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sábado, junho 05, 2010

Mais um navio para Gaza bloqueado

Na madrugada de Sábado (5/Junho), as forças militares Israelitas (IDF) bloquearam mais um barco do movimento Free Gaza – sediado no Chipre; seguir no Twitter) – que transportava ajuda humanitária para Gaza, forçando-o a atracar no porto Israelita de Ashod. O navio, alcunhado Rachel Corrie – em homenagem à activista Estado-unidense assassinada por uma escavadora Israelita, em 2003, defendendo um povoado Palestino em Gaza – transportava apenas onze passageiros. incluindo a Prémio Nobel da Paz Mairead Corrigan (este Prémio às vezes é atribuído a pessoas corajosas que defendem activamente a paz), tencionava desembarcar em Gaza, recusando os apelos de Israel para dirigir-se a Ashod (a 56km de Gaza) e ser inspeccionado. O Director de Política Estrangeira Israelita, Yossi Gal, prometeu transferir toda a carga, excepto armas (!), a Gaza: estou para ver. O ex-coordenador de ajuda humanitária das NU no Iraque, Denis Halliday, informou, a partir do navio, que sindicatos e oficiais de governo já haviam inspeccionado a carga. Os tripulantes recusaram-se e resistiram pacificamente a abordagem naval.

Este incidente difere do assalto ao Mavi Marmara, alcunhado Freedom Flotilla, que envolveu comandos do IDF a descerem de helicópteros militares, e que resultou na morte de vários passageiros. O IDF alega que os tripulantes resistiram com facas e machados. Bom, resistência pacífica é muito bom, mas se eu estivesse num navio em águas internacionais transportando ajuda humanitária para um povo diariamente alvejado de forma indiscriminada e visse comandos a descerem de rapel armados até aos dentes talvez pegasse numa faca para me proteger. Vejam bem, tal era a ameaça, que entre os tripulantes – cerca de 700 – houve mortes, mas entre os comandos apenas li que três foram atingidos, ficarem inconscientes, foram momentaneamente presos, voltando depois para junto dos IDF, ilesos. Segundo Israel vários tripulantes pertenciam ao grupo Turco "Fundação pelos Direitos Humanos, Liberdade e Ajuda Humanitária" (IHH), que consta da lista Israelita de organizações terroristas por alegadas ligações ao Hamas. [Note-se que o IHH não consta da lista análoga do Departamento de Estado dos EUA, que não é propriamente exclusiva.]

A não-violência desta última intersecção Israelita sublinha que o mais repreensível por parte de Israel não são os mortos, ainda que lamentáveis, do Mavi Marmara mas o bloqueio ilegal a Gaza, o desrespeito de Israel pela Lei Internacional, o cerco e lento massacre de um povo. Esse sim é o crime mais profundo.

(Informações extraídas do jornal Israelita Ha'aretz)
Sobre a história recente de Gaza vejam livro de jornalista do Ha'aretz Gideon Levy (nenhum parentesco recente):

segunda-feira, maio 31, 2010

Mais um crime de Terrorismo de Estado Israelita

As forças militares Israelita, contra as mais básicas leis internacionais, atacaram um barco que transportava toneladas de bens de primeira necessidade em ajuda humanitária para o povo Palestino na Faixa de Gaza. O ataque causou à data 15 mortos e impediu a entrega dos mantimentos aos Palestinos que enfrentam uma crise humanitária devido ao estrangulamento Israelita.
Como justifica Israel este ataque? Com base no bloqueio económico por si mesmo imposto desde 2007, e que não tem qualquer sustento legal, por exemplo ao nível das Nações Unidas (contrariamente às resoluções do Conselho de Segurança sobre a constituição de um Estado Palestino).
Havia algum perigo imediato? Quando primeiro ouvi a notícia ainda pensei que Israel justifica-se a sua acção com base em inteligência que indicasse a presença de armamento, sei lá, para o Hamas. [Actualização a 5 de Junho: segundo Israel tripulantes do Mavi Marmara pertenciam ao grupo Turco "Fundação pelos Direitos Humanos, Liberdade e Ajuda Humanitária" (IHH), que consta da lista Israelita de organizações terroristas por alegadas ligações ao Hamas]. Esse teria sido um argumento que, embora não justificando o ataque, teria feito sentido dentro da lógica de defesa Israelita. Mas não. Não encontro nenhuma justificação nesse sentido, nenhuma dúvida Israelita sobre o conteúdo e missão do navio. Apenas recurso ao bloqueio ilegal para justificar uma acção imoral: o ataque a ajuda humanitária. Uma fonte noticiosa(*) informa que (sublinhado meu):
«As autoridades israelitas já lamentaram o número de mortos, mas dizem que os seus militares foram provocados pelas tripulações dos navios que, de acordo com o ministro do Comércio e da Indústria, empunhavam machados e facas. Informação desmentida pelo porta-voz das organizações que integravam os navios.»
Mesmo que tal fosse verdade, esta justificação dá uma vontade de rir no meio da desgraça. Face ao acenar de facas por parte de uns tripulantes num navio, manda-se bombas que matam e destroem: eis a noção Israelita de "resposta proporcional". Mais uma prova que os governos belicistas de Israel e as suas forças armadas perderam o tino, e assumem o Terrorismo de Estado como prática corrente.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação, esta a apelar a signatários de uma posição conjunta a entregar à Embaixada de Israel, na próxima Quarta-feira, dia 2 de Junho, pelas 18h00 (R. António Enes 16, transversal à Av. 5 de Outubro)

sexta-feira, abril 10, 2009


O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) tem (finalmente) um sítio na internet. Consultem e divulguem.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Palestina livre: 24/Jan às 14h30 no Lg Camões

No próximo sábado (24 de Janeiro) pela 14.30, do Largo Camões em Lisboa, vai ter lugar nova concentração para exigir:
  • fim do massacre Israelita do povo Palestino
  • fim do bloqueio Israelita na Faixa de Gaza
  • liberdade para a Palestina
  • fim dos acordos bilaterais entre Portugal e Israel enquanto não forem cumpridas as resoluções da Nações Unidas, restabelecida a paz no território, e criadas condições para um estado Palestino livre e soberano
Esta iniciativa é organizada pela Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque, a CGTP-IN, o Comité de Solidariedade com a Palestina[*], o Conselho para a Paz e Cooperação (CPPC), o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, e o Movimento Democrático de Mulheres (MDM); a apoiado por mais de uma centena de organizações.

Quem ainda pretende preservar alguma "imparcialidade" neste conflito, argumentando que ambos os lado são responsáveis por crimes, ataques militares e terrorismo, faço duas perguntas:
  • Há ou não um povo que oprime outro? Gozam os Palestinos dos meus direitos e privilégios no seu território que os judeus Israelitas em Israel? Especifico judeus israelitas, porque não nos podemos esquecer que em Israel também existem cidadãos Palestinos. E se alguém pensa que eles gozam dos meus direitos de cidadania que os judeus Israelitas, leiam a recente decisão do Comité Central de Eleições que decidiu banir dois partidos árabes – o Balad e a Lista-Ta'al de Árabes Unidos – de concorrem nas eleições legislativas do próximo mês. Decisão esta tomada a pedido de dois partidos da ultra direita – Yisrael Beiteinu e a Partido Religioso de União Nacional.
  • Quantos mortos e feridos se registam entre os civis das duas populações? Os números parecem-me reveladores de uma certa desproporção na eficácia dos morteiros do Hamas e de as forças armadas terrestres, aéreas e marinhas de Israel. Parecem-me também indicar que, embora os morteiros enviados a partir dos territórios causem feridos, mortos e medo, que este último é propositadamente exacerbado pelo Governo com o objectivo de criar uma justificação para o bloqueio criminoso, ao ponto de proibir a entrada am Gaza de ajuda médica e humanitária, e para o massivo e indiscriminado massacre militar, que tem chegado ao ponto de destruir instalações das Nações Unidas

Com o lema "Fim ao Massacre na Palestina, Solidariedade com o Povo Palestiniano", está a decorrer uma campanha de esclarecimento do PCP (ver).



