No segundo acto, Stevie confronta Martin, após ter recebido carta de Ross alertando-a. Stevie está destruida e destroi toda a mobília que encontra pela frente, deixando um palco de cacos e sofas revolvidos, um campo de guerra, um coração despedaçado, irrecuperávelmente. Mas estou a misturar as minhas metáforas. Uma crítica que mesmo durante a mais temultousa de discussões Martin e Stevie não esqueçem de fazer um ao outro, e ao filho Billy (mandado para o quarto, ou para o recreio). Albee pegou num taboo que, como Stevie explica, está para além das nossas espectativas, para o qual não nos preparamos, não temos padrão de referência. Para o qual, mesmo uma família liberal, tolerante, educada, não tem proteção. Martin tenta de novo explicar-se, mas não escapa à confição de que amava a Sílvia, que amava uma cabra. Conta como foi a um lugar onde outros também confessavam os seus casos com animais não-humanos, e tentar assim demonstrar como não é tão anormal, que estas outras pessoas tinham razões para a sua bestialidade. Para algums era mesmo normal. No caso de Martin, houve algo fulminante, que o ligou à cabra, a uma ternura rústica. Algo que nem ele é capaz de entender. Stevie sai de casa, destruida e prometendo vingança.
No acto final, Martin confronta-se com Billy. Numa cena comovente, Billy admite que apesar de tudo, ama o pai. E quando pai e filho se abraçam e beijam na boca, numa demostração de afecto a reinar no sexual, entra Ross, numa cena que sublinha como a expressão sexual humana surge por todas as partes, manifestando-se por vezes com parceiros inesperados, um filho, uma cabra, um bébé. Acontece. São os nossos impulsos naturais. Fica por se frizar o argumento que é geral não actuamos esses impulsos Não somos pedófilos criminosos se fantasiamos fazer sexo como uma criança, apenas se o fizermos mesmo. Como espectador, fui houvidno a apologia de Martin sem sentir com ele verdadeira empatia, até que entrou Stevie, suja de sangue, arrastando uma cabra morta, a Silvia.
Grandes actuações de todo o elenco, num cenário simples e elgante, mas que permite a transformação de sala bem arranjada para terreno destruido. A ver! (encenação de Álvaro Correia)







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