lideres ou decidir sobre os seus candidatos. Para isso já bastou a ingerência da Lei dos Partidos Políticos.
As conclusões parecendo apontar para uma solução muito democrática e participativa, na verdade demonstra um grande cepticismo sobre a capacidade de intervenção dos cidadãos, que só podem quebrar a "tirania" dos partidos através desse acto nobre, mas fácil, de votar. E porque supõem que em tal esquema iriam surgir candidatos a candidato a candidato a primeiro-ministro (porque o Partido do candidato escolhido nas primárias teria que receber a maioria para a Assembleia da República, e depois ser nomeado para o Governo) que não viessem das facções fortes desses partidos?
Mas a solução bífida dos autores é demasiado maniqueísta. Porque existe já implementada uma alternativa, várias vezes praticada. Que grupos de cidadãos insatisfeitos com o PS e PSD forem as suas próprias listas ou partidos. E que se organizem como muito bem entenderem.
Esta desacreditação destes Partidos e dos seus políticos compreende-se. Mas não creio ser justo que se generalize e se veja nesta conclusão matéria para descartar o papel que os Partidos podem ter na nossa Democracia. Não estou com isto sequer a referir-me à minha convicção de que há Partidos e políticos sobre os quais as críticas generalistas não se aplicam. Estou antes preocupado com algumas ilações resultantes deste descontentamento.
Já escrevi sobre o "apartidarismo ortodoxo", o achar-se que só coisas que não cheiram a influência dos Partidos é que são legítimas, pois basta que qualquer um deles (ou alguns em particular) participem na organização de um evento para o desqualificar. Veicula-se também a opinião de que não se podendo votar num dos Partidos (geralmente opinião de quem acha que já não pode votar PS ou PSD, e nem considera outros Partidos, porque esses não valem a pena, não chegam lá, ou outras desculpas), então devem surgir candidaturas de independentes, pois esses sim podem trazer a mudança. Como se o mal estivesse na concepção do Partido, no seu papel, e não em partidos particulares e em membros desses partidos em particular.
Li há dias uma opinião destas num editorial do Metro, relativamente às eleições para a Câmara Municipal de Lisboa (demonstrando aliás desconhecimento sobre o funcionamento destas eleições, onde não se vota para presidente, mas em listas, pelo que teria que ser uma lista de independentes). Pergunto a quem vê uma solução nos "independentes", quem imagina que eles serão? Ou basta serem independentes de partidos para serem honestos, eficazes, e incorruptíveis? Que capacidade têm os eleitores para os escrutinar o espectro das suas políticas? Que capacidade tem qualquer pessoa singular e independente para apresentar propostas e programa com a abrangência que o cargo implica para que este possa ser escrutinado? Os candidatos de um Partido estão vinculados a um programa elaborado colectivamente. Têm de prestar contas não só aos eleitores, mas também aos membros do seu Partido. Se um partido eleito nas eleições legislativas não satisfizer o eleitorado, não é preciso novas legislativas para o punir, pode levar logo uma coça nas eleições autárquicas. E quem financia a campanha dos independentes? É que a independência face aos Partidos parece-me minúscula face à importância de independência da influência, particularmente através do financiamento, dos grandes interesses económicos. É certo que o PS e PSD têm sido eficientes máquinas de comércio de influência e de promoção social. Mas não têm dúvidas sobre este tipo de dependência ou comprometimento económico dos chamados independentes?
Hoje no Público foi publicado um artigo de opinião de João Nogueira Santos e Carlos Macedo e Cunha provocatoriamente intitulado «Mais de 99% dos portugueses nunca votaram nas eleições para escolha dos candidatos a primeiro-ministro (dire[c]tas do PS ou PSD)». O texto entre parêntesis faz falta, porque contem a proposta dos autores. Depois de (com alguma justiça) atacarem as máquinas do PS e PSD, concluem que ou os eleitores da esfera destes partidos militam nos Partidos para enquanto militantes os influenciarem (solução que obviamente descartam) ou tem de haver eleições directas para os cabeças de lista propostos por estes partidos, à semelhança do que decorreu em França, Itália ou acrescente-se é prática nos EUA.