______________________________

[*] - Removeu-se da organização da manifestação de sábado após o discurso de Ehud Olmert discutindo um possível cessar-fogo. Discurso este claramente para apaziguar os líderes Europeus na audiência, e no qual faz uma explícita associação entre um cessar-fogo e a tomada de posse do Barack Obama.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Escudos Humanos?

Sempre que há um conflito entre forças militares organizadas de um Estado contra forças populares autóctones (que podem até ter uma componente uniformizada), surge o argumento dos "escudos humanos" por parte da força beligerante militarizada para justificar a desproporcionalidade dos seus meios e a morte de inocentes. É paradoxal como este argumento é usado para explicar que o adversário não está a jogar consoante as "regras de guerra", como se essas ainda existissem. A Segunda Guerra Mundial é repleta de histórias de trocas de uniformes; uso de militares infiltrados, vestidos à civis; propagação de falsa informação; encenação de bases militares com falsos tanques e aviões. E isso num cenário onde as partes tinham forças militares uniformizadas. Até que se podia dizer que o Alto Comando Nazi, protegido no seu bunker subterrâneo, usou a população de Berlim como um escudo humano.

Os "vietcong" eram acusados de estarem misturados na população civil, justificando assim a destruição de aldeias inteiras e seus campos agrícolas, seja por pelotões no terreno, quer pelo uso indiscriminado de napalm. Mas recentemente, os EUA usarem esse argumento no Afeganistão e Iraque, no bombardeamento de casamentos. O mesmo argumento, agora florido com existirem "armas inteligentes" de grande precisão", e de que existe uma grande preocupação em evitar vítimas civis. Hão-de me explicar como a artilharia naval de Israel sobre um campo de refugiados Palestino é suficientemente inteligente para apenas atingir membros do Hamas ou seus arsenais. Israel pode ser franco. Está a usar forças militares para liquidar um povo já por sí impressionado. Dirão que a culpa é da Autoridade Palestina, por não ter sido suficientemente eficaz e motivada para desmilitarizar os grupos com stocks de armas. Mas nunca foram criadas condições bilaterais que permitissem ao Povo Palestino e à Autoridade Palestina sentir-se autónoma, soberana, independente e livre de novas agressões Israelitas, pelo que nunca foi possível desmilitarizar os grupos que, com muita razão, se preparavam para novos assaltos militares. A Autoridade Palestina não tinha recursos para o fazer, nem argumentos convincentes, porque nunca existiu um efectivo clima de paz, algo muito distinto de um cessar-fogo temporário.

Eu, cidadão português, que vivi a maior parte da minha vida no pós-25 de Abril, aceito que durante o fascismo se tenha chegado ao ponto de conduzir ataques militarizados à estrutura fascista, como um complemento menor à grande tarefa de mobilizar a população (militar e civil) para se levantar e derrubar o regime, como acabou por fazer. Seria, no contexto português, contra ataques a "civis". Mas esse é o meu contexto. Se tivesse vivido toda a minha vida num campo de refugiados, constantemente ameaçado, efectivamente impressionado, sem controle sobre o acesso a água, aos mercados, aos locais de trabalho, sem possibilidade de me descolar livremente dentro do meu território, com checkpoints militares de uma força militar vizinha, com a destruição frequente de casas e terrenos agrícolas, com a morte de vizinhos e familiares; enfim, se vivesse toda a minha vida sob tal clima de violência não sei qual seria a minha reacção, por muito que racionalmente possa dizer, por princípio, aqui sentado ao meu computador, que sou contra ataques a civis como estratégia e táctica. Não estou a fazer a apologia de ataques terroristas a locais de grande concentrações de civis. Apenas a apelar à empatia e solidariedade perante um povo oprimido, e à não utilização de um duplo critério. Se Israel diz o "direito à auto-defesa" para justificar territórios fora das suas fronteiras, que inclui a morte de pelo menos 100 crianças, segundo a organização humanitária Save the Children, então que não se pode negar o "direito à auto-defesa" do povo Palestino de também se defender, com consquências trágicas para civis Israelitas. Há um ciclo vicioso de violência que ou se procura quebrar, trabalhando para construir um clima de paz efectiva, ou as consquências são terríveis. Mas é um ciclo onde as responsabilidades não são equivalentes. Com que direito é que Israel bloqueia os territórios Palestinos, porque não aceita a força política escolhida eleitoralmente pelo Povo Palestino. Num conflito entre um povo opressor e um povo oprimido, a minha solidariedade está perante o povo oprimido, que é o caso do povo Palestino, como qualquer observador objectivo conclui.

Mas voltando novamente à expressão "escudo humano". Procuremos humanizá-lo, em vez de falar no abstracto. Quantos filmes e séries de televisão não têm a cena de um criminoso (ou falsamente acusado) homem que se esconde das forças policiais por detrás de um raptado. Este dilema tem tido várias soluções nas séries dramáticas, que são ensaios hipotéticos de dilemas reais. Há naturalmente variantes. O polícia com pontaria certeira que atinge o raptor, sem que o escudo humano seja lesado. O polícia que dispara sobre o escudo humano, sem o matar, mas deixando o raptor livre para o tiro fatal. Até um filme (cujo nome não me vem à memória) em que o polícia dispara através do escudo humano para atingir o raptor. Estas variantes criativas à parte, na maior parte dos casos, e assim será também, imagino, nos cenários reais, não se toma o risco de que o raptor dispare sobre o "escudo humano", e se for inevitável deixa-se o raptor fugir para se salvar a vida do inocente "escudo humano". Porquê? Por que se dá valor à vida dessa pessoa.

Imputar a culpa ao Hamas, ou seja qual for a organização, de usar escudos humanos e com isso culpabilizá-los pela morte dos inocentes "colaterais", é um argumento que só é possível porque não se atribui valor aos escudos humanos. São vítimas "necessárias" para atingir o raptor, o criminoso, o terrorista. Quando os ataques são feitos à distância, com inteligência pouco segura (sobre a real presença dos ditos criminosos, quantos serão, e quantos serão os escudos humanos), com má precisão no armamento, é porque a morte de civis se tornou por parte do agressor uma abstracção, se esses civis não têm o mesmo valor dos seus compatriotas.

Desde a recente agressão militar Israelita, umas 280 famílias – 1.674 pessoas – refugiaram-se numa escola gerida pelas Nações Unidas, Al Fakhura, localizada no campo de refugiados de Jabaliya. Alguns vindos a pé de locais onde os ataques eram mais intensos no Norte de Gaza. Israel afirmou que uma investigações preliminar indicava que morteiros tinham provindo da esocla, e lançaram morteiros sobre ela, arrassando a escola e matando cerca de 40 pessoas fora da escola, incluindo 10 crianças e 5 mulheres. Os militares israelitas afirmam ter identificado dois membros do Hamas. (o que em si não constitui prova de crime). Mas os afirmam que os morteiros não tinham vindo da escola ou do seu complexo, mas de outro local do bairro. É isto o Hamas usar um "escudo humano", ou é falta de critério e inteligência fidedigna, e uso indiscriminado de violência por parte da IDF?

sábado, janeiro 03, 2009

PELO FIM IMEDIATO DA AGRESSÃO POR ISRAEL NA FAIXA DE GAZA!

PELO FIM IMEDIATO DA AGRESSÃO POR ISRAEL NA FAIXA DE GAZA!

PELA RETIRADA, DESDE JÁ, DAS FORÇAS ISRAELITAS!

PELO RESTABELECIMENTO DE UM CESSAR-FOGO!

