segunda-feira, dezembro 29, 2014

Novo ano

Dizem... que não há alternativa, não há solução, não há saída, não há futuro. Ainda tenho a teimosia da esperança e confiança nos seres humanos, na sua capacidade de superação de dificuldades. A história humana revela muita crueldade e injustiça, mas também grandes avanços civilizacionais. O reconhecimento e consagração de direitos humanos, laborais, cívicos. A tendência para acabar com a escravatura, a desigualdade étnica e de género, o fim de regimes opressivos, como o nazi-fascismo e o Apartheid. São correntes ainda não extintas, mas cujas tentativas de renascer enfrentam a resistência dos que recordam e sabem que a opressão e desigualdade é um recuar tenebroso. A história tem também exemplos de construção de novas formas de sociedade. Não falo apenas do socialismo. A democracia burguesa representou um avanço face ao feudalismo e as monarquias. Cada uma representando um avanço face às anteriores. Faltam ainda passos, para uma sociedade efectivamente livre de injustiça, exploração, pobreza. Dizia Martin Luther King: "o arco do universo moral é longo, mas tende para a justiça". Com avanços e recuos, progredimos. E há muito ainda a alcançar. Mas não acontecerá por si só.
Dizem... que 'eles' são todos iguais, corruptos, mentirosos. E com razão. Mas além do 'eles', há o 'nós' (este, com acento agudo). E nós somos mais, e temos a razão, a justiça, a história do nosso lado. A alternativa a este caminho de progresso civilizacional é um tombar na barbárie. É possível que tal aconteça. Em momentos parece até provável. Mas, teimosamente, continuo com esperança e confiança no 'nós'. No tu e ela, aquele, o outro de lá, este aqui, o fulano, o colega, o amigo, o parceiro, o camarada, o gajo, o que abre a porta para o vizinho, o que oferece o lugar à velhota, o que sorri sempre à sra. da caixa no supermercado, o que ensina, o que estuda, o que resiste e luta, os fieis depositários e guardiões do melhor que a humanidade tem para se oferecer. A avançar, só com a sua força e vontade, de forma organizada e consequente. E essa força humana que faz frente à barbárie. E por vezes a vence. Mas há também momentos gloriosos, momentos de reviravolta, de brilho.
A caminho de mais um fim de ano, lembro-me do 1º de Janeiro de 1959, e o florescer da Revolução Cubana. Quem diria que nas barbas dos EUA iria brotar um país novo que foi capaz não só de resistir mais de meio século, como de criar uma sociedade que garante o acesso às necessidade mais básicas do ser humano, a saúde, educação, habitação, alimentação, a cultura. E ainda de partilhar esses frutos com países irmãos. Que grande celebração de ano novo que terá sido.

quinta-feira, setembro 11, 2014

Moedas para a Ciência, Investigação e Inovação

Infelizmente o título não se refere a um reforço do financiamento para a Ciência, mas antes à nomeação de Carlos Moedas para Comissário Europeu para esse pelouro. Moedas tem um currículo revelador: trabalhou para a Goldman Sachs e para o Deutsche Bank. Até recentemente era Secretário de Estado Adjunto de Passos Coelho tendo sido um dos representantes nos encontros com a Troika. Embora licenciado em Engenharia Civil, todo o seu restante percurso foi na área da Gestão e Finanças.
Moedas fez parte de um governo que aplicou as medidas de austeridade e cortes orçamentais ao Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), gerido mais directamente pelo Ministro Nuno Crato e o director da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) Miguel Seabra. Só nos últimos dois anos, este governo aplicou cortes significativos ao financiamento dos projectos de investigação, às bolsas de investigação, às unidades de investigação e às universidades públicas (onde se realiza uma boa parte da investigação científica em Portugal), deixando o SCTN por um fio, e efectivamente deixando unidades de investigação e áreas de investigação científica asfixiadas. Acresce que todos os concursos para financiamento ficaram marcados por alterações a meio do processo, falta de transparência e arbitrariedade.

terça-feira, setembro 02, 2014

Tentativas de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia

Uma das ilustrações agudas do carácter anti-democrático do governo Ucraniano após o golpe de estado de Fevereiro de 2014, foi este ter rapidamente procedido a acções com vista à ilegalização do Partido Comunista Ucraniano (PCU). Esta utilização dos mecanismos do Estado então apropriado, foram acompanhadas por ataques violentos e constantes a membros do PCU por parte das milícias fascistas.
O processo judicial contra o PCU, de ordem administrativa e de momento ainda não criminal, foi instaurado pelo Ministério da Justiça e o Serviço de Registo Estatal da Ucrânia, a que se juntaram depois outras forças, incluindo o Svoboda (de orientação nazifascista, cujo nome significa "liberdade"). Dois juristas Portugueses, membros da Associação Portuguesa de Juristas Democratas (APJD), estiveram em Agosto em Kiev, em representação da Associação Internacional de Juristas Democratas (IADL) para assistir ao processo, e puderam prestar alguns esclarecimentos.

terça-feira, agosto 19, 2014

Ébola em perspectiva

Coloquemos o Ébola em perspectiva:
- é uma doença tratável, cuja taxa de letalidade pode ser moderada a baixa mediante cuidados de saúde adequados;
- não é muito contagiosa, sendo transmitida apenas pelo contacto directo com fluídos de um paciente que já manifesta os sintomas (não é contagiosa durante o período de incubação), sendo o contágio evitável através das boas práticas de higiene médica.
Então porquê toda a histeria em seu torno? E se é tratável e pouco contagiosa, porque se propaga na África Sub-Saariana (AfSS)? A resposta tem em parte que ver com algo que o Ocidente teima em não querer enfrentar, pela responsabilidade que acarreta: a pobreza nesses países, incluindo a falta de acesso a comida, água potável, medicamentos e os cuidados de saúde, são o principal factor responsável pela alta taxa de doenças infecciosas e outros problemas?

domingo, agosto 17, 2014

Jogos de casino viciados


O sistema bancário e financeiro em Portugal é um jogo de casino viciado, onde a "casa", ou seja quem deveria regular esse sistema, incluindo o governo, o Banco de Portugal (BdP) e a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), fecha os olhos, assobia para o lado, e faz pouco, tarde e mal.
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