Se o PS ou PSD assim o entenderem estou bem nas tintas. Mas não admito é que venha alguém de fora da estrutura de uma organização ditar como esta se deve organizar, eleger os seus lideres ou decidir sobre os seus candidatos. Para isso já bastou a ingerência da Lei dos Partidos Políticos.
As conclusões parecendo apontar para uma solução muito democrática e participativa, na verdade demonstra um grande cepticismo sobre a capacidade de intervenção dos cidadãos, que só podem quebrar a "tirania" dos partidos através desse acto nobre, mas fácil, de votar. E porque supõem que em tal esquema iriam surgir candidatos a candidato a candidato a primeiro-ministro (porque o Partido do candidato escolhido nas primárias teria que receber a maioria para a Assembleia da República, e depois ser nomeado para o Governo) que não viessem das facções fortes desses partidos?
Mas a solução bífida dos autores é demasiado maniqueísta. Porque existe já implementada uma alternativa, várias vezes praticada. Que grupos de cidadãos insatisfeitos com o PS e PSD forem as suas próprias listas ou partidos. E que se organizem como muito bem entenderem.

domingo, janeiro 27, 2013
Apartidarismo ortodoxo
"Os políticos/partidos são todos iguais". É frase comum hoje em dia. Face ao comportamento dos 3 partidos (PS, PSD e CDS) que detiveram o governo nos últimos trinta e tal anos de democracia e que consistentemente combateram as conquistas de Abril, hipotecaram a economia e soberania nacional, e conduziram uma contra-revolução impondo políticas de direita, é uma reacção, que como um reflexo admito compreensível. Mas um escárnio que após ponderação, consideração do efectivo leque partidário Português e sobretudo reflexão sobre o que significa ser "político" é desmontável, na minha opinião insustentável, e um afronta aos muitos que fazem política como cidadãos.
É uma frase e uma atitude que tem efeitos perversos, pois promove o desânimo, a desmobilização e a desunião, e que serve de arma contra organizações sociais que têm combatido as políticas atrás referidas e os partidos por elas responsáveis. Há quem defenda o apartidarismo integrado numa visão pós-moderna do movimento social, horizontal (ideia que não me importa agora aqui debater.)
Muita embora este efeito ideologicamente desmobilizador, tal é a sua prevalência e tal o descrédito da troika partidária nacional que nos últimos anos algumas iniciativas tendo dado destaque, nas suas convocatórias, ao facto de serem 'apartidárias' têm logrado mobilizações notáveis. Não obstante, tal emblema, usado como motivo de honra, como se fosse um elemento identificador e esclarecedor dos seus princípios, não deixa de ser revelador de uma grande ingenuidade política. Parecendo poder servir como congregador de pessoas insatisfeitas com a "classe política", exclui as muitas pessoas que sendo militantes de outros partidos ou organizações sociais (que por sectarismo são misturadas num mesmo bolo) são as que de forma organizada têm resistido a dita contra-revolução, lutado por uma alternativa, bem identificada nos programas das suas organizações e discutida entre os seus membros.
Creio ser sinal de evolução positiva que, por exemplo, a plataforma "Que se lixe a Troika" tenha na sua mais recente convocatória para uma manifestação no dia 2 de Março apelado «A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido (...) todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós.»
Mas eis que hoje vejo com espanto um evento no Facebook que apela a uma nova revolução de Abril e convoca dois eventos, em Lisboa e no Porto, à margem dos eventos anualmente organizados pela Comissão Promotora das Comemorações do 25 de Abril (CPC25A). Evento no qual o grupo se proclama como APARTIDÁRIO [sic, assim mesmo, com as maiúsculas].
Qualquer grupo é livre de convocar celebrações do 25 de Abril. Não é isso que está em causa. O que me choca é a convocatória implicitamente considerar que as iniciativas organizadas pela CPC25A são 'partidárias', e como tal presumivelmente "contaminadas" e não-inclusivas. Iniciativas que ao longo dos anos têm sempre ido além do mero assinalar da efeméride, actualizando os valores dessa revolução ao momento político e social corrente, tornando-as efectivamente numa manifestação.
