domingo, dezembro 29, 2013

Lixo em lisboa

A título de esclarecimento: a greve dos trabalhadores da recolha do lixo está integrada na greve mais geral dos trabalhadores da Câmara de Lisboa, contra o desmantelamento dos seus serviços públicos e a transferência de competências e de 1800 trabalhadores para as Juntas de Freguesias.
Em vez de guardar o lixo em casa ou colocá-lo nos contentores do António Costa, os Lisboetas que o podem deviam COLOCAR O LIXO À PORTA DO PRIMEIRO-MINISTRO E DO PRESIDENTE DA CML.
Se houvesse uma genuína preocupação com a limpeza da cidade, a câmara teria dado ouvidos ao Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, que há muito tem denunciado o desinvestimento no pessoal por parte da CML, e estima que sejam necessários mais 300 cantoneiros! Este problema não foi resolvido pela reforma administrativa da cidade, na qual o Governo e CML têm responsabilidade. A passagem deste serviço para as freguesias permite que estas recorram a empresas privadas e põe em causa os actuais postos de trabalho.Tanto o Governo como a CML têm responsabilidades. Para limpar a cidade é correr com a política de direita.

domingo, agosto 11, 2013

Cheques ensino sem cobertura

O atraso relativo de Portugal permitir-nos-ia tirar proveito da experiência de medidas políticas noutros países, se não fosse o facto dos nossos líderes políticas se gabarem de seguirem (cegamente) o livro de instruções neo-liberal. Por exemplo, a actual discussão sobre a privatização de água em Portugal poderia beneficiar da experiência no Reino Unido, que atira por terra todos os supostos benefícios de tal medida. Iniciada em 1989, sob Thatcher, levou a um aumento de preços e custos, enquanto os lucros subiram; o investimento foi reduzido; a infraestrutura não foi mantida; e a saúde pública foi ameaçada.
Esta 5a o Ministério da Educação de Nuno Crato abriu nova frente no ataque à escola pública, no âmbito da revisão do estatuto do ensino particular e cooperativo, ao reavivar os “cheques-ensino”.
O grande apologista da sua versão moderna foi um dos grandes ideólogos do neo-liberalismo, Milton Friedman. Em breve a ideia é a seguinte: o Estado gasta X por aluno no ensino público; ao dar esse X (ou parte) do erário público aos pais para que possam colocar o seu filho num colégio privado, dá-se-lhes maior liberdade para escolher a escola, e estimula-se a competição entre as escolas, levando a melhorias no ensino e na gestão escolar.
Segundo Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular (AEEP), citado pelo Público, “contratos simples de apoio às famílias” já estavam previstos desde os anos 80 (Decreto Lei 553/80). Em 2011, estes abrangiam quase 22.500 alunos, sobretudo agregados de baixo rendimento. A nova versão da lei permitiria a generalização destes contratos ou “subsídios”.
Os cheques-ensino são porém uma forma do Estado subsidiar o sector privado cujo negócio é o ensino. Um mecanismo que parte de um pressuposto incorrecto sobre a função dos nossos impostos. Parte dos impostos que os pais pagam vai para o sistema de educação público, e não directamente para a educação dos seus filhos em particular. Parte dos meus impostos também vão para esse sistema, embora não tenha filhos. E apraz-me que assim seja, pois quero viver num país sem analfabetismo, em que os jovens recebam uma boa educação, em que a força de trabalho seja qualificada. E ao subsidiar os pais com um cheque-ensino, com uma fracção dos seus descontos de IRS (pela via que seja), o custo por aluno que permanece no ensino público aumenta e/ou aumenta a quantia que as restantes pessoas têm de pagar para manter esse sistema.
Mais uma vez, Portugal pode beneficiar da experiência da aplicação deste mecanismo noutros países, para aferir as suas consequências. Usarei como referência o extenso debate sobre o tema nos EUA, por ser a realidade que conheço melhor. Todos as principais organizações ligadas à educação, incluindo o National Education Association e o American Federation of Teachers, são contra os “school vouchers” (também referidos por outros eufemismos, como bolsas). Os seus argumentos cobrem todo um espectro:
  • os cheques-ensino não oferecem efectivamente liberdade para inscrever filhos nas escolas onde se queira, pois são as escolas privadas que determinam quem nelas é aceite.
  • O ingresso numa escola privada implica custos acrescidos (e.g., transportes, uniformes, etc.) que as famílias menos privilegiadas poderão não poder comportar, não tendo assim efectivamente a suposta escolha livre. Os cheques ensino aprofundam assim diferenças sócio-económicas.
  •  Ao centrar a discussão política na “liberdade de escolha” e nos “cheques-ensino”, diverte-se da discussão mais importante sobre as escolas públicas (onde estão a maioria dos estudantes), de como ultrapassar o seu crónico sub-financiamento, e como resolver os problemas no ensino público através de medidas comprovadas, como a diminuição do tamanho das turmas.
  • nos EUA, a maioria das escolas privadas e que recebem alunos com cheques-ensino são escolas religiosas, que exercem critérios discriminativos na aceitação de alunos. Tal constituiu também mais um atentado à separação entre Estado e religião.
  • Não há qualquer evidência que as escolas privadas sejam mais eficazes a gerir o dinheiro (pelo contrário, acumulam-se casos de má gestão, uso inapropriado de fundos, e simplesmente custos por aluno superiores ao da escola pública).
  • Não há qualquer evidência que os alunos que usem cheques-ensino vejam a qualidade do seu ensino melhorado.
  • nos estados dos EUA com cheques-ensino, praticam-se dois sistemas de avaliação dos alunos, que agravam a diferenciação entre alunos do privado e público.
Assim, os cheques-ensino não têm qualquer benefício demonstrado para a qualidade do ensino público ou dos alunos que os usam para frequentarem o ensino provado e não contribuem para corrigir desigualdades sócio-económicas (pelo contrário). Refutados os benefícios sociais e educativos, resta o óbvio mecanismo de transferência de verbas para o sector privado e a elitização da educação. Juntamente com os ataques aos professores, suas carreiras e dignidade profissional para exercer a função docente, os cheques-ensino são um ataque ao sistema de ensino público e uma relevante frente de ataque ao sector público e ao Estado social.

sexta-feira, maio 31, 2013

Parede Geral

Há dias, folheando um dicionário, apreendia que parede também significa greve, e que historicamente (talvez no Brasil, não sei se também em Portugal) este último termo é mais recente. Assim, podemos referir que os trabalhadores do Metro fizeram parede, a CGTP e UGT planeiam uma parede geral para 27 de Junho, e falar dos paredistas e do piquete de parede. É daqui que vem a expressão furar a greve ou a paredeParede reflecte a força da união e a linha de demarcação de classe, detrás da qual os trabalhadores em solidariedade encontram apoio e força.

