sexta-feira, dezembro 15, 2006

Execução por injecção letal também é deshumana

Durante a execução pela cadeira electríca no estado da Florida (EUA), em 1997, chamas emergiram da cabeça de Pedro Medina. Em 1999, Allen Lee Davis sangrou do nariz durante a sua execução. O preso que estava a seguir na lista de execuções apelou aos tribunais contra o uso da cadeira electrica. Embora o tribunal tenha chumbado o seu apelo, a legislação estadual foi alterada, dando ao executado a alternativa de execução por injecção letal, na vã tentativa de tornar o processo mais humano. Este processo involve três injecções consecutivas, uma provocando inconsciência, uma causando paralisia muscular, e por fim uma outra que pára o coração. Em geral, morte é declarada após 15 minutos. Na execução de Angel Nieves Diaz, este mês, o processo durou 30 minutos e os executores tiveram de repetir a dose a meio do processo - provando que não há forma humanizada de executar um ser humano.

Esta foi a 21ª execução no estado da Florida durante a governação de Jeb Bush, que fica bastante longe do recorde estabelecido pelo seu irmão, George W. Bush, enquanto governador do Texas: 152. Desde 1976, mais de mil pessoas foram executadas nos EUA, onde a pena de morte existe em 38 dos 50 estados. Mais de cem pessoas condenadas à morte foram exoneradas nesse periodo e re-consideradas inocentes. Mas estes números ficam aquém das 3,700 execuções na China, só em 2004, 90% das execuções no mundo inteiro para esse ano.

Um comentário:

João Aguiar disse...

O teu post está bom mas penso que seria importante distinguir a China dos EUA. Ou seja, o tipo de crimes que levam à execução. Por exemplo, na China há N executados porque são membros de tenebrosas mafias, políticos corruptos, caçadores de animais em vias de extinção, traficantes, etc. Não é por serem estes os condenados que a pena de morte ganha legitimidade. Mas importante distinguir. Num lado, no chinês, apesar de se poderem questionar os métodos, há uma intenção deliberada do Estado em combater o crime organizado, a corrupção, etc. Pelo seu lado, os EUA com a sua cultura da morte e da violência criam os serial killers e psicopatas que constituem o grosso dos condenados à morte. Por outro lado, os EUA têm a maior população prisional (em percentagem da população) do mundo.