quinta-feira, setembro 28, 2006

Não Apaguem a Memória!


A 5 de Outubro de 2005, um conjunto de cidadãos reuniu-se junto à antiga Sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, reafirmando o protesto público contra a conversão daquele edifício em condomínio fechado e contra o apagamento da memória do fascismo e do sofrimento causado aos portugueses. Deu-se então origem ao Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!: "movimento de cidadãos, plural e aberto, de exigência da salvaguarda, investigação e divulgação da memória do fascismo e da resistência, como responsabilidade do Estado, do conjunto dos poderes públicos e da sociedade."
Em finais de Setembro, dois activistas do movimento, João Almeida e Duran Clemente, foram acusados pelo Ministério Público da prática de um crime de desobediência qualificada praticado nesse dia 5 de Outubro. Tratou-se porém do mais elementar exercício do direito de liberdade de expressão, em memória do tempo em que acções desse tipo não eram possíveis de todo (mas?...) O julgamento destes activistas está marcado para 11 de Dezembro próximo.

O Não Apaguem a Memória! marcou um protesto cívico para o dia 5 de Outubro de 206, às 11h, frente a ex-sede da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, seguido de desfile até ao Largo do Chiado, onde decorrerá uma sessão pública.

3 comentários:

rapariga vermelha disse...

Curioso... Também um grupo de 3 autarcas e 2 ambientalistas vai ser julgado por desobediência por causa de um protesto pacífico realizado em Caminha contra a construção de um troço de estrada. A acusação é feita com base na falta de respeito do prazo de 48 horas para anunciar o protesto.
Na altura em que caiu a ponte de Entre-os-rios um grupo de cidadãos também enfrentou a possibilidade de julgamente por ter feito um protesto contra a falta de condições de segurança (em que obstruiram o acesso à ponte). Claro está que depois da tragédia resolveram arquivar o processo.
As reuniões sindicais de professores fora das escolas deixaram de estar justificadas ao abrigo da lei.
A propaganda política foi proibida no centro histórico do Porto (os painéis publicitários e luminosos não). Em Cascais o PCP enfrentou também boicotes à propaganda da Festa do Avante!. E um pouco por todo o lado as autarquias de direita e do PS desenvolvem cruzadas contra a liberdade de expressão.
Em Lisboa apagaram os murais do MRPP da avenida 24 de Julho com base no argumento de que se tratava de poluição visual. No mesmo sítio, hoje, estão enormes paineis de publicidade a bebidas.
Nos jornais, na rádio e na TV reina a censura.
As políticas praticadas são contra os trabalhadores e contra o próprio país. Estamos cada vez mais pobres, cada vez mais agrilhoados, cada vez mais voltamos a ser um povo triste (como disse Saint Exupery sobre os portugueses a propósito da grande acção de propaganda do Estado Novo - A Exposição do Mundo Português).
Não apagar a memória é o que o poder instituído não quer. É evidente que querem fazer esquecer que naquele edifício foram realizadas as mais intoleráveis torturas e que chegaram a ser atiradas pessoas daquelas janelas. É claro que querem fazer esquecer que foi dali que se dispararam os únicos tiros em 25 de Abril de 1974. Já na altura quiseram apagar a memória ao destruirem os arquivos ali existentes.
Sob o risco de regressarmos aos piores tempos do passado, é de facto impercindível batermo-nos contra o brtanqueamento do passado.
Lá estarei!

(e à tarde na marcha nacional pela educação)

Anônimo disse...

Parece que o Presidente da Colômbia, aceitou a proposta dos guerrilheiros para negociar vejamos se não será mais um embuste de Álvaro Uribe, engraçado ainda à dias via o inarrável embaixador colombiano dizer que não podia haver negociações porque a Colômbia não negoceia com terroristas, para bem do povo colombiano espero que seja o principio de um trégua eficaz.

a.castro disse...

É escandaloso e inacreditável que governos nascidos graças ao 25 de Abril, venham paulatinamente, como se estivessem com saudades do fascismo, a apagar da memória dos portugueses a história daquele período negro.
Direi que precisavamos de um novo 25 de Abril!