«O nosso calão académico tinha a pitoresca expressão fazer parede: isto é, combinarem-se todos os estudantes de uma cadeira para não irem à aula. A ela correspondia naturalmente a metáfora furar a parede, se um quebrava o ajuste. Ultimamente introduziu-se greve, palavra vinda das esferas industriais; mas em vez de se dizer faltar à greve, ou expressão análoga, adapta-se à greve o furar da expressão antiga, e diz-se também furar a greve, sem aquela propriedade com que se dizia furar a parede, visto que parede é um objecto material, e greve não o é neste sentido» (Lições de Filologia Portuguesa, J. Leite de Vasconcelos. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1966, 4.ª ed., p. 352). [citado aqui]

Que alternativa com PS?

Ontem, no mesmo dia em decorreu uma encontro entre as forças à esquerda do PSD, Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS, afirmou: “Temos uma alternativa e ambicionamos a maioria absoluta, uma alternativa que inclua todos os partidos da esquerda e da direita”. Afinal querem maioria absoluta do PS ou uma maioria de esquerda, ou uma maioria com quem quer que queria mas que seja o PS lider? E que alternativa é essa que admite partidos de direita? 

quinta-feira, maio 30, 2013

Do lado de quem?

Este utente do Metro agradece mais esta jornada de luta dos trabalhares do Metropolitano de Lisboa em defesa dos seus direitos laborais, e de um serviço publico de qualidade. Quero manutenção das linhas e máquinas, condutores repousados, tarifas a preços sociais. Quem luta por isso são os trabalhadores. 

quarta-feira, maio 01, 2013

Lutas em 2013

Lutas de 2013

Segue-se um apanhado das lutas realizadas nos primeiros meses de 2013 (usando como principal fonte o jornal Avante!), e que deram continuidade a uma fase de intensa combatividade dos trabalhadores e populações. Ficam por assinalar muitos protestos populares por todo o país, de maior e menor dimensão, incluindo várias "Grandoladas". É de salientar o crescente receio dos membros do governo e do Presidente da República em aparecerem publicamente, dada a presença ubíqua de manifestantes. Hoje, primeiro de Maio, dia do Trabalhador, os secretários-gerais da CGTP-IN e UGT admitem, em entrevista conjunta à Antena 1, um greve geral em breve, indicação clara de que a luta irá continuar, contra a política de austeridade, contra as imposições da Troika, pela demissão do Governo e convocação de eleições antecipadas, por uma política alternativa de emprego e desenvolvimento, por um Portugal livre e soberano.

JANEIRO
  • Vigília dos trabalhadores da Radal Frigoríficos, em Prozelo, Amares, com salários e subsídios em dívida desde Outubro,  frente às instalações da empresa. (5/Jan - )
  • Protesto contra a falta de cumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo com o Sindicato da Hotelaria do Norte, junto ao Ministério da Economia, com a participação de meia centena de trabalhadores dos bingos do Salgueiros e Olímpia. (8/Jan)
  • Concentrações contra a retirada de transporte entre a cidade e as instalações dos serviços de higiene, no Algar (7/Jan)
  • Manifestação nacional de ferroviários no activo e reformados para exigir «parem de nos roubar».(17/Jan)
  • A empresa concessionária da cantina da escola de Ermida, em Santo Tirso, decidiu em 2011 não renovar o contracto de Firmina Rocha, que ali trabalhava há 17 anos, com sucessivos contratos a termo certo, de Setembro a Julho. Após caso em tribunal, a empresa foi forçada a reconhecer que os contratos eram ilegais, que não a podia ter despedido, que o Firmina era efectiva e deveria retomar o posto de trabalho. A empresa porém voltou a trás, e a direcção da escola expulsou a trabalhadora das instalações e recusou falar com o sindicato. A trabalhadora decidiu não arredar pé da porta da escola, cumprindo ali o seu horário de trabalho, à chuva e ao frio. Retomou o serviço no dia 17. 
  • Greves parciais no Metropolitano de Lisboa (15, 22 e 29/Jan)
  • Luta dos trabalhadores da Kemet Electronics logrou adiar o despedimento colectivo, de quase metade do pessoal em Évora, e adiar a deslocalização da produção de condensadores de tântalo da Kemet 
  • Luta dos trabalhadores da Scotturb forçou os representantes da transportadora a comprometeram-se a marcar reuniões de negociação num curto espaço de tempo. O conflito laboral deveu-se à disponibilidade da administração para a negociação.
  • Concentração dos trabalhadores da Appicaps (Porto), empresa de calçado, protestando a associação patronal que protela há 15 meses a negociação do contrato colectivo e a actualização salarial, ao mesmo tempo que exibe resultados económicos no sector que são os melhores de sempre. (25/Jan)
  • Manifestação nacional de 40 mil professores contra as políticas de destruição dos serviços públicos e do Estado democrático, contra as medidas do Governo e da troika estrangeira, contra o novo ataque contido no «relatório do FMI», e em defesa da escola pública de matriz democrática e da profissão docente (26/Jan)
FEVEREIRO
  • Greve dos enfermeiros contratados do Porto e manifestação junto à sede da Administração Regional de Saúde do Norte, onde entregaram uma moção exigindo o fim do trabalho precário e a conclusão do concurso, aberto em 2010, para 566 postos de trabalho, o qual permitiria estabilizar a situação destes profissionais. Alguns enfermeiros estão há mais de 10 anos com contratos a prazo, mas a ARS não dá andamento ao concurso invocando questões meramente jurídicas. (5/Fev)
  • A luta dos trabalhadores da Transtejo levaram a administração a aceitar a integração de prémios na tabela salarial, reivindicada nos últimos anos.
  • Centenas de inquilinos manifestaram-se na Praça do Comércio, em Lisboa, para exigir ao Governo e à Assembleia da República a revogação urgente da Lei n.º 31/2012. (7/Fev)
  • Concentração de trabalhadores das cantinas, refeitórios, áreas de serviço e bares concessionados junto à sede do grupo Trivalor (Gertal/Itau), em Leça do Balio (Matosinhos), para exigir aumentos salariais e negociação do contrato colectivo, protestar contra a retirada de direitos e a precariedade nas cantinas escolares, reclamar o cumprimento do caderno de encargos. (12/fev)
  • Concentração junto ao edifício do Banco BPI, protestando contra as declarações de Fernando Ulrich, sobre a generalidade dos portugueses ter que aceitar condições de vida semelhantes às das pessoas sem-abrigo.(14/Fev)
  • Grupo canta «Grândola Vila Morena» nas galerias da Assembleia da República interrompendo discurso de Pedro Passos Coelho (15/Fev)
  • Jornada Nacional de Acção e Luta, convocada pela CGTP-IN, com milhares de trabalhadores em 14 cidades (16/Fev)
  • Relvas interrompido por «Grândola Vila Morena» num debate do Clube dos Pensadores, em Gaia (18/Fev)
  • Greve dos trabalhadores da Sinorgan Produtos Químicos, em Espinho, contra o atraso no pagamento de salários, e concentração à porta da empresa, devido aos salários em atraso e dívida dos subsídios de Natal. (21/Fev)
  • Apupos e «Grândola» de estudantes e activistas pedindo a demissão do ministro Revlas, em conferência em Lisboa, no ISCTE.
  • Grupo de manifestantes, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, interrompeu o ministro da Saúde, Paulo Macedo, cantando o "Grândola Vila Morena" e expondo casos concretos como a falta de dinheiro para comprar medicamentos ou para pagar taxas moderadoras. (20/Fev)
  • Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, recebido em S. João da Madeira, numa iniciativa da concelhia do PSD, com mais uma manifestação entoada ao som de "Grândola Vila Morena".(22/Fev)
  • Manifestantes, em Faro, entoaram a «Grândola» e gritaram «não foste eleito» e «gatuno» aos Secretários de Estado Franquelim Alves e  Sérgio Monteiro numa iniciativa organizada pelo PSD.(23/Fev)
  • 30 manifestantes cantaram mais uma vez o "Grândola, Vila Morena" ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, desta vez à saída de uma conferência, em Lisboa (28/Fev)
MARÇO