SOLIDARIEDADE E INDEPENDÊNCIA PARA O POVO PALESTINO


Somam-se os ataques de Israel à Faixa de Gaza. Somam-se os mortos e feridos inocentes.

Mas acumulam-se também os protestos e manifestações de solidariedade: dezenas de milhar em Beirute; 50 mil no Egipto (ver védeo do protesto em Cairo); milhares no Irão; em Jakarta; em Nairobi; nas cidades ocupadas do Iraque (Baghdad, Mosul, Najaf, Kuffa, etc.); dos cidadãos árabes e judeus em Israel (em Haifa, Tel Aviv, Jerusalem, Jaffa, Nazaret, Um el-Fahem, Tira, Taybeetc.); em Londres; em Madrid; em várias cidades dos EUA ver resumo.

Em Portugal estão previstas um conjunto de acções unitárias previstas para a próxima semana convocadas e organizadas pela CGTP, Comité de Solidariedade com a Palestina, Conselho para a Paz, Tribunal Iraque, MDM, Bloco de Esquerda, Associação Abril, FER, Colectivo Rubra, Política Operária, SOS Racismo, Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, Jornal Gueto, Colectivo Mumia Abu-Jamal, SPGL e outras entidades.
  • 5 de Janeiro (2ªfeira): Acção de protesto no Largo de S. Domingos (em frente à Ginginha, no Rossio, Lisboa), a partir das 18 horas.
  • 7 de Janeiro (4ª feira), Sessão Pública de Esclarecimento do MPPM (ver abaixo)
  • 8 de Janeiro (5ª feira), concentração frente à Embaixada de Israel (ver abaixo)

SESSÃO PÚBLICA DE ESCLARECIMENTO
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009 – 18.30 horas
Na Sede da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Rua da Palma, 248 – Lisboa

Intervenções dos Dirigentes do MPPM:
CARLOS ALMEIDA, Investigador Científico
JOSÉ MANUEL GOULÃO, Jornalista

MPPM – Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente
Presidente da Assembleia Geral José Saramago Co-Presidentes do MPPM Isabel Allegro Magalhães, Mário Ruivo Vice-Presidentes Carlos Carvalho, Frei Bento Domingues, José Neves Coordenador Silas Cerqueira Presidente do Conselho Fiscal Frederico da Gama Carvalho
Rua Silva Carvalho, 184 – 1º Dtº 1250-258 Lisboa Portugal Tel. 213 889 076 Fax 213 889 136 mppm.palestina@gmail.com NIPC: 508267030




Há também petições electrónicas que podem assinar, incluindo, por exemplo, esta do Internacional Action Center.

Leiam também o comunicado do Conselho para a Paz e Cooperação:
CPPC condena massacre na Faixa de Gaza

O Conselho Português para Paz e Cooperação condena firmemente o massacre perpetrado pelas forças militares israelitas contra a população da Faixa de Gaza durante o fim-de-semana, que já provocou mais de 300 mortos e cerca de 1500 feridos. Estes ataques são um exemplo particularmente cruel da política de terrorismo de Estado que Israel pratica há várias décadas contra o povo da Palestina e o seu direito a constituir-se em Estado soberano.

As acções militares dos últimos dias sucedem-se a um conjunto de provocações e assassinatos de activistas e dirigentes palestinianos perpetrados nas últimas semanas. A nova ofensiva agrava as precárias condições de vida da população na região, cujas condições de vida foram severamente degradadas pelo cruel cerco imposto por Israel há 18 meses atrás.

Esta agressão militar desenrola-se num período de transição quer para o governo de Israel, onde o primeiro-ministro está demissionário e a sua sucessão é disputada, quer para o governo dos EUA, a poucas semanas de um novo presidente e seu governo assumirem a administração. O momento destas transições serve assim de oportunidade para cometer um crime iludindo a autoria de quem o comanda – o sionismo associado ao imperialismo norte-americano – para o deixar passar mais uma vez impune.

O CPPC alerta para as consequências que estes ataques poderão ter ao abalar a já muito tensa situação no Médio Oriente, onde proliferam forças estrangeiras de ocupação em combate ou estacionadas em bases militares, arriscando o agravamento de outras frentes e focos de conflito.

O CPPC exige que o Governo Português e a União Europeia condenem com vigor estes ataques e tomem todas as medidas ao seu alcance para que Israel ponha cobro de imediato a este criminoso massacre e ao desumano bloqueio à Faixa de Gaza.

O CPPC rejeita as reacções da «comunidade internacional» que tendem a considerar esta questão como um conflito entre estados, face ao qual pretende permanecer «neutral» – como se não existisse um país ocupante e um povo desterrado e um território ocupado – o que, na prática, significa apoio implícito à política terrorista de Israel e às suas intenções expansionistas.

O CPPC presta homenagem às vítimas destes ataques, e demonstra a sua solidariedade para com o povo da Palestina que resiste e as forças palestinianas que combatem, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a ocupação sionista, reafirmando as exigências fundamentais para uma efectiva resolução deste conflito:

O levantamento do bloqueio a Gaza;
O fim da ocupação israelita;
O desmantelamento dos colonatos;
A remoção do muro de separação;
O estabelecimento do Estado da Palestina, com Jerusalém Leste como capital;
A resolução justa do problema dos refugiados.

29 de Dezembro de 2008

segunda-feira, novembro 17, 2008

Solidariedade com o Povo Palestino





O «Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente» (MPPM) promove uma sessão de solidariedade intitulada



"Por uma Independência Soberana, Por uma Paz Justa"

3ª 18 Nov às 21h

na Casa do Alentejo
Rua das Portas de Stº Antão, 58 – Lisboa (mapa)

que será presidida por
José Neves – Vice-Presidente do MPPM

e conta com intervenções de
José Saramago – Prémio Nobel da Literatura, Presidente da AG do MPPM
Embaixadora Randa Nabulsi – Delegada-Geral da Palestina
José Manuel Pureza – Prof. Universitário, da Direcção Nacional do MPPM
Carlos Carvalho – Dirigente Sindical, Vice-Presidente do MPPM
Frei Bento Domingues – Frade dominicao, Vice-Presidente do MPPM

terça-feira, agosto 12, 2008

Homenagem a Mahmoud Darwish

Na passada 3ª feira faleceu Mahmoud Darwish, um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, cuja actividade literária e política fizeram dele o poeta nacional da Palestina.

Nasceu em 1942, na vila de Barweh, na Galileia. Com o estabelecimento do Estado de Israel, a Barweh foi arrasada, juntamente com outras 400 aldeias Palestinas, e a família fugiu para o Líbano, tendo depois regressado ilegalmente para a vila vizinha de Dayr-al-Asad. Darwish e a sua família tornaram-se assim refugiados internos sob o regime militar Israelita.
Muito cedo assumiu uma activa vida política e literária activa, e as duas estiveram sempre muito interligadas, sendo referido como o poeta da resistência. Recitava a sua poesia e viajando clandestinamente de vila em vila. Foi membro do Partido Comunista de Israel nos anos 60, depois juntou-se à Organização de Libertação da Palestina. Foi membro do Comité Executivo da OLP, mas pediu demissão devido à assinatura pela OLP dos acordos de paz de Oslo.
Devido às suas actividades, Darwish foi preso repetidas vezes, tendo-se exilado em 1970, primeiramente para a URSS, depois para o Egipto, Líbano e França. Em 1996, foi-lhe finalmente concedido autorização para viver em Ramallah, na Faixa de Gaza.
Publicou mais de 30 volumes de poesia e prosa, traduzida em 35 línguas. O seu primeiro livro de poesia, Aves sem Asas, aos 19 anos de idade. Ganhou um número de prémios durante a sua vida, incluindo o Prémio Lenine da Paz em 1983 e o Prémio de Liberdade Cultural da Fundação Lannan, em 2001. Em Portugal, encontra-se publicado e traduzido pelo Campo de Letras. A sua peosia foi adaptada também para música, incluindo por Marcel Khalife.

