sexta-feira, janeiro 18, 2013

Heroicas Lopes Graça

Depois de buscar, não consegui encontrar um sítio que tivesse as letras de todas as CANÇÕES HEROICAS adaptadas para música por Fernando Lopes Graça. Aqui ficam.


CANÇÕES HEROICAS


ACORDAI
(José Gomes Ferreira)

Acordai,
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
das almas viris,
arrancar a flor
que dorme na raiz!

Acordai,
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões!
Vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar,
o mundo e os corações!

Acordai!
Acendei,
de almas e de sois
este mar sem cais,
nem luz de faróis!
E acordai,
depois das lutas finais,
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai !

JORNADA
(José Gomes Ferreira)

Solo

Não fiques para trás, ó companheiro,
é de aço esta fúria que nos leva.
P’ra não te perderes no nevoeiro,
segue os nossos corações na treva.

Coro

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.

Solo

Aqueles que se percam no caminho,
que importa! chegarão no nosso brado
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão ao nosso lado.

Coro

Vozes ao alto!
Vozes ao alto! etc.


MÃE POBRE
(Carlos de Oliveira)

Terra Pátria serás nossa,
mais este sol que te cobre,
serás nossa,
mãe pobre de gente pobre.

O vento da nossa fúria
queime as searas roubadas;
e na noite dos ladrões
haja frio, morte e espadas.

Terra Pátria serás nossa
mais os vinhedos e os milhos,
serás nossa,
mãe que não esquece os filhos.

Com morte, espadas e frio,
se a vida te não remir,
faremos da nossa carne
as searas do porvir.

Terra Pátria serás nossa,
livre e descoberta enfim,
serás nossa,
ou este sangue o teu fim.

E se a loucura da sorte
assim nos quiser perder,
abre os teus braços de morte
e deixa-nos aquecer.

CONVITE

Vinde ver a Primavera,
vós que sois da minha terra.
Na raiz de cada chão
nasce um canto contra a guerra.

Vinde ver o sol fecundo
e abraçar a ventania.
Nas vozes de cada fome
há gritos de rebeldia
Vinde, vinde!

FIRMEZA
(João José de Mello Cochofel Aires de Campos)

Sem frases de desânimo,
nem complicações de alma,
que o teu corpo agora fale,
presente e seguro do que vale.

Pedra em que a vida se alicerça,
argamassa e nervo,
pega-lhe como um senhor
e nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
capaz de embargar-te a voz;
que a boca a sorrir não mate
nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
que o espelho da vida nos escuta.

CANTEMOS O NOVO DIA
(Luísa Irene)

Olhai que vamos passar,
nosso canto é de verdade;
vinde connosco lutar,
nós somos a liberdade.

A terra está toda em flor
o céu é todo alegria.
A nossa voz é de amor,
– Cantemos o Novo Dia!

Ó jovem que és cavador,
semeia, hás-de colher.
A papoila é nossa flor,
o trigo é nosso querer.

Toda a palavra é de amor,
a hora é nossa, confia,
nosso olhar tem mais fulgor
– Cantemos o Novo Dia!

Há seiva forte a brotar,
novas folhas a nascer,
a Primavera a chegar,
os homens querem viver.

A juventude é mais moça
quando o amor principia
pois se a vida é toda nossa
– Cantemos o Novo Dia!

COMBATE
(Joaquim Namorado)

Nada poderá deter-nos
nada poderá vencer-nos.
Vimos do cabo do mundo
com este passo seguro
de quem sabe aonde vai.

Nada poderá deter-nos,
nada poderá vencer-nos!

Guerras perdidas e ganhas
marcaram o nosso corpo,
mas nunca em nós foi vencida
esta certeza sabida de saber aonde vamos.

Nada poderá deter-nos, etc.

Os mortos não os deixamos
para trás, abandonados,
fizemos deles bandeiras,
guias e mestres, soldados
do combate que travamos.

Nada poderá deter-nos, etc.

Nada poderá deter-nos,
pró assalto das muralhas
nossos corpos são escadas,
para as batalhas da rua
nossos peitos barricadas.

Nada poderá deter-nos, etc.

Nada poderá vencer-nos,
vimos do cabo do mundo
vimos do fundo da vida:
que somos o próprio mundo
e somos a própria vida.

Nada poderá deter-nos, etc.