  • 2 de Março, contra a Troika, contra a política de direita, exigindo a demissão do governo. Mais de um milhão e meio de pessoas em manifestações em 40 cidades, em Portugal e no estrangeiro, incluindo Angra do Heroismo (50), Barcelona (30), Beja (1,000), Braga (7,000), Caldas da Rainha (3000), Castelo Branco (1000), Chaves (200), Coimbra (20,000), Entroncamento (300), Estocolmo (15), Guarda (500), Horta (160), Lisboa (800,000), Londres (100), Marinha Grande (3,000), Paris (100), Portimão (5,000), Porto (400,000), Santarém (500), Setúbal (7,000), Sines (120), Tomar (200), Torres Novas (250), Viana do Castelo (1,000), Vila Real (1,800)
  • Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, recebido numa escola de Mangualde, com gritos de protesto contra o Governo, ao som da canção «Grândola, Vila Morena». (4/Mar)
  • Protesto, organizado pelos trabalhadores ferroviários, de centenas de manifestantes bloquearam a circulação ferroviária no Entroncamento em defesa do passe para os trabalhadores ferroviários e para as suas famílias.
  • Greve para dia 7, na empresa Sojitz Beralt, que explora as minas da Panasqueira, e recusa de trabalho extraordinário, visando exigir a melhoria dos salários e das condições de vida e de laboração. (7/Mar)
  • Greves no sector dos transportes: CP, Refer Carris e E.P.E. (6-7/Mar)
  • Greve de cerca de 80% dos 370 trabalhadores da unidade de extração de volfrâmio na Panasqueira (7/mar)
  • Greves no sector dos transportes: Rodoviária de Lisboa, Transportes Sul do Tejo e SCOTTURB.
  • Manifestação dos trabalhadores do sector dos transportes (9/Mar)
  • Greve e concentrações de enfermeiros em Aveiro, Covilhã, Guarda, Castelo Branco, Viseu exigindo que nenhum profissional em regime de contracto individual de trabalho (CIT) receba menos do que o mínimo estipulado pelo Governo (1.201,48 euros).
  • Manifestação nacional de milhares de trabalhadores da Administração Pública incluindo trabalhadores da administração central, regional e local – professores e não docentes, enfermeiros, motoristas, operários, auxiliares, técnicos, bombeiros, profissionais das forças de segurança, funcionários judiciais, das alfândegas e finanças, da Segurança Social (15/Mar)
  • Passos Coelho recebido em Aveiro com protestos de uma centena de trabalhadores (15/Mar)
  • Manifestação de cerca de 200 pessoas frente à CM Portimão, contestando a redução no serviço de transportes públicos.(15/Mar)
  • Concentração de militares e as associações profissionais de praças (AP), sargentos (ANS) e oficiais (AOFA), junto à residência oficial do Primeiro-ministro (20/Mar)
  • Concentração de dezenas de trabalhadores do Casino Estoril, que foram vítimas de um despedimento colectivo em 2010, que abrangeu 113 pessoas. (20/Mar)
  • Semana de luta dos reformados e pensionistas, culminando em concentrações em Lisboa, Coimbra e Covilhã, a par de outras acções no Porto, em Braga, Aveiro, Beja e Évora. (20/Mar)
  • Greve na Sicália (construção) em Abrantes (21/Mar)
  • Vigílias na Sait Gobain Sekurit Portugal, em Santa Iria da Azóia, na luta contra a intenção de despedimento colectivo de 45 camaradas e o encerramento de duas linhas de produção (22, 25/Mar)
  • Caminhada dos trabalhadores das indústrias têxteis, de vestuário e calçado, em Guimarães (23/Mar)
  • Manifestação de mais de 500 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) em Lisboa, em defesa da viabilização daquela empresa pública e contra os despedimentos. (26/Mar)
  • Trabalhadores da TAP e Metropolitano de Lisboa desconvocam greves depois das administrações terem alterado favoravelmente as suas posições.
  • Conclusão da revisão do Acordo de Empresa (AE) na Caima (celulose) e na CTT, da revisão salarial na REN, com conquistas laborais, fruto da unidade e determinação dos trabalhadores e firmeza dos seus representantes sindicais.
  • Manifestação de Jovens Trabalhadores "Queremos Trabalho! Exigimos Direitos!" (27/Mar)
  • Plenário seguido de manifestação de mais de cinco centenas de trabalhadores da CM de Lisboa pelas ruas da baixa, até ao gabinete do presidente da CML, no Lg Indendente.
  • Greve dos trabalhadores dos regimes especiais de trabalho (turnos) da EDP (29, 31/Mar)
ABRIL
  • No dia do 37.º aniversário da promulgação da Lei fundamental, a CGTP-IN entregou à presidente do parlamento uma petição, com 89 052 assinaturas, «Em defesa das funções sociais do Estado consagradas na Constituição da República». (2 de Abr)
  • Nova greve dos mineiros da Panasqueira (2-3/Abril), em luta por melhores salários.
  • Mobilização geral de professores, sob a consigna «Tolerância Zero» para com o Governo e a sua política, com o objectivo de auscultar os professores sobre a situação na Educação, os objectivos prioritários e as formas de intervenção e luta mais adequadas. (9-13/Abr)
  • Greve dos trabalhadores do sector de inserção automática da Bosch Car Multimedia (Braga), em regime de laboração contínua, para defenderem os horários de trabalho e os direitos que vigoram há cerca de 20 anos na fábrica. (10/Abr)
  • «Marcha contra o empobrecimento», organizada pela CGTP, percorre o país (mais de 40 localidades) e termina frente à Assembleia da República, em Lisboa (13/Abr).
  • Manifestação de agricultores para reclamar melhores políticas agro-rurais e outro governo capaz de as definir e aplicar (17/Abr)
  • Greve às horas extraordinárias nos museus, palácios, monumentos, parques e sítios arqueológicos, e fundações públicas, no dia Internacional dos Monumentos e Sítios, para exigir negociação das reivindicações há muito apresentadas. (18/Abr)
  • Manifestação dos trabalhadores da Sait Gobain Sekurit Portugal e reformados de Loures frente à Instituição de Apoio Social de Bucelas, aquando de visita do sec. Estado da Segurança Social. (18/Abr)
  • 3 dias de Greve dos trabalhadores da SATA (23-25/Abr) porque a administração e o Governo Regional se recusam a aplicar na transportadora aérea açoriana o acordo assinado na TAP e que levou a que fossem desmarcadas as greves de 21 a 23 de Março. 
  • Greve de dois dias  no departamento técnico do Hotel Tivoli da Marina de Vilamoura, contra a retirada de subsídio de horas nocturnas (27-28/Abr)
  • Greve dos guardas prisionais contra a forma como o Ministério das Finanças tem tratado a negociação do estatuto profissional (24-30/Abr.)
  • Grande jornada de comemoração e luta por todo o país, assinalando a Revolução de Abril e defendendo as suas conquistas (25/Abr)