Ler e recitar Darwish tornou-se para muitos palestinos e árabes um acto de identificação, de resistência e luta, de reflexão e inspiração.

Ofereço aqui a tradução de um seu poema (a partir do Inglês):

A Menina / O Grito

Há uma menina na costa marítima
E a menina tem uma família
E a menina tem uma casa
E a casa tem duas janelas e uma porta.
E no mar está um barco de guerra jogando um jogo
alvejando os que passeia na costa.
Quatro cinco sete caiem na areia.
A menina é poupada por uma manga de névoa
uma certa manga celestial veio salvá-la.
Ela chama o Pai: meu Pai, vamos para casa, este mar não é para nós.
E o pai não responde.
Ele está deitado ali numa agonia de ausência, envolvido na sua sombra numa agonia de ausência.
Sangue nas suas palmas, sangue nas nuvens,
Os seus gritos voam para longe com ela para a costa e mais alto.
Ela grita na noite da selva
O eco não tem eco
E a menina torna-se no grito eterno de um evento noticioso tornado obsoleto pelo retorno dos aviões
para bombardear a casa com duas janelas e uma porta.

sexta-feira, maio 23, 2008

Deputado Árabe ao Knesset visita Portugal

A convite do MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, visita Portugal, de 24 a 28 Maio, o sr. Mohammad Barakeh, deputado ao Knesset (Parlamento de Israel) pela Hadash – Frente Democrática pela Paz e Igualdade.
Mohammad Barakeh e José Saramago serão alguns dos oradores convidados da Sessão Pública de Solidariedade com a Palestina, evocativa dos 60 Anos da Nakba – a “Catástrofe”, que marcou o início da limpeza étnica da Palestina pelo Estado de Israel –, que o MPPM promove, na próxima 2ª Feira, 26 de Maio, pelas 21 horas, no Teatro Cinearte / A Barraca.
Durante a sua estada em Portugal o sr. Barakeh terá, ainda, encontros com diversas personalidades da vida política portuguesa e uma reunião de trabalho com os órgãos sociais do MPPM.
Mohammad Barakeh nasceu em Israel, em 1955. É casado e tem 3 filhos.
É Presidente da Frente Hadash, um movimento político que congrega árabes e judeus e é a principal organização política dos cidadãos palestinos árabes de Israel, e é membro da Comissão Política do Partido Comunista de Israel.
Entre 2003 e 2006 foi vice-presidente do Knesset. Na actual legislatura, é membro das comissões parlamentares de Finanças e de Educação, Cultura e Desporto. Desde 1999 tem, ainda, desenvolvido actividade parlamentar, nomeadamente, nas áreas de combate à droga, combate à desigualdade social e inquérito aos serviços de segurança.
Mohammad Barakeh é Coordenador da Comissão para a Protecção das Terras Árabes em Israel, Administrador do diário Al-It’had, Administrador do Instituto de Pesquisa Emil Tomah e membro Conselho Internacional Central para a Paz no Médio Oriente. Foi Presidente da Comissão de Estudantes Árabes da Universidade de Telavive (1977-1981) e Presidente da União de Estudantes Árabes nas Universidades Israelitas (1981-1984)

Segundo comunicado do Partido Comunista de Israel
No passado dia 20, Barakeh foi interrogado pela polícia Israelita, em relação acusado de ter criado provocações políticas, em particular alegado "assalto sobre um civil e um polícia" durante duas manifestações contra a Segunda Guerra do Líbano, em Tel-Aviv durante 2006. Barakeh acusou a polícia de estar a criar provocações políticas, acrescentando que a "polícia está mais ocupada a monitorizar mentes que a monitorizar as ruas."

Durante mais de um ano, Barakeh ignorou os pedidos da polícia para comparecer, até que o chefe das investigações e da inteligência Israelita, o Major General Yochanan Danino, apelou a várias figuras políticas, incluindo o líder do Knesset, Dalia Itzik. Barakeh compareceu então à estação de polícia. Dez activistas de extrema-direita, incluindo Itamar Ben-Gvir, aguardavam Barakeh no exterior da estação, onde o chamaram de "traidor" e afirmando que "noutro país seria enforcado".

Depois do interrogatório, Barakeh disse "saio com o mesmo sentimento com que entrei—é tudo uma aldrabice. É uma provocação da polícia, que quer evitar que eu recorra à Unidade de Assuntos Internos, pois foi a polícia que agiu violentamente naquelas manifestações, que tiveram lugar com licença."

quarta-feira, novembro 21, 2007

Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino

Sessão Pública Comemorativa do
Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino

29 de Novembro (5ª feira), 21 horas
Biblioteca do Museu da República e Resistência

Rua Alberto de Sousa, nº 10 A, Zona B do Rego, 1600 Lisboa
Metro - Cidade Universitária ou Entrecampos

sábado, julho 21, 2007

Reunião do "Quarteto" em Lisboa


AQUANDO DA REUNIÃO DO "QUARTETO",
EM LISBOA, A 19 DE JULHO DE 2007,
SOLIDARIEDADE COM O POVO PALESTINO

Perante esta nova reunião do "Quarteto" de mediação internacional para a questão da Palestina (EUA, Rússia, EU, ONU) que se realiza em Lisboa no dia 19 do presente mês de Julho - e na sequência de outras acções de formação da opinião pública e de apelo aos governos e instâncias internacionais –, o MPPM vem agora apelar aos intervenientes nesta reunião para a imperiosa e urgente necessidade de encontrar formas eficazes de solidariedade para com o Povo Palestino, tomando as decisões políticas imprescindíveis para o respeito pelos direitos desse Povo e a Paz no Médio Oriente.

1. O MPPM lamenta e outra vez reprova inequivocamente os actos de violência e de divisão levados a cabo por organizações internas da Palestina. Na verdade elas revelam uma falta de sentido da responsabilidade que lhes cabe perante o serviço que devem ao Povo que representam.

Nesse contexto, considera porém indispensável chamar a atenção para a situação em que foi deixado o povo da Palestina, desde a sua livre escolha eleitoral em 2006: vítima agravada de um implacável bloqueio internacional e assim ameaçado de um desastre humanitário que torna iminente o perigo de uma crescente fragmentação do território palestino e de um forçado e massivo êxodo de refugiados, tal como aconteceu em 1948.

2. Simultaneamente, o MPPM considera imprescindível a condenação do governo de Israel que - com o apoio dos EUA e a complacência silenciosa da EU – tem continuado as suas constantes e renovadas manobras de desestabilização nos territórios palestinianos, com mortíferas incursões militares em Gaza e violenta repressão na Cisjordânia, num contexto de agravamento de tensões, provocações e guerras no Médio Oriente. Reitera assim que a causa primeira e decisiva de tão grave crise reside na perpetuação da ocupação israelita por impotência ou recusa da comunidade internacional.

3. Perante esta situação duplamente agravada, o MPPM chama a atenção para a necessidade de a impotência e a ausência de vontade política nas formas de mediação, em particular por parte deste "Quarteto", virem a ser rapidamente ultrapassadas. A sua constante debilidade de posições tem, aliás, sido reconhecida internacionalmente, como é visível, por exemplo:

- nas declarações do Secretário-Geral da Liga Árabe, no passado dia 12, ao afirmar que o "Quarteto" "não tem sido capaz desempenhar qualquer papel" pela Paz no Médio Oriente; e

- nas críticas do oportuno Relatório Confidencial de Fim de Missão do demissionário diplomata peruano Álvaro de Soto - de Maio de 2007 e divulgado pouco depois pela imprensa britânica -, "Coordenador Especial das Nações Unidas para o processo de Paz no Médio Oriente e Representante Pessoal do Secretário-Geral da ONU junto da OLP e da Autoridade Palestina". Aí é apontado o dedo não só aos E.U.A., acusados (e com antecipação) de "fomentar claramente uma confrontação entre a Fatah e o Hamas", como também à comunidade internacional, responsável por permitir que o "Quarteto" negocial (EUA, EU, Rússia, ONU) se tenha transformado "[…] num órgão que praticamente impõe sanções a um governo [do Hamas] livremente eleito […] e que estabelece condições prévias para o diálogo impossíveis de alcançar", ao mesmo tempo que "retira qualquer pressão sobre Israel".

