terça-feira, julho 25, 2006

Sessão Pública sobre Situação no Médio Oriente

Teve lugar hoje uma sessão pública de informação sobre a situação no Médio Oriente, promovida pela Comissão Promotora do Movimento Português Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente (MPPM). A sala da Sociedade de Língua Portguesa estava repleta de pessoas e solidariedade.
A professora Isabel Allegro Magalhães deu início à sessão lendo poesia, incluindo do poeta Palestino Mahmoud Darwish. Carlos Almeida do MPPM fez um resumo da história, passada e recente, da região da Palestina. O seu resumo não deixou de humanizar a tragédia do Povo Palestino, ao detalhar pormenores de cidades atingidas e nomes de vítimas, incluindo uma descrição emotiva do assasinato da família da pequena Huda Ghalia, que assistiu à morte da sua família enquanto goza um dia na praia.

A intervenção principal foi da Embaixadora Randa Nabulsi, Delegada-Geral da Palestina em Portugal. Nabulsi relembrou como o Povo Palestino foi abandonado pela comunidade internacional quando o Hamas foi, democraticamente, eleito para o governo. À conta da falta de fundos internacionais e o congelamento do retorno de impostos pelo Governo Israelita, os 700,00 funcionários públicos na Faixa de Gaza e Cis-jordânia não recebem salários há cinco meses, incluindo professores e médicos. Dada o bloqueio do Hamas, até recentemente, a participar na infraestrutura da Autoridade Palestina, a vasta maioria dos funcionários públicos não é afiliado ao Hamas, mas estes estão a ser punidos pela comunidade internacional. E os ataques militares sobre território Palestino continuaram. Só em Junho, faleceram 52 Palestinos, apenas 4 dos quais seriam militantes do Hamas e alvos Israelitas. Depois veio o sequestro de dois Palestinos na Faixa de Gaza (24 Junho - ver), ao que se segiu a captura de Gilad Shalit, capturado enquanto num tanque Israelita conduzindo ataques em Gaza.
Nabulsi desconstruiu a fábula que os presentes ataques Israelitas podem ser justificados pelo sequestro de soldados Israelitas pelo Hamas e Hezbollah. Relembrou como, apesar de Israel se afirmar contra a troca de prisioneiros, esta tem sido praticada no passado. Em 1979, a OLP trocou o cadaver de um Israelita por 79 Palestinos presos (isto quando a OLP e Israel não se reconheciam mutuamente). Em 1983, trocou 6 soldados Israelitas por 4,700 presos Palestinos e Libaneses. Trocas ocorreram também entre Israel e o Hezbollah. Em 2004, Israel libertou 429 presos Palestisnos, Arabes, e Libaneses e 59 Libaneses mortos em troca pelos corpos de três soldados Israelitas, desaparecidos em 2000, e um empresário Israelita (ver). Em 30 anos de conflito, Israel libertou cerca de sete mil prisioneiros em troca pela liberdade de 19 Israelitas e o retorno dos corpos de oite outros (ver).
Ao anunciar a recente captura do soldado Israelita, a Resistência Islâmica associou o sequestro no seu comunicado ao pedido de libertação de presos em Israel. A lista de presos a serem libertados inclui cerca de 20 mães, vinte raparigas e 432 rapazes. Entre a lista consta também o nome de Samir Kuntar, preso em 1979 quando tinha apenas 16 anos e condenado a quatro prisões prepétuas por ter participado num raid a Nahariya, perto da fronteira com o Líbano, para capturar Israelitas para trocar por prisioneiros (ver). Durante o seu tempo na prisão Israelita, Kuntar tem liderado greves de fome e revoltas de prisioneiros (e obteve uma licenciatura, tendo completado uma cadeira sobre o Holocausto).

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