terça-feira, março 05, 2013

Greves no Sector dos transportes


Nos próximos dias vão registar-se várias greves no sector dos transportes (CP, REFER, Rodoviária; ver em http://hagreve.com/
Antes de começarem a refilar com as dificuldades de transportes devido à greve, procurem entender os seus motivos, pois os trabalhadores do sector não lutam apenas pelo cumprimento do seu contrato colectivo de trabalho, lutam também em defesa de todos os contractos colectivos, em defesa do sector público dos transportes e de transportes com qualidade a preços sociais, e contra a postura do Estado, que se desresponsabiliza face aos serviços públicos mas oferece milhões às empresas privadas.
Vejam a imagem anexa para entenderem para onde vai o dinheiro dos bilhetes e passes: as recentes subidas são resposta das administrações que passam o custo de pagamento de juros para os passageiros. 
Como foram incorridas estas dívidas? Por exemplo, as linhas e estações da Fertagus (empresa privada) foram construídas pela REFER (empresa pública) que contraíu uma dívida superior a 500 milhões de euros; e os seus novíssimos comboios foram pagos pela CP (empresa pública). A dívida “da Fertagus” está, assim, escondida nas contas da REFER e da CP, por dívida, ao operador privado. Ou seja, as empresas públicas, e por arrasto os seus utentes, estão a pagar indirectamente os lucros das empresas privadas. Acresce que a Fertagus recebeu cerca de 200 milhões de euros em 'indemnizações compensatórias" previstas nos contratos de Parceria Público-Privado. A Metro Sul do Tejo (consórcio privado que gere o metro de superfície de Almada) recebeu em 2012 7,4 milhões de euros, como compensação "por procura insuficiente", relativo ao primeiro trimestre. Isto é, a PPP prevê que face à falta de passageiros a MST seja compensada pelo Estado, ou dito de outra forma o Estado paga à MST para não transportar passageiros. 
Assim Estado apoia estas empresas privadas directamente e indirectamente, através das "prendas" das empresas públicas, que além de verem o investimento do Estado reduzido, "oferecem" material aos privados, incorrendo dívidas e tendo de pagar os juros agiotas. Não haviam as empresas privadas de ter uma gestão aparentemente tão mais eficaz que as empresas públicas.  (ver mais em http://www.fectrans.pt/index.php/informacao/comunicados/13-populacao/362-saiba-para-onde-vai-o-dinheiro-dos-utentes-da-cp)

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

O papel dos Partidos na democracia

Os dois Partidos que tem gozado da maioria dos votos em eleições em Portugal durante os últimos 30 e tal anos de Democracia, o PS e PSD, têm através das políticas que implementaram (e implementam) deteriorado a democracia nas suas várias facetas, começando pela económica, social (reportou-se hoje que um quarto das crianças portuguesas vive na pobreza!), cultural e também política. Esta última tem sido atacada por algumas das medidas tomadas, mas também pela forma como os seus membros se têm conduzido (o incumprimento de promessas, a mentira, a corrupção, o nepotismo, a caciquismo, o servilismo aos poderes estrangeiros e o grande capital, etc.) e como os partidos funcionam. Fruto das suas políticas e deste comportamento, a maioria dos eleitores (como quem diz pessoas que tem vindo a votar ou PS ou PSD; mas também outros que vão bebendo da mesma fonte) encheu o saco, e conclui generalizando que os partidos são todos iguais e são todos como o PS e o PSD.

