terça-feira, novembro 27, 2012

OE2013

Hoje em frente da Assembleia da República.

Foto de Bruno Dias (Deputado do PCP na AR)

Independentemente das escolhas políticas no OE2013, este orçamento baseia-se em fantasias. Eu que não sou economista, nem tive oportunidade de estudar o OE2013, dou-me conta, através da leitura de jornais, que
- a previsão de inflação
- a previsão de taxa de desemprego (e logo despesa com subsídios)
- a previsão de crescimento económico (e logo receitas fiscais)
- a previsão de evolução da balança comercial
(e muitos mais indicadores que servem de base para a projecção do OE)
são fantasias e estão totalmente desadequadas face às melhores previsões de qualquer instituição que se queira, incluindo da própria Troika, do Banco de Portugal, dos nossos credores.

Os Portugueses opõem-se. O Governo PSD-CDS aprova. Temos um OE2013 a puxar-nos para uma espiral de desgraça, retrocesso, desigualdade, desemprego, pobreza, privatizações, destruição do estado social. A Luta Não Pode Parar!

No Facebook tive um troca amigável com uma amiga que compreensivelmente se encontra frustrada com a lentidão de andamento da luta. Transcrevo parte do que lhe escrevi:

Quando uma, duas, três e mais lutas (manifestações, greves sectoriais e gerais) não dão o resultado desejado é frustrante. Admito. Mas não deve ser motivo para se concluir que estas formas de luta são inconsequentes. Primeiro porque não verdade que o sejam em todo. As lutas de Setembro fizeram o governo recuar na TSU. É uma vitória pequena, mas não a devemos generalizar. Segundo, porque cada luta, se bem gerida, transforma consciências e criar laços de unidade, isto é, base para futuras lutas com maior força. Terceiro, e no seguimento do ponto anterior, uma luta (manifestação, greve) não tem como real objectivo a de que a mudança vá surgir logo de seguida. Aponta nesse sentido, mas não tem essa ilusão. Se equacionarmos o objectivo assim, então certamente que são falhanços. Mas a luta é um processo de mudança, mais que a soma das lutas diárias. Por estas razões, não segue necessariamente que o facto das manifestações e greves deste ano ainda não terem virado este governo ou levado à sua deposição seja motivo para lutas mais radicais, muito menos violentas. Imaginação e criatividade nas lutas certamente. Mas os trabalhadores já lutam há mais de 150 anos. Muito embora as novas tecnologias, já exploraram as formas de luta. E as que têm historicamente resultado têm sido as manifestações, greves, ocupações, desobediência civil. São estas formas de luta que têm levado à transformação, ainda que lenta. Eu pelo menos não quero uma mera mudança de governo. Tenho um objectivo mais ambicioso, a mudança de política, uma ruptura com a política de direita. E tenho plena consciência que esse objectivo não se atinge facilmente. Será um processo, que terá de envolver organização, mudança de consciências, e muita luta. Embora hajam preocupantes ameaças à nossa democracia, ainda não estamos no ponto de ter de pegar em armas. Mas também não tenho ilusões que uma efectiva mudança de política não virá apenas com eleições.

Sem dúvida que momentos de 'violência' (senso lato) foram marcantes na história. O nosso 25 de Abril. Mas olhando para a história, houve também momentos desses que não tiveram seguimento, ou pior, tiveram seguimento pela via da extrema direita e fascismo. Ou seja, para que uma revolução tenha continuidade e seja no sentido da justiça social, há que preparar o terreno, organizar, escolher o momento certo para a acção de ruptura profunda. É nesse sentido que as actuais lutas são importantes também como processo de transformação de consciências.
Eu também entendo e partilho a tua frustração. Mas pensando no "incitar violência", recordo-me dos que andaram a apedrejar a PSP frente à AR. Esse tipo de acção parece-me contra-pruducente.

Um comentário:

Rogério Pereira disse...

Água persistente
Em pedra dura
Tanto dá
Até que fura

(estive lá!)

timentlo 5056