segunda-feira, outubro 18, 2010

O Partido dos Bancos

O Marx (o Groucho, não um dos outros) tem uma frase apócrifa: "Estes são os meus princípios; se não gosta deles ... tenho outros." Vem-me à memória este bitate quando oiço comentadores desconsiderarem princípios basilares do nosso Estado em prejuízo de desculpas financeiras. Foi o caso das afirmações do Álvaro Barreto ao concluir que a crise financeira era incompatível com o direito à saúde, à educação ... isto é, com os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa (CRP).
Há um défice financeiro, tanto é evidente. Mas cabe analisar as suas causas e que princípios orientaram as decisões tomadas: foram os princípios constitucionais ou princípios de de outra ordem, afiliações de classe social.

Vejam-se os seguintes dados:
  • Em 2008 e 2009, os cinco principais grupos bancários com actividade em Portugal, (a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Comercial Português, o Banco Espírito Santo, o Banco Português de Investimento e o Banco Santander/Totta), apresentaram lucros superiores a 4,5 milhões de euros por dia, incluindo sábados, domingos e feriados!
  • Enquanto as pequenas e médias empresas pagam uma taxa de IRC na ordem dos 25%, a Banca prevê pagar uma taxa efectiva de imposto de apenas 9,9%!
  • O Banco Central Europeu (BCE) empresta euros à Banca nacional à taxa de 1%; a Banca empresta ao Estado à taxa de 6%.
  • Face ao buraco financeiro de 2000 milhões de euros do BPN, gerado por negócios senão ilegais pelo menos imorais (dos quais o então Presidente do Banco de Portugal, e actual vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, certamente teria conhecimento) o Estado disponibilizou 4 mil milhões de euros. (O défice público, nesta ocasião, que se fod@).
Os indícios de favorecimento da Banca por parte do Governo, em particular por parte do Governo Sócrates salta à vista de quem abrir os olhos.Conclusão: o PS é neste momento o Lancelote do Rei Dinheiro, o mais fiel defensor da Banca, o Partido do Capital Financeiro.

Um comentário:

Sopro leve disse...

Neste tema não tocam, os fazedores de opnião...
Nem neste, nem em outros similares... tipo imposto de imóveis, em que temos que pagar anualmente o imposto que recai sobre a nossa barraquinha, senão as finanças penhoram a barraquinha, e lá temos que ir viver para debaixo da ponte... enquanto isso existem empresas, e etc... que possuem milhões e milhões em imóveis, mas têm SGPS a geri-los, e estão isentos de pagarem imposto...
Mas sobte isto nem um pio, pois não querem tocar nos ricos... a dar porrada nos mais fracos, também eu sou forte...