Esta desacreditação destes Partidos e dos seus políticos compreende-se. Mas não creio ser justo que se generalize e se veja nesta conclusão matéria para descartar o papel que os Partidos podem ter na nossa Democracia. Não estou com isto sequer a referir-me à minha convicção de que há Partidos e políticos sobre os quais as críticas generalistas não se aplicam. Estou antes preocupado com algumas ilações resultantes deste descontentamento.

 Já escrevi sobre o "apartidarismo ortodoxo", o achar-se que só coisas que não cheiram a influência dos Partidos é que são legítimas, pois basta que qualquer um deles (ou alguns em particular) participem na organização de um evento para o desqualificar. Veicula-se também a opinião de que não se podendo votar num dos Partidos (geralmente opinião de quem acha que já não pode votar PS ou PSD, e nem considera outros Partidos, porque esses não valem a pena, não chegam lá, ou outras desculpas), então devem surgir candidaturas de independentes, pois esses sim podem trazer a mudança. Como se o mal estivesse na concepção do Partido, no seu papel, e não em partidos particulares e em membros desses partidos em particular.

Li há dias uma opinião destas num editorial do Metro, relativamente às eleições para a Câmara Municipal de Lisboa (demonstrando aliás desconhecimento sobre o funcionamento destas eleições, onde não se vota para presidente, mas em listas, pelo que teria que ser uma lista de independentes). Pergunto a quem vê uma solução nos "independentes", quem imagina que eles serão? Ou basta serem independentes de partidos para serem honestos, eficazes, e incorruptíveis? Que capacidade têm os eleitores para os escrutinar o espectro das suas políticas? Que capacidade tem qualquer pessoa singular e independente para apresentar propostas e programa com a abrangência que o cargo implica para que este possa ser escrutinado? Os candidatos de um Partido estão vinculados a um programa elaborado colectivamente. Têm de prestar contas não só aos eleitores, mas também aos membros do seu Partido. Se um partido eleito nas eleições legislativas não satisfizer o eleitorado, não é preciso novas legislativas para o punir, pode levar logo uma coça nas eleições autárquicas. E quem financia a campanha dos independentes? É que a independência face aos Partidos  parece-me minúscula face à importância de independência da influência, particularmente através do financiamento, dos grandes interesses económicos. É certo que o PS e PSD têm sido eficientes máquinas de comércio de influência e de promoção social. Mas não têm dúvidas sobre este tipo de dependência ou comprometimento económico dos chamados independentes?

Hoje no Público foi publicado um artigo de opinião de João Nogueira Santos e Carlos Macedo e Cunha provocatoriamente intitulado «Mais de 99% dos portugueses nunca votaram nas eleições para escolha dos candidatos a primeiro-ministro (dire[c]tas do PS ou PSD)». O texto entre parêntesis faz falta, porque contem a proposta dos autores. Depois de (com alguma justiça) atacarem as máquinas do PS e PSD, concluem que ou os eleitores da esfera destes partidos militam nos Partidos para enquanto militantes os influenciarem (solução que obviamente descartam) ou tem de haver eleições directas para os cabeças de lista propostos por estes partidos, à semelhança do que decorreu em França, Itália ou acrescente-se é prática nos EUA.

 Se o PS ou PSD assim o entenderem estou bem nas tintas. Mas não admito é que venha alguém de fora da estrutura de uma organização ditar como esta se deve organizar, eleger os seus lideres ou decidir sobre os seus candidatos. Para isso já bastou a ingerência da Lei dos Partidos Políticos.

As conclusões parecendo apontar para uma solução muito democrática e participativa, na verdade demonstra um grande cepticismo sobre a capacidade de intervenção dos cidadãos, que só podem quebrar a "tirania" dos partidos através desse acto nobre, mas fácil, de votar. E porque supõem que em tal esquema iriam surgir candidatos a candidato a candidato a primeiro-ministro (porque o Partido do candidato escolhido nas primárias teria que receber a maioria para a Assembleia da República, e depois ser nomeado para o Governo) que não viessem das facções fortes desses partidos?

Mas a solução bífida dos autores é demasiado maniqueísta. Porque existe já implementada uma alternativa, várias vezes praticada. Que grupos de cidadãos insatisfeitos com o PS e PSD forem as suas próprias listas ou partidos. E que se organizem como muito bem entenderem. Imagem