4. Por isso o MMPM vem neste momento apelar, e com toda a veemência, aos intervenientes do "Quarteto" que amanhã se reúne em Lisboa, no âmbito da Presidência portuguesa da U.E, para que sejam tomadas decisões operativas, dando assim cumprimento às resoluções da ONU e, em conformidade com o Direito Internacional, promovendo com urgência o seguinte:

- Condições favoráveis à rápida superação da perigosa crise inter--palestina actual, que passa pela mediação, o restabelecimento do diálogo e a reconciliação inter-palestinos e o entendimento e cooperação entre todas as forças nacionalistas sem exclusões (de que o Acordo de Meca, em Fevereiro, deu um exemplo);

- Um autêntico processo de Paz, sem segregações, com todas as partes envolvidas na Cisjordânia e em Gaza, no plano humanitário como no plano político - abrindo caminho ao exercício dos direitos inalienáveis do Povo palestino à autodeterminação e à independência e a um futuro de liberdade, justiça e progresso social na região;

- O reconhecimento do direito do Povo Palestino a um Estado independente que integre os territórios da Margem Ocidental do Jordão (Cisjordânia) e Faixa de Gaza, com Jerusalém Leste como capital, bem como a garantia do direito ao regresso dos refugiados palestinos.

Na presente conjuntura e nesta reunião de Lisboa, para a credibilização do papel do "Quarteto" perante o Povo palestino, a opinião pública árabe e a Comunidade Internacional, deverá ser assumida - como condição sine qua non - a marcação efectiva de um prazo-limite claro para o fim da ocupação israelita. Caso tal se não verifique, quaisquer outras medidas poderão continuar a ser meramente retóricas e sem impacto para porem fim à ocupação.

Como movimento de opinião e solidariedade com a justa Causa da Palestina, o MPPM renova o seu Apelo quer à opinião pública nacional quer ao Governo português, para que durante a sua Presidência da União Europeia se empenhe em levar a U.E. a empreender uma política própria e a dar sucessivos e eficazes passos no sentido de uma mudança de rumo político quanto à situação do Povo da Palestina.

Lisboa, 18 de Julho de 2007

Pela Comissão Instaladora do MPPM

Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente - MPPM
Rua Silva Carvalho, 184-1º Dtº● 1250-258 Lisboa ● Portugal ● mppm.palestina@gmail.com

terça-feira, julho 17, 2007

Debate sobre Palestina e Israel

Debate sobre Palestina e Israel
dia 19 de Julho, pelas 21 horas,
na sede da Associação 25 de Abril, na

Rua da Misericórdia, n.º 95, em Lisboa.



Estiveram recentemente na Palestina e em Israel, a participar numa conferência internacional pela paz na região, promovida por organizações palestinianas e israelitas, dois elementos do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC).

No âmbito desta conferência, foi possível conhecer mais aprofundadamente questões como as consequências do «muro de separação» que Israel está a erguer na Cisjordânia, as implicações nas condições de vida do povo do bloqueio internacional aos sucessivos governos palestinianos ou o problema dos presos políticos.

A mesa será composta por José Goulão, jornalista e membro da mesa da Assembleia-Geral do CPPC, e pelos dois elementos que visitaram os territórios, Gustavo Carneiro, da Direcção Nacional, e Vítor Paulo Silva, do núcleo de Beja do CPPC.

Num momento particularmente difícil para a luta libertadora do povo da Palestina, o CPPC e a Associação 25 de Abril consideram que este debate poderá constituir um importante momento de esclarecimento e reforço dos laços de solidariedade com o povo da Palestina e com os que, em Israel, pugnam pelo fim da ocupação e pelo respeito pela soberania do povo palestiniano.

quarta-feira, junho 06, 2007

Embaixada de Israel impõe posto de controlo (check-point) em Lisboa

Perante uma sala, na Casa do Alentejo, repleta de apoiantes da causa Palestina, Silas Cerqueira explicou que no dia sequinte (3a, dia 5 de Junho) uma delegação iria entregar uma carta na Embaixada de Israel em Lisboa apelando ao fim dos 40 anos de ocupação Israelita da Cisjordânia e Faixa de Gaza. Explicou que apenas dois representantes foram autorizados a entrar, tendo-lhes sido requisitado previamente a informação do bilhete de identidade.

Chegada à embaixada, porém, o entrada foi recusada. A Embaixada usou como pretexto "a presença de mais de 5 pessoas" na rua da Embaixada, o que constituía uma "manifestação provocatória". Tratava-se na verdade de uma dezena de representantes das 55 ONG's signatárias no passeio fronteiro à Embaixada (sem qualquer pano ou gritando palavras de ordem).

Mais grave: a Embaixada de Israel – provavelmente deturpando a realidade da situação e alegando perigos inexistentes – levou a PSP a mobilizar dispositivos policiais consideráveis (três carros-patrulha e uma carrinha do Corpo de Intervenção) e totalmente desproporcionados, dada a inexistência de qualquer alteração da ordem pública, ou sequer de uma manifestação que nunca chegou a estar prevista.

Tal como em numerosas outras ocasiões recentes, a PSP pediu a identificação dos dois representantes das ONG's que tinham o encontro marcado na Embaixada, numa acção que confirma as tendências incriminatórias e repressivas crescentes que o Governo e o seu Ministério da Administração Interna têm vindo a generalizar.

Eis a Carta-Apelo dirigida ao Estado de Israel
Assinala-se hoje, dia 5 de Junho, o início da Guerra dos Seis Dias de 1967, da qual resultou a ocupação por Israel de Jerusalém Oriental, da Margem Ocidental do Jordão e da Faixa de Gaza.
Cumpre-nos transmitir-lhe em nome das organizações Portuguesas subscritoras desta missiva, que é urgente pôr fim a 40 anos de ocupação israelita dos territórios palestinianos, a 40 anos de violação sistemática e brutal dos direitos mais básicos e fundamentais do povo palestino, a 40 anos de negação do direito do povo palestino a ter um Estado independente, soberano e viável nos territórios ocupados. O povo palestino não pode continuar a ser refém na sua própria terra. Israel não pode continuar a afrontar abertamente o direito internacional e as inúmeras resoluções da Organização das Nações Unidas, que não só condenam a ocupação, como exigem o seu fim.
A Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU reconhece ao Estado de Israel o direito a «viver em paz no interior das suas fronteiras seguras e reconhecidas», mas não deixa dúvidas quanto à «inadmissibilidade da aquisição de terras pela guerra», e exige de Israel a «retirada das forças armadas israelitas dos territórios ocupados», bem como a resolução do problema dos refugiados. Quarenta anos depois, esta Resolução continua letra morta.
Os incomensuráveis sofrimentos repetidamente infligidos ao povo Palestino – que configuram crimes contra a humanidade e merecem a nossa enérgica condenação – a par da disseminação de colonatos ilegais e da construção do Muro de separação – já condenado pelo Tribunal Internacional de Justiça – configuram uma deliberada política de inviabilização da construção de um Estado Palestiniano livre, soberano e viável.
O povo Português, como a generalidade dos povos do mundo, defensor da Paz e da Liberdade, estará entre os primeiros a apoiar uma paz justa e duradoura em toda a região do Médio Oriente, que garanta a segurança de todos os povos da região. Mas nunca calará a denúncia dos crimes da ocupação.
CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação
MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente
CGTP/IN – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional
APD – Associação Portuguesa de Deficientes
Associação de Amizade Portugal-Cuba
Associação Vidas Alternativas
ATTAC Portugal
Casa do Alentejo
CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal
Colectivo Solidariedade com Múmia Abu Jamal
Comissão de Paz de Almada do CPPC “Almada Pela Paz”
Comissão de Paz de Beja do CPPC
Comissão de Paz do Seixal do CPPC
Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto
Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos
FAR - Frente Anti-Racista
Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública
FENPROF – Federação Nacional dos Professores
FEVICCOM – Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro
FNTCT – Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações
Follow the Women Portugal
GRAAL
Interjovem / CGTP
Inter-Reformados / CGTP
JOC – Juventude Operária Católica
MDM – Movimento Democrático de Mulheres
MURPI – Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos
Olho Vivo – Associação de Defesa do Património, Ambiente e Direitos Humanos
OPUS GAY
Pax Christi Portugal
Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimentos e Similares do Sul e Regiões Autónomas
Sindicato dos Vidreiros
Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário
SINORQUIFA – Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Norte
Sociedade de Instrução e Beneficência “A Voz do Operário”
Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense “Os Penicheiros”
SOS Racismo
SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
STAL – Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local
Teatro Experimental de Cascais
Tribunal Iraque
União dos Sindicatos da Região Autónoma da Madeira
União dos Sindicatos de Beja
União dos Sindicatos de Braga
União dos Sindicatos de Coimbra
União dos Sindicatos de Évora
União dos Sindicatos de Leiria
União dos Sindicatos de Lisboa
União dos Sindicatos de Setúbal
União dos Sindicatos de Viana do Castelo
União dos Sindicatos do Norte Alentejano
URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses

sexta-feira, junho 01, 2007

Liberdade para a Palestina e a Paz para o Médio Oriente

Completam-se em breve os 40 anos da ocupação dos Territórios Palestinianos – Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Entre 5 e 11 de Junho vozes por todo o mundo irão reclamar pela Liberdade para a Palestina e a Paz para o Médio Oriente. Entre nós haverá uma sessão pública de intervenção no próximo dia 4 de Junho, 2ª feira, pelas 21h00, na Casa do Alentejo, na Rua das Portas de Santo Antão, 58, Lisboa, com a participação de
JOSÉ SARAMAGO – Prémio Nobel de Literatura
DR. ABDULLAH ABDULLAH - Presidente da Comissão Politica do Conselho Legislativo Palestiniano
DRª FAIHA ABDUHADI - Poetisa, Investigadora e Historiadora
MÁRIO RUIVO – Professor Universitário
ISABEL ALLEGRO MAGALHÃES – Professora Universitária
SILAS CERQUEIRA – Investigador

* Pelo fim da ocupação dos Territórios Palestinianos por Israel desde 1967
* Pelo Direito do Povo Palestino ao seu Estado Independente
* Pelo termo da Violência e do Desastre Humanitário no Médio Oriente
* Pela Solidariedade com o Povo Palestino ameaçado na sua sobrevivência

Sessão promovida pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente. O MPPM lança também o seuinte apelo (adesões deverão ser endereçadas para ppm.palestina@gmail.com)

DECLARAÇÃO

Sobre a Situação nos Territórios Palestinianos
Ilegalmente Ocupados por Israel há Quarenta Anos

APELO
Ao Fim da Ocupação e à Paz no Médio Oriente

Completam-se agora 40 anos desde a “guerra dos seis dias” levada a cabo por Israel contra o Egipto, a Síria e a Jordânia, entre 5 e 11 de Junho de 1967. Dela resultou, então, a ocupação do Sinai, restituído ao Egipto em 1982, e, até hoje, dos Montes sírios do Golan e dos territórios palestinianos da Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental. Desde aí, o Estado de Israel – que já se tinha estabelecido em 1948 em 78% da Palestina, excedendo em um terço o Plano de Partilha da ONU - com a ocupação e colonização dos 22% restantes do território, tem-se recusado a reconhecer e tem impedido pela força o direito à existência do Estado palestiniano.

1
Os signatários, na diversidade das suas convicções e apreciações, mas com a preocupação comum de defender um futuro de liberdade e de Paz para a Palestina, e na continuidade da anterior declaração do MPPM (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente) “Pelo termo da violência e do desastre humanitário no Médio Oriente”, de Julho de 2006, vêm, agora, apelar à compreensão e sensibilidade solidárias dos portugueses para com o martirizado Povo Palestino, submetido à violência da ocupação estrangeira, opressão e exploração.

Em violação sistemática, e até hoje impune, do Direito Internacional e da Carta e das Resoluções da ONU, nestes quarenta anos de ocupação os palestinianos têm sofrido: a espoliação das melhores terras agrícolas (na Cisjordânia, com 2,3 milhões de habitantes, 250.000 colonos israelitas controlam 40% do território); as anexações na Jerusalém Oriental, árabe, e na Cisjordânia; a repressão e operações militares maciças (demolição de mais de 12.000 casas, destruição de um milhão de oliveiras, asfixiante controlo de quaisquer movimentos das populações, muitos milhares de mortos e de presos).

A ocupação ilegal, arbitrária e sem fim dos territórios palestinianos por Israel - de que são co-responsáveis grandes potências com recurso ao veto no Conselho de Segurança - desestabiliza permanentemente a situação no Médio Oriente; prejudica as relações de países ocidentais com os países árabes e islâmicos; impede a própria inserção médio-oriental de Israel, feito posto avançado da estratégia de grandes potências; propicia condições favoráveis aos “ciclos” dos terrorismos e contra-terrorismos; e inquina quaisquer perspectivas de paz na região.

Na última quinzena de anos, as Conferências e “processos de Paz” (Madrid, Oslo, “roteiro de Paz” do “Quarteto”- EUA, U.E., Rússia, ONU) sobre a Palestina fracassaram inevitavelmente quando chegaram à questão decisiva da retirada israelita dos territórios ocupados e do estabelecimento de um Estado palestiniano independente e soberano nos mesmos territórios de 1967 - e que reconheça e respeite, na base da reciprocidade, o direito à existência de Israel.

As promessas feitas ao Povo Palestino, a troco de sucessivas concessões, e o processo de autonomia, acabaram sempre por redundar no inverso:

* reocupação e aceleração da colonização israelita na Cisjordânia, culminando, desde 2003, com a construção do “Muro” de um novo apartheid (quase terminada apesar da sentença condenatória do Tribunal Internacional da Haia);
* cerco terrestre, marítimo e aéreo por Israel - após se ter retirado unilateralmente - da Faixa de Gaza, transformada na “maior prisão do mundo” e onde 1 milhão e 500 mil habitantes estão ameaçados de fome;
* crescentes anexações, quer em Jerusalém Oriental - capital árabe e Cidade Santa - onde foram instalados 200.000 colonos judeus, quer na Cisjordânia, com o “Muro” do apartheid;
* recusa em negociar - ignorando a Resolução 194 ( de 1948) da Assembleia Geral da ONU - o “direito ao regresso” dos refugiados palestinianos, dos quais mais de um milhão vivem em campos miseráveis na região;
* rejeição pela “comunidade internacional” - que insistira com a Autoridade Palestiniana para a realização de eleições legislativas - dos resultados democráticos dessas mesmas eleições (de resto antecipados por idênticos resultados das eleições autárquicas) ,visto darem a vitória ao Movimento islâmico Hamas.

Finalmente, em vez da Paz anunciada, assiste-se ao desenvolvimento de outros - e cada vez maiores e mais perigosos - conflitos: a recente guerra de Israel contra o Líbano, posta em causa, depois de terminada, pela sua opinião pública; as duas grandes guerras em curso na região, com origem em intervenções e ocupações estrangeiras; e o irresponsável recurso à ameaça de novas guerras, evocando, inclusive, a eventualidade da utilização da arma nuclear (?!), alegadamente para impor “mudanças de regime” e “remodelar democraticamente” o Médio Oriente. Neste contexto, outra guerra não declarada, quase ignorada, dita de “baixa intensidade”, é desenvolvida por Israel há sete anos - com incursões e reocupações, tanques e artilharia, ataques aéreos, operações militares e de polícia , demolições e execuções – continuando a vitimar diariamente e directamente os palestinianos, nos territórios ocupados.