Como se a CPC25A não fosse uma plataforma aberta. Um busca rápida na internet deu-me acesso ao apelo à participação do CPC25A de 2009, subscrito por:
Associação 25 de Abril • Associação Fronteiras • Associação Intervenção Democrática (ID) • Associação Juízes pela Cidadania • Associação Os Pioneiros de Portugal • Associação Portuguesa de Deficientes • Associação Projecto Ruído • Attac • Bloco de Esquerda (BE) • Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL) • Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) • Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD) • Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) • Ecolojovem “Os Verdes” • Frente Antiracista (FAR) • Inter Jovem-CGTP • Jovens do Bloco • Juventude Comunista Portuguesa (JCP) • Juventude Socialista (JS)• Movimento Democrático de Mulheres (MDM) • Movimento de Renovação Comunista (MRC) • Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) • Movimento dos Utentes de Serviços Públicos (MUSP) • Partido Comunista Português (PCP) • Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) • Partido Socialista (PS) • União Geral dos Trabalhadores (UGT) • UGT Jovem • União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) • Diversos independentes (depois ali listadas)
Ora admito que haja gente que não se reveja em nenhuma destas organizações, que não se identifique com quaisquer das individualidades, que não se identifique de todo com a forma das iniciativas realizadas, que não ache suficientemente simbólico que em Lisboa se marche na Av. da Liberdade e ache que se devia ir até à Assembleia da República, até que tenha desdém por todas essas organizações e pessoas, incluindo as muitas outras pessoas anónimas que não pertencendo a nenhuma das organizações promotoras se revêem e participam livremente nas iniciativas. Mas que face à abrangência, diversidade, e inclusividade da Comissão Promotora e sobretudo das milhares de pessoas que participam nas iniciativas, que haja quem se sinta intitulado a insinuar que são iniciativas "partidárias" em contraste com a sua iniciativa "APARTIDÁRIA" é uma afronta política e intelectual, que reforça o carácter divisionista de quem propõe iniciativas com este farrapo de bandeira.
segunda-feira, janeiro 21, 2013
Contexto do Mali
Em Março de 1991 uma revolução popular liderada por Amadou Toumani Touré (ATT) derrubou o regime ditatorial de Moussa Traoré. Seguiu-se um processo de transição militar-civil que produziu uma nova constituição e realizou eleições multi-partidárias, em 1992, nas quais o Dr Alpha Oumar Konaré foi eleito presidente. Passados dez anos, após ter-se retirado do serviço militar como General, ATT foi eleito presidente com apoio de uma ampla coligação. Foi re-eleito em 2002 por um segundo (e último) mandato.
Durante este período, o Mali foi considerado como uma das democracias mais estáveis de África.
Em Janeiro de 1992, o Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA), constituído por tuaregues, lutando pela independência desta zona a norte do Mali, alcançou importantes vitórias (conseguindo controlo da região em Abril). Uma batalha em Aguel Hoc (na fronteira com o Níger) resultou na morte de 80 soldados do Mali. Os soldados responsabilizaram o Presidente Touré pela falta de armas e recursos para amparar o combate às forças separatistas do norte. A um mês antes do fim do seu mandato, a 22 de Março de 2012, um golpe de estado militar, liderado por Amadou Konar, derrubou ATT. Formou-se uma junta: "Comitê Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado" (CNRDR). A União Africana suspendeu o Mali até a reposição da ordem constitucional. A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEEAC) ameaçou intervenção, mas uma delegação da CEDEAO abandonou os planos de visitar Bamako – capital do Mali – quando dezenas de apoiantes do golpe invadiram o aeroporto na sequência de um sentimento anti-ocidental que se espalhou de que os Estados Unidos e a França estavam por trás das sanções propostas.
No início de Abril, a França pressiona o Conselho de Segurança da ONU a emitir um comunicado acerca da situação no Mali. O MLNA declara cessar-fogo conforme exigido por resolução do Conselho de Segurança da ONU. Poucos dias depois, como parte de um acordo para restituir ordem constitucional, ATT abandonou o cargo e foi para o exílio.
O MNLA teve inicialmente o apoio do grupo islamista Ansar Dine. Após a retirada das forças militares do Mali, o Ansar Dine – liderado por Iyad Ag Ghaly – procurou impor a lei Sharia na região de Azawad. Tal gerou conflitos entre o MNLA e a Ansar Dine e outros grupos islamistas com ligações ao al-Qaeda, incluindo o Movimento para a União e a Jihad na África Ocidental (MUJAO) e o Boko Haram (traduzido por "a educação ocidental é pecaminosa"). Em Julho, o MNLA havia perdido o controlo de maior parte do norte do Mali para os islamistas.