domingo, janeiro 27, 2013

Apartidarismo ortodoxo

"Os políticos/partidos são todos iguais". É frase comum hoje em dia. Face ao comportamento dos 3 partidos (PS, PSD e CDS) que detiveram o governo nos últimos trinta e tal anos de democracia e que consistentemente combateram as conquistas de Abril, hipotecaram a economia e soberania nacional, e conduziram uma contra-revolução impondo políticas de direita, é uma reacção, que como um reflexo admito compreensível. Mas um escárnio que após ponderação, consideração do efectivo leque partidário Português e sobretudo reflexão sobre o que significa ser "político" é desmontável, na minha opinião insustentável, e um afronta aos muitos que fazem política como cidadãos. É uma frase e uma atitude que tem efeitos perversos, pois promove o desânimo, a desmobilização e a desunião, e que serve de arma contra organizações sociais que têm combatido as políticas atrás referidas e os partidos por elas responsáveis. Há quem defenda o apartidarismo integrado numa visão pós-moderna do movimento social, horizontal (ideia que não me importa agora aqui debater.) Muita embora este efeito ideologicamente desmobilizador, tal é a sua prevalência e tal o descrédito da troika partidária nacional que nos últimos anos algumas iniciativas tendo dado destaque, nas suas convocatórias, ao facto de serem 'apartidárias' têm logrado mobilizações notáveis. Não obstante, tal emblema, usado como motivo de honra, como se fosse um elemento identificador e esclarecedor dos seus princípios, não deixa de ser revelador de uma grande ingenuidade política. Parecendo poder servir como congregador de pessoas insatisfeitas com a "classe política", exclui as muitas pessoas que sendo militantes de outros partidos ou organizações sociais (que por sectarismo são misturadas num mesmo bolo) são as que de forma organizada têm resistido a dita contra-revolução, lutado por uma alternativa, bem identificada nos programas das suas organizações e discutida entre os seus membros. Creio ser sinal de evolução positiva que, por exemplo, a plataforma "Que se lixe a Troika" tenha na sua mais recente convocatória para uma manifestação no dia 2 de Março apelado «A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido (...) todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós.» Mas eis que hoje vejo com espanto um evento no Facebook que apela a uma nova revolução de Abril e convoca dois eventos, em Lisboa e no Porto, à margem dos eventos anualmente organizados pela Comissão Promotora das Comemorações do 25 de Abril (CPC25A). Evento no qual o grupo se proclama como APARTIDÁRIO [sic, assim mesmo, com as maiúsculas]. Qualquer grupo é livre de convocar celebrações do 25 de Abril. Não é isso que está em causa. O que me choca é a convocatória implicitamente considerar que as iniciativas organizadas pela CPC25A são 'partidárias', e como tal presumivelmente "contaminadas" e não-inclusivas. Iniciativas que ao longo dos anos têm sempre ido além do mero assinalar da efeméride, actualizando os valores dessa revolução ao momento político e social corrente, tornando-as efectivamente numa manifestação. Como se a CPC25A não fosse uma plataforma aberta. Um busca rápida na internet deu-me acesso ao apelo à participação do CPC25A de 2009, subscrito por: Associação 25 de Abril • Associação Fronteiras • Associação Intervenção Democrática (ID) • Associação Juízes pela Cidadania • Associação Os Pioneiros de Portugal • Associação Portuguesa de Deficientes • Associação Projecto Ruído • Attac • Bloco de Esquerda (BE) • Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL) • Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN) • Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD) • Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) • Ecolojovem “Os Verdes” • Frente Antiracista (FAR) • Inter Jovem-CGTP • Jovens do Bloco • Juventude Comunista Portuguesa (JCP) • Juventude Socialista (JS)• Movimento Democrático de Mulheres (MDM) • Movimento de Renovação Comunista (MRC) • Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) • Movimento dos Utentes de Serviços Públicos (MUSP) • Partido Comunista Português (PCP) • Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) • Partido Socialista (PS) • União Geral dos Trabalhadores (UGT) • UGT Jovem • União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) • Diversos independentes (depois ali listadas) Ora admito que haja gente que não se reveja em nenhuma destas organizações, que não se identifique com quaisquer das individualidades, que não se identifique de todo com a forma das iniciativas realizadas, que não ache suficientemente simbólico que em Lisboa se marche na Av. da Liberdade e ache que se devia ir até à Assembleia da República, até que tenha desdém por todas essas organizações e pessoas, incluindo as muitas outras pessoas anónimas que não pertencendo a nenhuma das organizações promotoras se revêem e participam livremente nas iniciativas. Mas que face à abrangência, diversidade, e inclusividade da Comissão Promotora e sobretudo das milhares de pessoas que participam nas iniciativas, que haja quem se sinta intitulado a insinuar que são iniciativas "partidárias" em contraste com a sua iniciativa "APARTIDÁRIA" é uma afronta política e intelectual, que reforça o carácter divisionista de quem propõe iniciativas com este farrapo de bandeira.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Contexto do Mali

Em Março de 1991 uma revolução popular liderada por Amadou Toumani Touré (ATT) derrubou o regime ditatorial de Moussa Traoré. Seguiu-se um processo de transição militar-civil que produziu uma nova constituição e realizou eleições multi-partidárias, em 1992, nas quais o Dr Alpha Oumar Konaré foi eleito presidente. Passados dez anos, após ter-se retirado do serviço militar como General, ATT foi eleito presidente com apoio de uma ampla coligação. Foi re-eleito em 2002 por um segundo (e último) mandato.
Durante este período, o Mali foi considerado como uma das democracias mais estáveis de África.

Em Janeiro de 1992, o Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA), constituído por tuaregues, lutando pela independência desta zona a norte do Mali, alcançou importantes vitórias (conseguindo controlo da região em Abril). Uma batalha em Aguel Hoc (na fronteira com o Níger) resultou na morte de 80 soldados do Mali. Os soldados responsabilizaram o Presidente Touré pela falta de armas e recursos para amparar o combate às forças separatistas do norte. A um mês antes do fim do seu mandato, a 22 de Março de 2012, um golpe de estado militar, liderado por Amadou Konar, derrubou ATT. Formou-se uma junta: "Comitê Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado" (CNRDR). A União Africana suspendeu o Mali até a reposição da ordem constitucional. A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEEAC) ameaçou intervenção, mas uma delegação da CEDEAO abandonou os planos de visitar Bamako – capital do Mali – quando dezenas de apoiantes do golpe invadiram o aeroporto na sequência de um sentimento anti-ocidental que se espalhou de que os Estados Unidos e a França estavam por trás das sanções propostas.

No início de Abril, a França pressiona o Conselho de Segurança da ONU a emitir um comunicado acerca da situação no Mali. O MLNA declara cessar-fogo conforme exigido por resolução do Conselho de Segurança da ONU. Poucos dias depois, como parte de um acordo para restituir ordem constitucional, ATT abandonou o cargo e foi para o exílio.

O MNLA teve inicialmente o apoio do grupo islamista Ansar Dine. Após a retirada das forças militares do Mali, o Ansar Dine – liderado por  Iyad Ag Ghaly – procurou impor a lei Sharia na região de Azawad. Tal gerou conflitos entre o MNLA e a Ansar Dine e outros grupos islamistas com ligações ao al-Qaeda, incluindo o Movimento para a União e a Jihad na África Ocidental (MUJAO) e o Boko Haram (traduzido por "a educação ocidental é pecaminosa"). Em Julho, o MNLA havia perdido o controlo de maior parte do norte do Mali para os islamistas.




sexta-feira, janeiro 18, 2013

Heroicas Lopes Graça

Depois de buscar, não consegui encontrar um sítio que tivesse as letras de todas as CANÇÕES HEROICAS adaptadas para música por Fernando Lopes Graça. Aqui ficam.


