sexta-feira, abril 07, 2006

Nova Cara do Terrorismo

Estas duas senhoras, Helen John e Sylvia Boyes, de 68 e 62 anos de idade respectivamente, de Yorkshire, foram as primeiras pessoas a serem presas sob a nova legislação anti-terror do Governo Britânico, e enfrentam até um ano de prisão. Foram presas no sábado passado, numa manifestação destinada precisamente a chamar atenção para esta nova legislação que limita a liberdade de expressão e manifestação. Em particular, foram detidas ao entraram na base militar Estado-unidense situada em Menwith Hill em North Yorkshire. Iam equipadas com martel, alicate, cartazes, e um comunicado denunciando a política militar dos EUA e a sua solidariedade com a população de Diego Garcia e das ilhas Chagos, expulsos das suas casas para dar lugar a bases militares dos EUA. As senhoras são já manifestantes veteranas com experiência de serem presas mais de uma dezena de vezes. Participaram nos "Acampamentos de Paz de Mulheres" junto à base em Greenham Common, protestando o uso de misseís de cruzeiro que começaram em 1981 e duraram 19 anos (!). A Sra. Boyes foi presa, e depois ilibada, em 1999 por ter danificado um submarino nuclear Britânico.
Manifestantes que penetrem qualquer das dez bases militares na Grã-Bretanha serão tratados como potencial terroristas e podem ser presos por um ano ou multados com £5000. A outras bases abrangidas pela lei inclui Fylingdales, a estação em North York Moors, as bases aéreas dos EUA em Mildenhall e Lakenheath em East Anglia, as centrais nucleares em Berkshire (e seu instituto de pesquisa em Burghfield) e na base naval Devonport em Plymouth. Novas restrições irão limitar também os protestos junto aos edifícios do governo e palácios reais, i.e., os locais onde tradicionalmente se realizam protestos. Disse um porta-voz do ministro da defesa: «Actividade persistente de manifestantes coloca-os em risco de serem confundidos com terroristas. E também dispersa desnecessariamente os recursos policiais.»
Mas as sehoras não estão sós. Em Outubro do ano passado, um manifestante por condenado por ter lido em voz alta, em Whitehall, sede do governo Britânico, os nomes de soldados Britânicos mortos no Iraque. John Catt, de 81 anos, foi detido e interrogado sob o Acto de Terrorismo de 2000 ao dirigir-se a uma manifestação anti-guerra vestindo uma t-shirt acusando Blair e Bush de Crimes de Guerra. Durante o discurso de Jack Straw, Ministro dos Negócios Estrangeiros Britânico, na última conferência do Partido Trabalhista, Walter Wolfgang, um veterano activista pela paz, de 82 anos, não aguentou enquanto Straw tentava justificar a presença Britânica no Iraque, e gritou "Isso é uma mentira". Foi arrastado para fora do local da conferência. Quando tentou re-entrar foi detido também segundo o Acto de Terrorismo. (Blair pediu desculpa, depois de publicidade negativa.)

Um comentário:

Arrebenta disse...

A Rainha da Sucata

Andam por aí umas vozes em sobressalto com o que se escreve na Net, e, à cabeça, com a crescente influência das temáticas, abordadas nos “blogues”, sobre a Opinião Pública Nacional. Cumpre-me aqui dizer que sou novo nos “blogues”, e suficientemente antigo, na Opinião Pública. E como me estou, à cabeça, aparentemente – depois, verão que não... – zenitalmente borrifando para os “blogues”, vou, pois, começar pela Opinião Pública.

