sábado, abril 26, 2014

Acesso à Compilação das Obras de Marx e Engels

O sítio Marxists Internet Archive (MIA), onde estão hospedados textos de inúmeros marxistas, incluindo o Marx e Engels, em várias línguas, exibe há dias a seguinte mensagem:
«Lawrence & Wishart, que detém os direitos de autor [copyright] sobre Compilação de Obras de Marx e Engels (MECW), deram instruções ao Marxists Internet Archive, para apagarem dos os textos provenientes do MECW. Assim a partir de 30 de Abril de 2014, nenhum material do MECW estará disponível em marxists.org Traduções em Inglês de Marx e Engels provenientes de outras fontes continuarão a estar disponíveis.»
Para ser claro, a Lawrence & Wishart não detêm direitos sobre as mais importantes e difundidas obras de Marx e Engels, que continuarão a estar disponíveis; detêm direitos sobre uma compilação de 50 volumes que inclui algumas traduções mais modernas de textos importantes, assim como outras obras, artigos, notas e correspondência. A editora reclama que pretende instituir um modelo de distribuição desta edição (a MECW) que permitirá depois a venda de licenças de acesso a instituições universitárias (e logo o acesso a académicos dessas instituições) e simultaneamente garanta a viabilidade da editora (auto-descrita como publicadora independente radical).

quarta-feira, março 19, 2014

A moralidade dos Cortes

Nem toda a despesa na educação é boa, cortar na saúde nem sempre é mau. Será que há alguma função do estado que precise mesmo, mesmo de dinheiro? Não seria melhor funcionar só com voluntários, boa vontade e civismo? Espera, e se em vez do Estado investir, abríssemos todos estes ramos ao sector privado? Nesse caso não era preciso o Estado gastar dinheiro nenhum. E se prescindíssemos até dos deputados e Assembleia da República? E de todos os ministros do governo, e seus secretários e sub-secretários, adidos e assessores, seu carros e subsídios de almoço? Pode ser que nem seja necessário cobrar impostos. Ou procurar rectificar a desigualdades sociais. Ou ter democracia. Podia haver alguém rico que não precisasse de salário a liderar o país.¡Porra, não se finjam de estúpidos, nem actuem como se nós fossemos! Estão a falar de cortes significativos que comprometem o funcionamento de sectores públicos e a satisfação real de pessoas e do país. Se a questão fosse melhor gestão dos recursos limitados, nomeiem melhores gestores, em vez do sobrinho do vosso conhecido da praia do Meco. Cortar mais em sectores já asfixiados "é mau". Dá lá volta a essa realidade.

terça-feira, março 18, 2014

Sanções individuais a figuras políticas

No domingo a esmagadora maioria dos eleitores na Crimeia (81.3%) aprovou a separação da Crimeia da Ucrânia e sua integração na Federação Russa (96.8%). Essa decisão foi entretanto aplaudida pela Duma, o parlamento Russo. Em resposta, o Presidente Obama aprovou uma nova ordem executiva cujo resultado foi a aplicação de sanções individuais ao que descrevem como "líderes separatistas baseados na Crimeia": Sergey Aksyonov, Vladimir Konstantinov, Viktor Medvedchuk (o ex-chefe de estado do Presidente Ucraniano) e Viktor Yanukovych (o ex-Presidente). Aplicaram também sanções sobre responsáveis políticos Russos: Vladislav Surkov e Sergey Glazyev (adidos do Putin), Leonid Slutsky (deputado da Duma e membro do seu comité de relações internacionais), Andrei Klishas, Valentina Matviyenko e Dmitry Rogozin (vice-primeiro ministro da Rússia), e Yelena Mizulina (deputada da Duma). Aplicar sanções sobre o Putin, pelos vistos, foi considerado demais, muito embora o critério de escolha seja tão abrangente que possa incluir "qualquer indivíduo ou entidade que opere na indústria de armas Russa, ou qualquer indivíduo ou entidade que actue em representação ou providencie material ou apoio a qualquer oficial do governo Russo". (ver)

Estas sanções vieram também acompanhadas de uma ameaça: "se a Rússia não acatar as suas obrigações internacionais e trouxer de volta as suas forças militares para as suas bases originais, e respeitar a soberania e integridade territorial da Ucrânia, os EUA estão preparados para tomar medidas adicionais para impor custos políticos e económicos adicionais".