CANÇÕES HEROICAS


ACORDAI
(José Gomes Ferreira)

Acordai,
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
das almas viris,
arrancar a flor
que dorme na raiz!

Acordai,
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões!
Vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar,
o mundo e os corações!

Acordai!
Acendei,
de almas e de sois
este mar sem cais,
nem luz de faróis!
E acordai,
depois das lutas finais,
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai !

JORNADA
(José Gomes Ferreira)

Solo

Não fiques para trás, ó companheiro,
é de aço esta fúria que nos leva.
P’ra não te perderes no nevoeiro,
segue os nossos corações na treva.

Coro

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.

Solo

Aqueles que se percam no caminho,
que importa! chegarão no nosso brado
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão ao nosso lado.

Coro

Vozes ao alto!
Vozes ao alto! etc.


MÃE POBRE
(Carlos de Oliveira)

Terra Pátria serás nossa,
mais este sol que te cobre,
serás nossa,
mãe pobre de gente pobre.

O vento da nossa fúria
queime as searas roubadas;
e na noite dos ladrões
haja frio, morte e espadas.

Terra Pátria serás nossa
mais os vinhedos e os milhos,
serás nossa,
mãe que não esquece os filhos.

Com morte, espadas e frio,
se a vida te não remir,
faremos da nossa carne
as searas do porvir.

Terra Pátria serás nossa,
livre e descoberta enfim,
serás nossa,
ou este sangue o teu fim.

E se a loucura da sorte
assim nos quiser perder,
abre os teus braços de morte
e deixa-nos aquecer.

CONVITE

Vinde ver a Primavera,
vós que sois da minha terra.
Na raiz de cada chão
nasce um canto contra a guerra.

Vinde ver o sol fecundo
e abraçar a ventania.
Nas vozes de cada fome
há gritos de rebeldia
Vinde, vinde!

FIRMEZA
(João José de Mello Cochofel Aires de Campos)

Sem frases de desânimo,
nem complicações de alma,
que o teu corpo agora fale,
presente e seguro do que vale.

Pedra em que a vida se alicerça,
argamassa e nervo,
pega-lhe como um senhor
e nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
capaz de embargar-te a voz;
que a boca a sorrir não mate
nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
que o espelho da vida nos escuta.

CANTEMOS O NOVO DIA
(Luísa Irene)

Olhai que vamos passar,
nosso canto é de verdade;
vinde connosco lutar,
nós somos a liberdade.

A terra está toda em flor
o céu é todo alegria.
A nossa voz é de amor,
– Cantemos o Novo Dia!

Ó jovem que és cavador,
semeia, hás-de colher.
A papoila é nossa flor,
o trigo é nosso querer.

Toda a palavra é de amor,
a hora é nossa, confia,
nosso olhar tem mais fulgor
– Cantemos o Novo Dia!

Há seiva forte a brotar,
novas folhas a nascer,
a Primavera a chegar,
os homens querem viver.

A juventude é mais moça
quando o amor principia
pois se a vida é toda nossa
– Cantemos o Novo Dia!

COMBATE
(Joaquim Namorado)

Nada poderá deter-nos
nada poderá vencer-nos.
Vimos do cabo do mundo
com este passo seguro
de quem sabe aonde vai.

Nada poderá deter-nos,
nada poderá vencer-nos!

Guerras perdidas e ganhas
marcaram o nosso corpo,
mas nunca em nós foi vencida
esta certeza sabida de saber aonde vamos.

Nada poderá deter-nos, etc.

Os mortos não os deixamos
para trás, abandonados,
fizemos deles bandeiras,
guias e mestres, soldados
do combate que travamos.

Nada poderá deter-nos, etc.

Nada poderá deter-nos,
pró assalto das muralhas
nossos corpos são escadas,
para as batalhas da rua
nossos peitos barricadas.

Nada poderá deter-nos, etc.

Nada poderá vencer-nos,
vimos do cabo do mundo
vimos do fundo da vida:
que somos o próprio mundo
e somos a própria vida.

Nada poderá deter-nos, etc.

RONDA
(João José de Mello Cochofel Aires de Campos)

Amor, já se aproxima a hora
de darmos as mãos e dançar.
A ronda que começa agora,
eia agora!
é para nela se bailar.

Mas precisamos ir primeiro
por uma madrugada fria,
fazer dos anseios bandeira,
na dor temperar a alegria.

Amor, já se aproxima a hora
de darmos as mãos e dançar.
Na ronda que começa agora,
eia agora!
havemos todos de entrar.

Se a vida vã que nos uniu
à morte assim nos entregasse,
seria uma noite mais noite
que a esta noite nos poupasse.

Amor, já se aproxima a hora
de darmos as mãos e dançar.
A ronda que começa agora,
 eia agora!
não mais voltará a parar.

E o novo dia se levanta
vadiando da rua ao telhado.
–Amor, estende a tua manta,
vamos dormir sobre o passado.

LIVRE
(Manuel Augusto Coentro Pinho Freire)

Solo
Não há machado que corte
a raiz ao pensamento:

Coro

não há morte para o vento,
não há morte.

Solo

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida,

Coro

sem razão seria a vida, sem razão.

Solo

Nada apaga a luz que vive
num amor, num pensamento,

Coro

porque é livre como o vento
porque é livre,

CANTO DE ESPERANÇA

Solo
Dentro de mim e de ti
algo de novo estremece,
a vida abre-se e ri
na hora que se entretece.
Vultos parados e sós,
mudez da alma sozinha,
tomai o corpo e a voz
da vida que se adivinha.

Coro

Canta mais alto, avança e canta,
lança-te à marcha, não te afastes.
Mistura a tua voz à voz que se levanta
das chaminés e dos guindastes.

Solo

Rasgam-se os céus e a terra,
a esperança cai e refaz-se.
É o grito duma outra guerra:
canto do homem que nasce.

Tomam forma consistente
as ilusões encobertas.
Caminha, caminha em frente
para as novas descobertas.

Coro

Canta mais alto, avança e canta, etc.

Solo

Molda em teus dedos leais
um destino à tua imagem.
Ao ódio dos vendavais
ergue uma viva barragem.