Durante este período, o Mali foi considerado como uma das democracias mais estáveis de África.
Em Janeiro de 1992, o Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA), constituído por tuaregues, lutando pela independência desta zona a norte do Mali, alcançou importantes vitórias (conseguindo controlo da região em Abril). Uma batalha em Aguel Hoc (na fronteira com o Níger) resultou na morte de 80 soldados do Mali. Os soldados responsabilizaram o Presidente Touré pela falta de armas e recursos para amparar o combate às forças separatistas do norte. A um mês antes do fim do seu mandato, a 22 de Março de 2012, um golpe de estado militar, liderado por Amadou Konar, derrubou ATT. Formou-se uma junta: "Comitê Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado" (CNRDR). A União Africana suspendeu o Mali até a reposição da ordem constitucional. A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEEAC) ameaçou intervenção, mas uma delegação da CEDEAO abandonou os planos de visitar Bamako – capital do Mali – quando dezenas de apoiantes do golpe invadiram o aeroporto na sequência de um sentimento anti-ocidental que se espalhou de que os Estados Unidos e a França estavam por trás das sanções propostas.
No início de Abril, a França pressiona o Conselho de Segurança da ONU a emitir um comunicado acerca da situação no Mali. O MLNA declara cessar-fogo conforme exigido por resolução do Conselho de Segurança da ONU. Poucos dias depois, como parte de um acordo para restituir ordem constitucional, ATT abandonou o cargo e foi para o exílio.
O MNLA teve inicialmente o apoio do grupo islamista Ansar Dine. Após a retirada das forças militares do Mali, o Ansar Dine – liderado por Iyad Ag Ghaly – procurou impor a lei Sharia na região de Azawad. Tal gerou conflitos entre o MNLA e a Ansar Dine e outros grupos islamistas com ligações ao al-Qaeda, incluindo o Movimento para a União e a Jihad na África Ocidental (MUJAO) e o Boko Haram (traduzido por "a educação ocidental é pecaminosa"). Em Julho, o MNLA havia perdido o controlo de maior parte do norte do Mali para os islamistas.
sexta-feira, janeiro 18, 2013
Heroicas Lopes Graça
Depois de buscar, não consegui encontrar um sítio que tivesse as letras de todas as CANÇÕES HEROICAS adaptadas para música por Fernando Lopes Graça. Aqui ficam.
CANÇÕES HEROICAS
ACORDAI
(José Gomes Ferreira)
Acordai,
homens
que dormis
a
embalar a dor
dos
silêncios vis!
Vinde,
no clamor
das
almas viris,
arrancar
a flor
que
dorme na raiz!
Acordai,
raios
e tufões
que
dormis no ar
e
nas multidões!
Vinde
incendiar
de
astros e canções
as
pedras e o mar,
o
mundo e os corações!
Acordai!
Acendei,
de
almas e de sois
este
mar sem cais,
nem
luz de faróis!
E
acordai,
depois
das lutas finais,
os
nossos heróis
que
dormem nos covais
Acordai
!
JORNADA
(José Gomes Ferreira)
Solo
Não
fiques para trás, ó companheiro,
é
de aço esta fúria que nos leva.
P’ra
não te perderes no nevoeiro,
segue
os nossos corações na treva.
Coro
Vozes
ao alto!
Vozes
ao alto!
Unidos
como os dedos da mão
havemos
de chegar ao fim da estrada,
ao
sol desta canção.
Solo
Aqueles
que se percam no caminho,
que
importa! chegarão no nosso brado
Porque
nenhum de nós anda sozinho,
e
até mortos vão ao nosso lado.
Coro
Vozes
ao alto!
Vozes
ao alto! etc.
MÃE POBRE
(Carlos
de Oliveira)
Terra
Pátria serás nossa,
mais
este sol que te cobre,
serás
nossa,
mãe
pobre de gente pobre.
O
vento da nossa fúria
queime
as searas roubadas;
e
na noite dos ladrões
haja
frio, morte e espadas.