RONDA
(João José de Mello Cochofel Aires de Campos)

Amor, já se aproxima a hora
de darmos as mãos e dançar.
A ronda que começa agora,
eia agora!
é para nela se bailar.

Mas precisamos ir primeiro
por uma madrugada fria,
fazer dos anseios bandeira,
na dor temperar a alegria.

Amor, já se aproxima a hora
de darmos as mãos e dançar.
Na ronda que começa agora,
eia agora!
havemos todos de entrar.

Se a vida vã que nos uniu
à morte assim nos entregasse,
seria uma noite mais noite
que a esta noite nos poupasse.

Amor, já se aproxima a hora
de darmos as mãos e dançar.
A ronda que começa agora,
 eia agora!
não mais voltará a parar.

E o novo dia se levanta
vadiando da rua ao telhado.
–Amor, estende a tua manta,
vamos dormir sobre o passado.

LIVRE
(Manuel Augusto Coentro Pinho Freire)

Solo
Não há machado que corte
a raiz ao pensamento:

Coro

não há morte para o vento,
não há morte.

Solo

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida,

Coro

sem razão seria a vida, sem razão.

Solo

Nada apaga a luz que vive
num amor, num pensamento,

Coro

porque é livre como o vento
porque é livre,

CANTO DE ESPERANÇA

Solo
Dentro de mim e de ti
algo de novo estremece,
a vida abre-se e ri
na hora que se entretece.
Vultos parados e sós,
mudez da alma sozinha,
tomai o corpo e a voz
da vida que se adivinha.

Coro

Canta mais alto, avança e canta,
lança-te à marcha, não te afastes.
Mistura a tua voz à voz que se levanta
das chaminés e dos guindastes.

Solo

Rasgam-se os céus e a terra,
a esperança cai e refaz-se.
É o grito duma outra guerra:
canto do homem que nasce.

Tomam forma consistente
as ilusões encobertas.
Caminha, caminha em frente
para as novas descobertas.

Coro

Canta mais alto, avança e canta, etc.

Solo

Molda em teus dedos leais
um destino à tua imagem.
Ao ódio dos vendavais
ergue uma viva barragem.

Da lama do tempo inteiro
Arranca a felicidade.
Homens humanos do mundo!
Homens de boa vontade!


Coro

Canta mais alto, avança e canta,  etc


CANTO DE PAZ
(Carlos de Oliveira)

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier,
deixai entrar a paz do tempo que ela quer.

Solo

De par em par aberta com sol até ao fundo,
gastai a alma toda na harmonia do mundo.

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier, etc.

Solo

Homens que vagueais pela berma da vida,
tereis enfim sinais da glória prometida.

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier, etc.

Solo

Na voz do Dia Novo a dar bom dia aos astros,
Quando a tristeza for só pó dos vossos rastros,

Coro

Homens deixai abrir a alma ao que vier, etc.


CANTO LIVRE
(António Augusto Soares de Passos)

Gema embora a terra inteira
acurvada a iníquas leis;
esta fonte sobranceira
jamais de rojo a vereis.

Hó! ninguém, ninguém a esmaga
que eu sou livre como a vaga,
que sacode sobre a plaga
o jugo de altos baixéis.

Liberdade é o mote escrito
no céu, na terra e no mar!
Di-lo a fera no seu grito (bis)
e as aves cruzando o ar,
Di-lo o vento da procela,
a vaga que se encapela
e nos espaços a estrela (bis)
em seu contínuo girar.

Eu sou livre; eis minha crença,
nem força contra ela vale.
Que um tirano enfim me vença;
triunfarei por seu mal.

Triunfarei, que algemado
e diante dele arrastado,
sou livre! será meu brado
até ao momento final

Liberdade é o mote escrito etc.

CLAMOR

Ao sol os olhos vendados,
braços na luta cingidos;
e ainda que algemados
– algemados
mas nunca vencidos!

Sabemos do sofrimento
o que no sofrimento há;
se a dor é desalento
– desalento
outra fé nos dá!

Uma esperança em cada vida,
que ao calor do ódio arde;
luta até mesmo abatida
– abatida
mas nunca cobarde!

Carne que se não corrige,
chicote com sangue a lava;
se só na morte transige
– transige
mas nunca é escrava!