Em resposta a Duma aprovou uma moção sugerindo que os EUA e a UE aplicassem sanções a todos os deputados da Duma. Esta moção foi aprovada por unanimidade. A confronto entre a Rússia e o ocidente, como é frequente nos confrontos, está a unir todo o espectro político. Até o Gorbachev – o querido do Ocidente – veio à superfície afirmar que a integração da Crimeia na Ucrânia havia sido um erro da era Soviética.

Tambores de guerra

Este ano comemoram-se os 100 anos sobre o início da Primeira Guerra Mundial (WWI). Esta guerra, a Grande Guerra, marcou toda a história subsequente. Eric Hobsbawn usou o início da WWI para assinalar o início da Era dos Extremos (1914-1991). Depois desta guerra, desapareceram os impérios Austro-Húngaro e Ottomano, caiu o império czarista na Rússia e deu-se a Revolução de Outubro, o Império Britânico começou o seu declínio e os EUA começaram a afirmaram-se como poder imperial além da sua região, as fronteiras da Europa, África e Ásia foram redesenhadas, e foi plantada a semente da Segunda Guerra Mundial (que haveria de expandir ainda mais os horrores oferecidos por guerras).

Houve frentes de guerra na Europa, na Ásia e em África, e envolveu tropas de todo o mundo. Soldados da Austrália e Nova Zelândia combateram em Galipoli, na actual Turquía, onde foram massacradas. Nesses países, ainda hoje se comemora o dia ANZAC (a 25 de Abril, dia que as tropas desembarcaram) para lembrar os caídos. Nunca os países mais directamente envolvidos haviam tido uma guerra com tantos mortos e feridos. Em Inglaterra, aliciavam-se voluntários com poderem ir combater juntamente com os seus amigos; e amigos e familiares morreram juntos em ataques tacticamente ignóbeis. Só no primeiro dia da Batalha do Somme (Julho a Novembro de 1916) morreram 57 mil ingleses. Ao todo, entre ingleses, franceses e alemães, tombaram 623,907 soldados nessa batalha, e 9 milhões durante a WWI. E dizia-se em 1914, que as tropas estariam de volta para comemorar o natal.

quinta-feira, março 06, 2014

Viva o PCP

Parabéns ao PCP e a todo o colectivo partidário.
A 14 de Agosto de 1975, após um ataque terrorista ao centro de trabalho do PCP em Braga, teve lugar no Pavilhão Carlos Lopes, Lisboa, um comício de solidariedade com os camaradas das organizações atingidas pelo terrorismo e de exigência de medidas de salvaguarda da ordem democrática. Iam-se passar fotos do ataque em Braga, mas queriam-se palavras. A DORL telefonou ao Ary dos Santos. «Não serias capaz de fazer aí qualquer coisa, uns versos com força, isto não há legendas que resolvam isto...». «Esperem lá um bocado que eu já ligo.» Meia hora depois (!) o telefone tocava e ouvia-se o vozeirão do outro lado: «Então vejam lá se esta coisa serve.» Era "A Bandeira Comunista". Copiada ao telefone, dactilografada e ampliada, iniciou nessa noite de luta um caminho que não findou jamais. (ver)
Comemoro também os 30 anos passados da morte desse querido camarada, com alguns acrescentos ao poema original. Há quem não encare as obras de arte como produtos acabados e intocáveis. Bom, os artistas não os encaram assim. Mudam constantemente as suas obras, e recorrem frequentemente às obras de outros para as trabalharem e transformarem. É nesse espírito de respeito que me atrevo a tocar n'A Bandeira Comunista'. (Os versos acrescentados estão assinalados a vermelho). Viva o PCP


A Bandeira Comunista Redux

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

Que resistem à mentira 
de todo o malabarista
que pretende a limpeza
do regime salazarista

porque a cada novo ataque
cada manobra soarista
trazendo para a nação
o falcão imperialista

a cada falsa esquerda
socraticó-socialista
que entre brindes e reformas
faz obséquio ao capitalista

a cada parte ou bloco oco
querendo atrair progressistas
mas sem ligação às massas
só aplausos dos jornalistas

A cada Durão, Passos,
ou clique Satanista
aos Portas que Abril fecharam
e outros pró-monopolistas

contra todos estes cabrões
há ruptura realista
um povo e um partido
marxista leninista

um partido firme, coerente
que não permanece calado
a quem chamam O partido
pois põe os outros de lado

sempre ao lado dos que trabalham
e ao lado do povo
que com ele vai construir
um portugal soberano e novo

No vai-vem das ondas
dá à costa tanto lixo
mas entre ventos e marés
o mar mantem-se fixo.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.