Da lama do tempo inteiro
Arranca a felicidade.
Homens humanos do mundo!
Homens de boa vontade!


Coro

Canta mais alto, avança e canta,  etc


CANTO DE PAZ
(Carlos de Oliveira)

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier,
deixai entrar a paz do tempo que ela quer.

Solo

De par em par aberta com sol até ao fundo,
gastai a alma toda na harmonia do mundo.

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier, etc.

Solo

Homens que vagueais pela berma da vida,
tereis enfim sinais da glória prometida.

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier, etc.

Solo

Na voz do Dia Novo a dar bom dia aos astros,
Quando a tristeza for só pó dos vossos rastros,

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier, etc.


CANTO LIVRE
(António Augusto Soares de Passos)

Gema embora a terra inteira
acurvada a iníquas leis;
esta fonte sobranceira
jamais de rojo a vereis.

Hó! ninguém, ninguém a esmaga
que eu sou livre como a vaga,
que sacode sobre a plaga
o jugo de altos baixéis.

Liberdade é o mote escrito
no céu, na terra e no mar!
Di-lo a fera no seu grito (bis)
e as aves cruzando o ar,
Di-lo o vento da procela,
a vaga que se encapela
e nos espaços a estrela (bis)
em seu contínuo girar.

Eu sou livre; eis minha crença,
nem força contra ela vale.
Que um tirano enfim me vença;
triunfarei por seu mal.

Triunfarei, que algemado
e diante dele arrastado,
sou livre! será meu brado
até ao momento final

Liberdade é o mote escrito etc.

CLAMOR

Ao sol os olhos vendados,
braços na luta cingidos;
e ainda que algemados
– algemados
mas nunca vencidos!

Sabemos do sofrimento
o que no sofrimento há;
se a dor é desalento
– desalento
outra fé nos dá!

Uma esperança em cada vida,
que ao calor do ódio arde;
luta até mesmo abatida
– abatida
mas nunca cobarde!

Carne que se não corrige,
chicote com sangue a lava;
se só na morte transige
– transige
mas nunca é escrava!

Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira)

Ó pastor que choras;
o teu rebanho onde está? (bis)

deita as mágoas fora!
Carneiros é o que mais há! (bis)

Uns de finos modos
outros vis por desprazer: (bis)

mas carneiros todos
com carne de obedecer! (bis)

Quem te pôs na orelha
essas cerejas pastor? (bis)

São de cor vermelha!
Vai pintá-las de outra cor... (bis)

Vai pintar os frutos,
as amoras, os rosais: (bis)

vai pintar de luto
as papoilas dos trigais! (bis)


CANÇÕES DE CATARINA
(Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues)

Solo

Na fome verde das searas roxas
passeava sorrindo Catarina (bis)

Coro

 Ah!

Solo

Na fome verde das searas roxas
ai a papoila,
ai a papoila cresce na campina! (bis)

Coro

Ah!

Solo

Na fome roxa das searas negras
que levas, Catarina, em tua fonte? (bis)

Solo

Na fome roxa das searas negras
ai devoraram,
ai devoraram corvos o horizonte! (bis)

Coro

Ah!

Solo

Na fome negra das searas rubras
ai da papoila, ai de Catarina! (bis)

Coro

Ah!

Solo

Na fome negra das searas rubras
trinta balas,
trinta balas gritaram na campina

Solo

Trinta balas
trinta balas
te mataram a fome

Coro

Catarina


AS PAPOILAS

O papoilas dos trigais,
em ondas de cor... (bis)
Sangrentas como os punhais
do nosso suor... (bis)

Dá vontade de arrancá-las,
pô-las nas lapelas... (bis)
E, depois,
E, depois, dependurá-las
na luz das estrelas. (bis)

O papoilas como chagas
em ondas de flor... (bis)
No sangue das vossas
vagas anda a nossa dor. (bis)


CANÇÃO DO CAMPONÊS
(Arquimedes da Silva Santos)

Solo

Adeus trigo, ai, adeus trigo,
depois de ceifado, adeus:
amanho-te e não mastigo,
ai, nem eu, nem eu nem os meus.

Coro

O escravo da campina
ouve o motor do trator
Com ele mudas a sina –
da terra és conquistador!.

Solo

Searas cor de sol posto,
meu mar alto de aflição
enche-o com suor do rosto,
ai, em troca falta-me o pão.

Coro

0 escravo da campina etc.

Solo

Ai campos, como os meus olhos.

Solo

Ai campos, como os meus olhos,
rasos de água tanta vez:
foram-se espigas nos molhos,
ai, vem fome para o camponês.

Coro
O escravo da campina, etc.


QUANDO A ALEGRIA FOR DE TODOS

Quando a alegria for de todos
como bem que não tem dono; (bis)
quando a alegria for de todos
e tão naturalmente (bis)
como o ar que respiramos
quando a alegria for de todos –
que bom será viver
e respirar a plenos pulmões
o ar saudável da alegria!
Como será bom e belo e fecundo o
 riso da Vida (bis)
nas bocas floridas,
nas bocas floridas de palavras de Amor!
Ah!

Quando a alegria for de todos (bis)
todos, todos!


NAO TE DEITES, CORAÇAO

Não te deites, coração
à sombra dos teus amores.
Não durmas, olha para eles,
com alegrias e dores.

Não tenhas medo. O calor,
que vem das serras ao mar,
erguendo incêndios não queima (bis)
o que não é de queimar.

Agradece ao vento frio
que traz chuva miudinha
é neve que se aproxima,
tormenta que se avizinha...
Nos incêndios naturais
queima o ramo das saudades
e faz a tua canção (bis)
do surgir das tempestades!


HINO DO HOMEM
(Armindo José Rodrigues)

Solo

Homem, se homem queres ser
e não uma sombra triste,
olha para tudo o que existe
com olhos de bem o ver.

Solos

Nada,
Nada receies saber.
Ao que não amas, resiste.

Coro

Mesmo vencido, persiste
E acabarás,
E acabarás por vencer.

Solos

Quere,
Quere e poderás poder.
Vai por onde decidiste.

Coro

A liberdade consiste
No que a razão (bis)
No que a razão te impuser.