Ora, em qualquer país pretendido civilizado, a Opinião Pública não é mais do que um misto de emoção e raciocínio difuso, que leva a que as sociedades exerçam, em conjunto, as suas auto-análises, os seus direitos espontâneos de aprovação e desagrado, e uma necessária catarse colectiva, fruto dos sabores e dissabores do Rumo da História.
Os períodos de Opressão e de Distensão medem-se, pois, pelo vigor e maturidade que essa Opinião Pública manifestar.
Na sua coluna de despedida do “Diário Digital”, Clara Ferreira Alves, criatura que nunca frequentei, nem sequer sabia que escrevia, mas que, naquele panorama do Ridículo Nacional, apenas me fazia, de quando em vez, sorrir, entre as suas apalhaçadas oscilações entre o negro azeviche e o louro caniche, dizia eu, centra-se, num dado momento da sua despedida, sobre a perniciosa influência dos blogues na tradicional “Imprensa Impressa”: de acordo com ela, “A Blogosfera é um saco de gatos, que mistura o óptimo com o rasca, e (as vírgulas atrás são todas minhas) acabou por se tornar num magistério da opinião (d)os jornais”, os quais nunca foram sacos de gatos, sempre souberam recolher o óptimo, e nunca constituíram um prolongamento do magistério dos Interesses Ocultos Predominantes.

É óbvio que em todos os jornais, como em todos os "blogues", como em todos os programas de televisão de carácter rasca, -- terríveis eixos do mal --, “existe e vegeta um colunista ambicioso, ou desempregado, (as vírgulas continuam a ser minhas), ou um mero espírito ocioso e rancoroso”, que pode ser vário, como os nomes de Satã.
“Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, [publicando] agora as ejaculações”, as quais deveriam continuar a ser privadas, porque o exercício da cobrição, que tantas vezes levou a que um mau texto aparecesse nas parangonas da Crítica, fruto de uma noite mais ou menos bem passada, ou de uma jantarada em lugar eminente, poderia, e deveria, pelos mais elementares deveres do Pudor, nunca ultrapassar a atmosférica fronteira do Secreto e do Invisível. Para mais, parece que, nos blogues, escancarada janela rasgada sobre o Tudo, já não existe aquela claustrofóbica sensação das escassas três ou quatro janelinhas, onde a iluminação da Crítica Impressa revelava ao profano o pouco que se fazia, e, logo, podia aspirar a existir. Parece que nos blogues, dizia eu, se fala agora abertamente de tudo e de todos, e não apenas dos amigos, dos que nos assalariaram o texto, ou dos que nos pagaram para sermos gerentes da sua irremediável Insignificância.

Compreende-se a angústia da Clarinha: com a ascensão dos “blogues” e o declínio dos jornais, anuncia-se também o fim do monopólio das palas postas nos olhos dos burros, e daqueles que tinham o exclusivo poder de as pôr.
Clara Ferreira Alves manifesta-se inquieta pelo seu Presente, e teme pelo seu Futuro. Mais acrescento eu que o que está em jogo é, sobretudo, o seu PASSADO e o de todos os que se lhe assemelham, porque a Cabala, que, durante décadas, tão habilmente geriram, se está agora a desmantelar por todos os lados.

Nos “blogues”, nada mais existe do que quem diariamente fale de tudo e todos, sem defender quaisquer sistemas que não os da prevalência do Excelente sobre o Medíocre, do Livre sobre o Encomendado, e, sobretudo, quem o faça GRATUITAMENTE, ou seja, por mero Dever Cívico, por vontade de intervir, por caturrice, ou tão-só pela amistosa gratidão de poder Partilhar.

É verdade que com os “blogues”, poderá estar em jogo o fim da Palavra Comprada, e já estar a vislumbrar-se o início da Era da Palavra Livre e Particular, o Reino da Palavra Gratuita. Talvez seja isso a Comunicação Global. Em breve, também aí se fará a separação do Trigo do Joio, e passará a vencer quem melhor escrever e mais for lido, dispensando-se as tradicionais encomendas das almas.

Penso, publico, sou lido, e logo existo. Tudo o resto é vão.

Ah, e isto não é um texto para resposta, sobretudo qualquer tipo de resposta, como dizia o Vasco Pulido Valente, que metesse “na conversa a sua célebre descrição do pôr-do-sol no Cairo.

Muito obrigado.”

http://braganza-mothers.blogspot.com/