2
Os signatários reclamam o fim da guerra de terror anti-palestiniana que Israel continua a conduzir desde a segunda Intifada, ou revolta popular, iniciada em Setembro de 2000 (que Sharon suscitou com uma deliberada provocação, na expectativa de vir a desmantelar militarmente a Autoridade Palestiniana). Os signatários manifestam-se, ainda, em conformidade com os princípios do MPPM - opostos a todas as formas de terrorismo, seja ele de Estado ou qualquer outro - contra as acções terroristas que atingiram vítimas civis em Israel, e pela cessação do lançamento de mísseis artesanais a partir de Gaza (apesar do desacordo da Autoridade Palestiniana e Primeiro Ministro) sobre território israelita vizinho, de par com idêntica cessação das operações repressivas, dos ataques aéreos e tiros de canhão por parte de Israel.

Até Janeiro do presente ano perderam-se, nesta guerra não declarada, mais de 5.000 vidas nos territórios ocupados e um milhar de vidas em Israel. Foram feridos mais de 49.000 palestinianos e estão encarcerados mais de 10.000. As Forças Armadas de Israel destruíram e inutilizaram sistematicamente as infra-estruturas, equipamentos e instalações (até financiadas pela União Europeia) da vida civil e economia das cidades e campos da Cisjordânia e Gaza. O nível de vida dos palestinianos continua em queda, a taxa de pobreza nos territórios atinge os 70%.

Está-se perante uma situação que ultrapassa, em muito, o “combate ao terrorismo” (quando desde há cerca de dois anos deixaram praticamente de verificar-se acções armadas e atentados suicidas no interior de Israel). Trata-se de uma estratégia de terror que visa o próprio Povo da Palestina - cuja digna e inquebrantável resistência força o respeito e admiração - com a perigosa pretensão de o fazer quebrar.

O sentido e o objectivo desta estratégia - a partir da viragem imposta por Sharon, com o beneplácito da Administração Bush, e continuada por Olmert - é o de provocar, pelo terror e a fome, a saída dos territórios palestinianos, e a dispersão, de uma fracção importante do seu povo. Isto, de modo a conseguir então impor aí um “Estado” palestiniano falhado à partida, sem soberania e assente em alguns enclaves isolados (rodeados de colonatos israelitas) da Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

A tragédia humana e sócio-política que assim se desenrola, dia a dia, na Palestina, e que as opiniões públicas ocidentais conhecem mal, pode terminar num desastre humanitário de incalculáveis proporções e altamente desestabilizador na região. Está ameaçada a sobrevivência dos palestinianos enquanto Povo.

3
Não devemos permanecer indiferentes. A tragédia palestiniana interpela cada um de nós, e todos os portugueses, na nossa humanidade, nos nossos princípios de solidariedade, justiça, democracia e Paz. Alertamos a opinião pública nacional para o facto de que – com a intensificação da política presentemente seguida pelos actuais dirigentes de Israel e certos dos seus poderosos parceiros internacionais – se acentua, de há um ano a esta parte, uma perigosa viragem na questão da Palestina, viragem que acelerando-se e imbricada noutros conflitos ameaça precipitar uma nova catástrofe, ou Nakba, como a do êxodo em massa dos palestinianos em 1948.

Com efeito, desde a formação de um governo da Autoridade Palestiniana em Março de 2006 pelo Movimento islâmico Hamas, vitorioso em eleições legislativas plenamente democráticas, Israel e os EUA (que tinham antecipando essa vitória) aproveitaram para impor um embargo total ao novo governo, infligindo assim uma punição colectiva ao Povo Palestino e tentando dividi-lo, no que foram seguidos pela União Europeia. Ao fim de um ano, e perante a ameaça de bancarrota com colapso da economia e desagregação social, os Partidos políticos palestinianos, nomeadamente o grande partido nacionalista Fatah, e o partido eleitoralmente maioritário Hamas, após anteriores tentativas frustradas, acabaram por acordar – graças à mediação da Arábia Saudita, em Meca, em Fevereiro passado – em formar pela primeira vez um Governo de Unidade Nacional.

Este Governo, de difícil e frágil formação, tem um programa moderado cuja plataforma de relações externas é a das Cimeiras Árabes - de Beirute em 2002 à Cimeira de Riade de Março último - garantindo o pleno reconhecimento de Israel desde que se retire dos territórios árabes ocupados em 1967. No entanto, isso não impede que poderosos interesses exteriores à Palestina ocupada continuem a querer aí dirimir outros conflitos e a procurar exacerbar, acentuando as enormes dificuldades da situação, desinteligências inter-palestinianas que nestes dias têm chegado a choques mortíferos entre milícias - armadas a partir de fora.

A este respeito os signatários, reiterando a sua disponibilidade para prosseguirem no apoio sem ingerências às justas aspirações do Povo da Palestina - e não, especificamente, a qualquer dos Partidos em presença - querem tornar claro que não só lamentam, mas reprovam inequivocamente, as divisões e o recurso às armas entre destacamentos palestinianos. É uma via que o Povo Palestino condena e rejeita e que só tem agravado os seus sofrimentos, e está a ser utilizada por terceiros para secundarizar o problema fundamental na raiz de todos os outros – isto é, a ocupação ilegal desde há quarenta anos e as continuadas agressões por Israel. Agressões agora mesmo multiplicadas com incursões, com a prisão de dezenas de responsáveis palestinianos incluindo deputados ou membros do Governo e ameaças de morte contra o Primeiro-Ministro, e com bombardeamentos de artilharia e mortíferos ataques aéreos em particular em Gaza. Isto, apesar de o Governo de Unidade Nacional da Palestina continuar a insistir na proposta de uma trégua.

Por isso, quando os actuais dirigentes de Israel e a Administração Bush dos EUA, e também até aqui a União Europeia - pretextando da ideologia do Hamas, que não se reflecte no programa do presente Governo de Unidade - mantêm o embargo total (já aplicado ao anterior Governo só do Hamas) ao novo Governo de Unidade Nacional, devem assumir a responsabilidade de um futuro colapso da Autoridade Palestiniana, e do risco de caos na sociedade – uma vez que o Povo Palestino não se submete nem se submeterá.

4
Raramente, ou nunca como hoje, foi tão difícil e perigosa a situação para os direitos inalienáveis e a própria sobrevivência deste povo heróico e mártir, pelo que os signatários, convidando a subscrever o presente documento todos quantos partilham idênticas preocupações com a causa da Justiça e da Paz na Palestina e no Médio Oriente, apelam:

● À opinião pública nacional, às mais diversas associações e entidades cívicas e religiosas, aos partidos, sindicatos e forças democráticas em geral, à Assembleia da República e aos órgãos do Poder autárquico, para que, no presente momento, associando-se às Nações Unidas e a muitas centenas de outras instituições, associações, movimentos e organizações não-governamentais (ONGs) em todo o mundo, SAIBAM NESTA DATA DIZER NÃO À CONTINUAÇÃO DOS 40 ANOS DE OCUPAÇÃO ESTRANGEIRA ILEGAL E DESUMANA DOS TERRITÓRIOS PALESTINIANOS E PROMOVER AS MAIS DIVERSAS TOMADAS DE POSIÇÃO E INICIATIVAS DE SOLIDARIEDADE MORAL, POLÍTICA, MATERIAL COM A JUSTA LUTA DE LIBERTAÇÃO DO POVO DA PALESTINA – e consequentemente por uma Paz justa no Médio Oriente e a coexistência, em conformidade com as Resoluções da ONU, entre dois Estados independentes, Israel e Palestina;

● Ao Governo português para que, ao assumir em breve a Presidência da União Europeia, consiga com audácia e inspirando-se no artigo 7.º da Constituição da República, LEVAR A U.E. A TER UMA POSIÇÃO PRÓPRIA E DIFERENCIADA EM QUESTÃO DE TÃO GRANDE IMPORTÂNCIA PARA A EUROPA E PARA A PAZ MUNDIAL, DE MODO A RECONHECER PLENAMENTE E TRATAR COM O LEGÍTIMO GOVERNO DE UNIDADE NACIONAL PALESTINIANO (como já estão a fazer os Governos dos países nórdicos e da Suíça), assim como a trabalhar por uma solução política global e segura assente no respeito pelas resoluções da ONU e pelos direitos inalienáveis do Povo Palestino.

