Trata-se da «Jangada do "Medusa"» (1819) de Théodore Géricault (1791-1824). Refere-se a um episódio real de um barco da frota francesa que naufragou em 1816 na costa de África. O barco transportava 400 pessoas, incluindo o futuro governador Francês do Senegal, e 160 membro da tripulação. À semelhança do Titanic, os barcos de socorro foram ocupados pelos membros das classes privilegiadas, e os restantes 149 membros da tripulação montaram uma jangada com restos do navio. A jangada eventualmente perdeu-se do "comboio" dos barcos de socorro. Seguiram-se duas semanas de tempestade, assassinato, demência e canibalismo. Apenas 15 tripulantes da jangada sobreviveram e cinco morreram pouco depois do seu salvamento. O incidente gerou algum escândalo e o capitão do "Medusa", De Chaumereys, foi alvo de tribunal militar, mas posteriormente ilibado pelo governo Francês por este temer ser ridicularizado pelos Ingleses por terem nomeado como capitão um homem que nunca comandar um navio e não havia estado no mar há 25 anos. (fonte; quadro no Louvre).O meu blog primogénito é um blog em inglês, criado enquanto estava no EUA, chamado "All the World's a Stage, Act for Change" / "Todo o Mundo é um Palco, Age pela Mudança", cujo título combinava o meu interesse pelo teatro, citando Shakespeare, e o activismo político. Infelizmente não tenho conseguido actualizar muito esse blog. Mas antes de regressar a Portugal, decidi criar um blog em português, tendo optado pelo nome «Jangada de Pedra», claramente uma referência ao livro de José Saramago, muito embora considere ser um dos seus romances mais fracos e não conceber a Jangada como a Península Ibérica, mas apenas como Portugal. O quadro do Géricault, que sempre me impressionara, surgiu como ilustração, pois ali estão homens lutando pela vida, pelas necessidades mais básicas, acenando para um navio à distância, só visível ampliando a imagem (vejam detalhe da parte direita). Claro que a analogia não é perfeita. Os sobreviventes não viveram numa comunidade ideal nas condições austeras da jangada; e a esperança dos sobreviventes jaz no exterior, quase uma presença milagrosa, divina. Mas para mim simboliza esta ideia de que a esperança nunca deve morrer, que o salvamento (ou a solução, ruptura, revolução) pode estar longe, mas está à vista, longe, potencialmente inalcançável, mas é algo real, quase tangível, e que no caso concreto veio de facto a salvar os náufragos.







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