Terra
Pátria serás nossa
mais
os vinhedos e os milhos,
serás
nossa,
mãe
que não esquece os filhos.
Com
morte, espadas e frio,
se
a vida te não remir,
faremos
da nossa carne
as
searas do porvir.
Terra
Pátria serás nossa,
livre
e descoberta enfim,
serás
nossa,
ou
este sangue o teu fim.
E
se a loucura da sorte
assim
nos quiser perder,
abre
os teus braços de morte
e
deixa-nos aquecer.
CONVITE
Vinde
ver a Primavera,
vós
que sois da minha terra.
Na
raiz de cada chão
nasce
um canto contra a guerra.
Vinde
ver o sol fecundo
e
abraçar a ventania.
Nas
vozes de cada fome
há
gritos de rebeldia
Vinde,
vinde!
FIRMEZA
(João
José de Mello Cochofel Aires de Campos)
Sem
frases de desânimo,
nem
complicações de alma,
que
o teu corpo agora fale,
presente
e seguro do que vale.
Pedra
em que a vida se alicerça,
argamassa
e nervo,
pega-lhe
como um senhor
e
nunca como um servo.
Não
seja o travor das lágrimas
capaz
de embargar-te a voz;
que
a boca a sorrir não mate
nos
lábios o brado de combate.
Olha
que a vida nos acena
para
além da luta.
Canta
os sonhos com que esperas,
que
o espelho da vida nos escuta.
CANTEMOS O NOVO DIA
(Luísa
Irene)
Olhai
que vamos passar,
nosso
canto é de verdade;
vinde
connosco lutar,
nós
somos a liberdade.
A
terra está toda em flor
o
céu é todo alegria.
A
nossa voz é de amor,
–
Cantemos o Novo Dia!
Ó
jovem que és cavador,
semeia,
hás-de colher.
A
papoila é nossa flor,
o
trigo é nosso querer.
Toda
a palavra é de amor,
a
hora é nossa, confia,
nosso
olhar tem mais fulgor
– Cantemos
o Novo Dia!
Há
seiva forte a brotar,
novas
folhas a nascer,
a
Primavera a chegar,
os
homens querem viver.
A
juventude é mais moça
quando
o amor principia
pois
se a vida é toda nossa
– Cantemos
o Novo Dia!
COMBATE
(Joaquim
Namorado)
Nada
poderá deter-nos
nada
poderá vencer-nos.
Vimos
do cabo do mundo
com
este passo seguro
de
quem sabe aonde vai.
Nada poderá deter-nos,
nada poderá vencer-nos!
Guerras
perdidas e ganhas
marcaram
o nosso corpo,
mas
nunca em nós foi vencida
esta
certeza sabida de saber aonde vamos.
Nada poderá deter-nos, etc.
Os
mortos não os deixamos
para
trás, abandonados,
fizemos
deles bandeiras,
guias
e mestres, soldados
do
combate que travamos.
Nada poderá deter-nos, etc.
Nada
poderá deter-nos,
pró
assalto das muralhas
nossos
corpos são escadas,
para
as batalhas da rua
nossos
peitos barricadas.
Nada poderá deter-nos, etc.
Nada
poderá vencer-nos,
vimos
do cabo do mundo
vimos
do fundo da vida:
que
somos o próprio mundo
e
somos a própria vida.
Nada poderá deter-nos, etc.
RONDA
(João
José de Mello Cochofel Aires de Campos)
Amor,
já se aproxima a hora
de
darmos as mãos e dançar.
A
ronda que começa agora,
eia agora!
é
para nela se bailar.
Mas
precisamos ir primeiro
por
uma madrugada fria,
fazer
dos anseios bandeira,
na
dor temperar a alegria.
Amor,
já se aproxima a hora
de
darmos as mãos e dançar.
Na
ronda que começa agora,
eia agora!
havemos
todos de entrar.
Se
a vida vã que nos uniu
à
morte assim nos entregasse,
seria
uma noite mais noite
que
a esta noite nos poupasse.
Amor,
já se aproxima a hora
de
darmos as mãos e dançar.
A
ronda que começa agora,
eia agora!
não
mais voltará a parar.
