quarta-feira, janeiro 22, 2014

Greves, Metro e Metropolitano de Lisboa

Em Lisboa ando de metro. Tenho a sorte de ter uma estação perto de minha casa e local de trabalho, e o metro serve-me para ir à maior parte de sítios para onde me desloco. Quando era adolescente, já no século passado, a rede do metro era menor, e usava o metro mas sobretudo os autocarros. Hoje se o metro não me servir, nem sei que autocarro usar, e opto frequentemente por ir a pé do metro até ao meu destino. (Tenho de mudar isso, até porque agora já nem há o passe só para o metro, pelo que pago também para andar de autocarro.)

Quando há greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, que regra geral têm sido greves parciais de manhã, espero pela re-abertura para me deslocar ao trabalho. Felizmente tenho flexibilidade de horário que o permite. Nos raros casos em que preciso de estar mais cedo, procuro boleia de carro. Mas teria, lá está, a opção de apanhar um ou vários autocarros. Por geralmente esperar pela re-abertura, já várias vezes me juntem ao grupo de pessoas que fazem o mesmo. Invariavelmente há alguém que desata a barafustar contra as greves e os trabalhadores, criando uma oportunidade para discutir a situação. Cenários destes repetem-se não só junto ao metro, como nas estações de outros transportes, porque os trabalhadores deste sector têm estado numa vigorosa e corajosa luta em defesa dos seus salários e condições de trabalho, e em defesa deste serviço público.

A indignação dos passageiros não deve ser dirigida aos trabalhadores, mas antes às administrações das empresas de transportes, que não cumprem os contractos colectivos de trabalho, pretendem explorar e sobrecarregar os trabalhadores, e fazem da gestão das empresas um jogo de casino, encarecendo os custos dos transportes, enquanto cortam nos serviços de manutenção, pondo em causa a segurança dos passageiros e trabalhadores. Para ter uma ideia da má gestão das administrações (lembram-se dos SWAPs?) e para onde vai o dinheiro (cada vez mais) pago pelos passageiros, vejam este documento dos trabalhadores dos vários sindicatos ligados à CP (ver).

A verdade é que os passageiros que se queixam das greves desconhecem as suas causas e pensam só nos efeitos nas suas vidinhas, não pensando que a greve dos trabalhadores é para seu benefício, em defesa do serviço que lhes é prestado. A comunicação social também não ajuda, porque quando cobre as greves privilegia precisamente entrevistas aos queixosos, dando pouca informação sobre as causas das greves. Mas com as actuais facilidades de acesso a informação, os passageiros podem procurar informação sindical. Leiam por exemplo as razões das greves dos trabalhadores do metro. Os trabalhadores procuram informar a população, e se calhar deveria encontrar formas de o fazer melhor, mas esta tarefa é dificultada pelas empresas. Estes mesmos queixosos têm também a ilusão de que os únicos prejudicados são eles, os passageiros, esquecendo quem um trabalhador em greve perde um dia de salário e habilita-se a represálias por parte da administração.

Estas queixas abundam na correspondência dos jornais gratuitos distribuídos, também, nos transportes. (Há até alguns que têm vasto currículo nesse tipo de carta.) Há uns anos um querido amigo desafiou-me a escrever para estes jornais, sugerindo enviar textos curtos e incisivos. Tenho-o feito de vez em quando, em geral com sucesso em publicar. Nas últimas semanas consegui publicar dois contraditórios a cartas contra as greves. Ajudado por ter um smartphone, ainda de manhã no metro, e após ter lido mais uma carta contra as greves, mandei de imediato um texto pequeno de resposta. Convido outros a fazer o mesmo.





Um comentário:

Mary disse...

"Tenho de mudar isso, até porque agora já nem há o passe só para o metro, pelo que pago também para andar de autocarro"

não mudes...andar a pé faz bem a saude :)