Ó PASTOR QUE CHORAS
(José Gomes Ferreira)

Ó pastor que choras;
o teu rebanho onde está? (bis)

deita as mágoas fora!
Carneiros é o que mais há! (bis)

Uns de finos modos
outros vis por desprazer: (bis)

mas carneiros todos
com carne de obedecer! (bis)

Quem te pôs na orelha
essas cerejas pastor? (bis)

São de cor vermelha!
Vai pintá-las de outra cor... (bis)

Vai pintar os frutos,
as amoras, os rosais: (bis)

vai pintar de luto
as papoilas dos trigais! (bis)


CANÇÕES DE CATARINA
(Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues)

Solo

Na fome verde das searas roxas
passeava sorrindo Catarina (bis)

Coro

 Ah!

Solo

Na fome verde das searas roxas
ai a papoila,
ai a papoila cresce na campina! (bis)

Coro

Ah!

Solo

Na fome roxa das searas negras
que levas, Catarina, em tua fonte? (bis)

Solo

Na fome roxa das searas negras
ai devoraram,
ai devoraram corvos o horizonte! (bis)

Coro

Ah!

Solo

Na fome negra das searas rubras
ai da papoila, ai de Catarina! (bis)

Coro

Ah!

Solo

Na fome negra das searas rubras
trinta balas,
trinta balas gritaram na campina

Solo

Trinta balas
trinta balas
te mataram a fome

Coro

Catarina


AS PAPOILAS

O papoilas dos trigais,
em ondas de cor... (bis)
Sangrentas como os punhais
do nosso suor... (bis)

Dá vontade de arrancá-las,
pô-las nas lapelas... (bis)
E, depois,
E, depois, dependurá-las
na luz das estrelas. (bis)

O papoilas como chagas
em ondas de flor... (bis)
No sangue das vossas
vagas anda a nossa dor. (bis)


CANÇÃO DO CAMPONÊS
(Arquimedes da Silva Santos)

Solo

Adeus trigo, ai, adeus trigo,
depois de ceifado, adeus:
amanho-te e não mastigo,
ai, nem eu, nem eu nem os meus.

Coro

O escravo da campina
ouve o motor do trator
Com ele mudas a sina –
da terra és conquistador!.

Solo

Searas cor de sol posto,
meu mar alto de aflição
enche-o com suor do rosto,
ai, em troca falta-me o pão.

Coro

0 escravo da campina etc.

Solo

Ai campos, como os meus olhos.

Solo

Ai campos, como os meus olhos,
rasos de água tanta vez:
foram-se espigas nos molhos,
ai, vem fome para o camponês.

Coro
O escravo da campina, etc.


QUANDO A ALEGRIA FOR DE TODOS

Quando a alegria for de todos
como bem que não tem dono; (bis)
quando a alegria for de todos
e tão naturalmente (bis)
como o ar que respiramos
quando a alegria for de todos –
que bom será viver
e respirar a plenos pulmões
o ar saudável da alegria!
Como será bom e belo e fecundo o
 riso da Vida (bis)
nas bocas floridas,
nas bocas floridas de palavras de Amor!
Ah!

Quando a alegria for de todos (bis)
todos, todos!


NAO TE DEITES, CORAÇAO

Não te deites, coração
à sombra dos teus amores.
Não durmas, olha para eles,
com alegrias e dores.

Não tenhas medo. O calor,
que vem das serras ao mar,
erguendo incêndios não queima (bis)
o que não é de queimar.

Agradece ao vento frio
que traz chuva miudinha
é neve que se aproxima,
tormenta que se avizinha...
Nos incêndios naturais
queima o ramo das saudades
e faz a tua canção (bis)
do surgir das tempestades!


HINO DO HOMEM
(Armindo José Rodrigues)

Solo

Homem, se homem queres ser
e não uma sombra triste,
olha para tudo o que existe
com olhos de bem o ver.

Solos

Nada,
Nada receies saber.
Ao que não amas, resiste.

Coro

Mesmo vencido, persiste
E acabarás,
E acabarás por vencer.

Solos

Quere,
Quere e poderás poder.
Vai por onde decidiste.

Coro

A liberdade consiste
No que a razão (bis)
No que a razão te impuser.

3 comentários:

Joana disse...

e não estão todas ;)

Isabel Pedroso disse...

e onde posso arranjar partituras para coro? tenho a Mãe Pobre e mais nada. Obrigada

Isabel Pedroso disse...

e onde posso arranjar partituras para coro? tenho a Mãe Pobre e mais nada. Obrigada