E
o novo dia se levanta
vadiando
da rua ao telhado.
–Amor,
estende a tua manta,
vamos
dormir sobre o passado.
LIVRE
(Manuel
Augusto Coentro Pinho Freire)
Solo
Não
há machado que corte
a
raiz ao pensamento:
Coro
não
há morte para o vento,
não
há morte.
Solo
Se
ao morrer o coração
morresse
a luz que lhe é querida,
Coro
sem
razão seria a vida, sem razão.
Solo
Nada
apaga a luz que vive
num
amor, num pensamento,
Coro
porque
é livre como o vento
porque
é livre,
CANTO DE ESPERANÇA
Solo
Dentro
de mim e de ti
algo
de novo estremece,
a
vida abre-se e ri
na
hora que se entretece.
Vultos
parados e sós,
mudez
da alma sozinha,
tomai
o corpo e a voz
da
vida que se adivinha.
Coro
Canta
mais alto, avança e canta,
lança-te
à marcha, não te afastes.
Mistura
a tua voz à voz que se levanta
das
chaminés e dos guindastes.
Solo
Rasgam-se
os céus e a terra,
a
esperança cai e refaz-se.
É
o grito duma outra guerra:
canto
do homem que nasce.
Tomam
forma consistente
as
ilusões encobertas.
Caminha,
caminha em frente
para
as novas descobertas.
Coro
Canta
mais alto, avança e canta, etc.
Solo
Molda
em teus dedos leais
um
destino à tua imagem.
Ao
ódio dos vendavais
ergue
uma viva barragem.
Da
lama do tempo inteiro
Arranca
a felicidade.
Homens
humanos do mundo!
Homens
de boa vontade!
Coro
Canta
mais alto, avança e canta, etc
CANTO DE PAZ
(Carlos
de Oliveira)
Coro
Homens
deixai abrir a alma ao que vier,
deixai
entrar a paz do tempo que ela quer.
Solo
De
par em par aberta com sol até ao fundo,
gastai
a alma toda na harmonia do mundo.
Coro
Homens
deixai abrir a alma ao que vier, etc.
Solo
Homens
que vagueais pela berma da vida,
tereis
enfim sinais da glória prometida.
Coro
Homens
deixai abrir a alma ao que vier, etc.
Solo
Na
voz do Dia Novo a dar bom dia aos astros,
Quando
a tristeza for só pó dos vossos rastros,
Coro
Homens
deixai abrir a alma ao que vier, etc.
CANTO LIVRE
(António
Augusto Soares de Passos)
Gema
embora a terra inteira
acurvada
a iníquas leis;
esta
fonte sobranceira
jamais
de rojo a vereis.
Hó!
ninguém, ninguém a esmaga
que
eu sou livre como a vaga,
que
sacode sobre a plaga
o
jugo de altos baixéis.
Liberdade
é o mote escrito
no
céu, na terra e no mar!
Di-lo
a fera no seu grito (bis)
e
as aves cruzando o ar,
Di-lo
o vento da procela,
a
vaga que se encapela
e
nos espaços a estrela (bis)
em
seu contínuo girar.
Eu
sou livre; eis minha crença,
nem
força contra ela vale.
Que
um tirano enfim me vença;
triunfarei
por seu mal.
Triunfarei,
que algemado
e
diante dele arrastado,
sou
livre! será meu brado
até
ao momento final
Liberdade
é o mote escrito etc.
CLAMOR
Ao
sol os olhos vendados,
braços
na luta cingidos;
e
ainda que algemados
– algemados
mas
nunca vencidos!
Sabemos
do sofrimento
o
que no sofrimento há;
se
a dor é desalento
– desalento
outra
fé nos dá!
Uma
esperança em cada vida,
que
ao calor do ódio arde;
luta
até mesmo abatida
– abatida
mas
nunca cobarde!
Carne
que se não corrige,
chicote
com sangue a lava;
se
só na morte transige
– transige
mas
nunca é escrava!
Ó PASTOR QUE CHORAS
(José
Gomes Ferreira)
Ó
pastor que choras;
o
teu rebanho onde está? (bis)
deita
as mágoas fora!
Carneiros
é o que mais há! (bis)
Uns
de finos modos
outros
vis por desprazer: (bis)
mas
carneiros todos
com
carne de obedecer! (bis)
Quem
te pôs na orelha
essas
cerejas pastor? (bis)
São
de cor vermelha!
Vai
pintá-las de outra cor... (bis)
Vai
pintar os frutos,
as
amoras, os rosais: (bis)
vai
pintar de luto
as
papoilas dos trigais! (bis)
CANÇÕES DE CATARINA
(Papiniano
Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues)
Solo
Na
fome verde das searas roxas
passeava
sorrindo Catarina (bis)
Coro
Ah!
Solo
Na
fome verde das searas roxas
ai
a papoila,
ai
a papoila cresce na campina! (bis)
Coro
Ah!
Solo
Na
fome roxa das searas negras
que
levas, Catarina, em tua fonte? (bis)
Solo
Na
fome roxa das searas negras
ai
devoraram,
ai
devoraram corvos o horizonte! (bis)
Coro
Ah!
Solo
Na
fome negra das searas rubras
ai
da papoila, ai de Catarina! (bis)
Coro
Ah!
Solo
Na
fome negra das searas rubras
trinta
balas,
trinta
balas gritaram na campina
Solo
Trinta
balas
trinta
balas
te
mataram a fome
Coro
Catarina
AS PAPOILAS
O
papoilas dos trigais,
em
ondas de cor... (bis)
Sangrentas
como os punhais
do
nosso suor... (bis)
Dá
vontade de arrancá-las,
pô-las
nas lapelas... (bis)
E,
depois,
E,
depois, dependurá-las
na
luz das estrelas. (bis)
O
papoilas como chagas
em
ondas de flor... (bis)
No
sangue das vossas
vagas
anda a nossa dor. (bis)
CANÇÃO DO CAMPONÊS
(Arquimedes
da Silva Santos)
Solo
Adeus
trigo, ai, adeus trigo,
depois
de ceifado, adeus:
amanho-te
e não mastigo,
ai,
nem eu, nem eu nem os meus.
Coro
O
escravo da campina
ouve
o motor do trator
Com
ele mudas a sina –
da
terra és conquistador!.
Solo
Searas
cor de sol posto,
meu
mar alto de aflição
enche-o
com suor do rosto,
ai,
em troca falta-me o pão.
Coro
0
escravo da campina etc.
Solo
Ai
campos, como os meus olhos.
Solo
Ai
campos, como os meus olhos,
rasos
de água tanta vez:
foram-se
espigas nos molhos,
ai,
vem fome para o camponês.
Coro
O
escravo da campina, etc.
QUANDO A ALEGRIA FOR DE TODOS
Quando
a alegria for de todos
como
bem que não tem dono; (bis)
quando
a alegria for de todos
e
tão naturalmente (bis)
como
o ar que respiramos
quando
a alegria for de todos –
que
bom será viver
e
respirar a plenos pulmões
o
ar saudável da alegria!
Como
será bom e belo e fecundo o
riso da Vida (bis)
nas
bocas floridas,
nas
bocas floridas de palavras de Amor!
Ah!
Quando
a alegria for de todos (bis)
todos,
todos!
NAO TE DEITES, CORAÇAO
Não
te deites, coração
à
sombra dos teus amores.
Não
durmas, olha para eles,
com
alegrias e dores.
Não
tenhas medo. O calor,
que
vem das serras ao mar,
erguendo
incêndios não queima (bis)
o
que não é de queimar.
Agradece
ao vento frio
que
traz chuva miudinha
é
neve que se aproxima,
tormenta
que se avizinha...
Nos
incêndios naturais
queima
o ramo das saudades
e
faz a tua canção (bis)
do
surgir das tempestades!
HINO DO HOMEM
(Armindo
José Rodrigues)
Solo
Homem,
se homem queres ser
e
não uma sombra triste,
olha
para tudo o que existe
com
olhos de bem o ver.
Solos
Nada,
Nada
receies saber.
Ao
que não amas, resiste.
Coro
Mesmo
vencido, persiste
E
acabarás,
E
acabarás por vencer.
Solos
Quere,
Quere
e poderás poder.
Vai
por onde decidiste.
Coro
A
liberdade consiste
No
que a razão (bis)
No
que a razão te impuser.
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