Lisboa, Junho de 2007

quinta-feira, setembro 14, 2006

Senhores da guerra

A recente agressão israelita no Líbano ilustrou claramente a estreita relação entre o Estado judaico e os EUA. Quando a maioria no Ocidente apelava para um cessar-fogo, a secretária de Estado dos EUA, Condeleeza Rice, declarava tolerar os bombardeamentos israelitas e a morte de civis durante mais uns dias. E Israel ia recebendo encomendas militares dos EUA (pelo menos uma passando pelos Açores!). Sabe-se agora que o ataque ao Líbano estava já planeado e coordenado com os EUA, tendo Israel recebido carta branca para atingir objectivos e ensaiar tácticas que poderão ser úteis aos EUA num eventual ataque ao Irão(1).

A ligação entre os dois países tornou-se particularmente íntima durante a presidência de Reagan, no rescaldo da crise do petróleo e da revolução islâmica no Irão. Israel tem liderado, desde 1976, a lista de países beneficiando de apoio financeiro e militar dos EUA e, desde 1949, os EUA terão oferecido mais de 108 mil milhões de dólares em apoio financeiro directo a Israel(2): anualmente cerca de um quinto do apoio externo directo dos EUA, ou 500 dólares por cidadão israelita. Isto para um país com um PIB per capita equivalente ao da Espanha ou da Correia do Sul.

As economias dos dois países estão também cada vez mais entrecruzadas. Nos anos 90, a economia de Israel sofreu um processo de concentração de capital e uma crescente transnacionalização. Em 2005, Israel ultrapassou o Canadá e tornou-se o segundo país em número de empresas cotadas no NASDAQ da bolsa de Nova Yorque(3). Entre 1999-2004, as oscilações da bolsa de Telavive foram altamente correlacionadas com as do NASDAQ (87%), isto é, a bolsa foi mais influenciada pela «nova economia global» do que pelo andamento do processo de paz ou a Intifada. Recentemente, num sinal de confiança na economia israelita, Warren Buffett, investidor estadunidense e a segunda pessoa mais rica do mundo, comprou 80% da Iscar, uma companhia israelita que produz equipamento industrial, um investimento de 4 mil milhões de dólares.

A cumplicidade entre os dois países estende-se à esfera diplomática. Desde 1982, os EUA vetaram 32 resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas censurando Israel, um número que excede o somatório de vetos dos restantes membros do Conselho. E Israel tem sido muitas vezes o voto solitário apoiando os EUA. Por exemplo, desde 1992 todos os anos é apresentada uma resolução à Assembleia Geral da ONU apelando à necessidade de pôr fim ao embargo dos EUA a Cuba. Israel tem sido o único país que consistentemente tem votado, juntamente com os EUA, contra a resolução.

O lobby israelita

Nos EUA, a intimidade entre os dois países é justificada pela sobreposição de interesses estratégicos. Contudo, a opressão do povo palestiniano é um dos factores unanimemente reclamado pelo mundo árabe como desestabilizador da região, dificultando assim as relações dos EUA com os membros árabes da OPEC. E Israel nem sempre é o aliado leal, ignorando apelos dos EUA para suspender a construção de colonatos, vendendo tecnologia militar à China, ou conduzindo uma intensa operação de espionagem contra os EUA. Ainda este ano, o Cor. Larry Franklin da Força Aérea dos EUA foi condenado por ter passado inteligência a Israel sobre a política dos EUA contra o Irão.

Vários artigos publicados este ano argumentam que o apoio incondicional dos EUA a Israel, contra o interesse nacional dos EUA, se deve à força do lobby israelita. A organização mais poderosa deste lobby, a AIPAC(4), foi eleita como o segundo lobby mais influente de Washington. Através de contribuições financeiras nas corridas eleitorais, mais de 42 milhões de dólares para candidatos ao Congresso desde 1978(5), estas organizações têm logrado travar qualquer debate no Congresso que insinue ser crítico a Israel. Organizações como a AIPAC, JINSA(6), a CoP(7), não representam a maioria dos judeus nos EUA, favorável ao processo de paz e «concessões» ao palestinianos, mas antes a ala expansionista do Likud. O lobbypró-Israel é composto não apenas por organizações de raiz judaica: o recém-formado Cristãos Unidos por Israel, representa um sionismo cristão, que pretende rivalizar o AIPAC, e tem já grande influência no Congresso e na Casa Branca, tendo com sucesso influenciado esta administração a ter uma postura de confronto com o Irão, recusar apoio aos palestinianos e dar carta branca a Israel no seu ataque ao Líbano. Para esta corrente evangelista, na qual se pode incluir o presidente Bush, os conflitos no Médio Oriente são um sinal do fim dos dias e da aproximação do arrebatamento. Acolhem assim com alegria e fervor religioso a destruição e morte de inocentes.
_______________

(1) - Seymour Hersh, New Yorker 21 de Agosto de 2006 - www.newyorker.com/printables/fact/060821fa_fact
(2) - Washington Report on Middel East Affairs - www.washington-report.org/
(3) - www.ishitech.co.il/1105ar5.htm
(4) - American Israel Public Affairs Committee
(5) - www.washington-report.org/archives/May-June_2006/0605031.html
(6) - Jewish Institute for National Security Affairs
(7) - Conference of Presidents of Major American Jewish Organizations


sexta-feira, setembro 08, 2006

Israel: a guerra continua

Israel anunciou esta semana que iria levantar o bloqueio ao Líbano (que já dura há dois meses), mas o IHT noticia que apenas levantou o bloqueio ao tráfego aéreo: continua a controlar a fronteira marítima Libanesa, continuando a prejudicar a pratica da pesca comercial e o processo de limpeza do derrame petrlífero causado pelo bombardeamento Israelita da central electrica.

Israel tem violado o cesar-fogo, mais de setenta violações segundo as NU, contra 4 pelo Hezbollah no mesmo periodo, continuamente lançando ataques contra o Líbano.

As ofensivas Israelitas em Gaza prosseguem. Segundo o Palestinian Center for Human Rights, 240 Palestinianos, foram mortos em Gaza desde a captura do soldado Gilad Shalit: um cinco delas crianças. Ontem, dezenas de Israelitas da organização Peace Now manifestaram-se no zona fronteiriça de Erez, chamando a atenção para a continuação desse conflito.


Em Espanha, o advogado Simón Lópes Quero e a associação Página Roja abriram processo, ao abrigo dos artigos 607-611 do Código Penal Espanhol, contra o primeiro ministro Israelita Ehud Olmert por crimes contra a humanidade, por ter ordenado as operações militares em Gaza e a invasão do Líbano. Isso significa que Olmert poderá ser preso caso visite o Estado Espanhol. O governo Israel encara seriamente a possibilidade de seus oficiais serem presos. Segundo o jornal Haaretz, o ministro dos Negócios Estrageiros Israelita alertou seus diplomatas para não fazerem declarações inflamatórias, para evitar processos legais. Segundo Robert Fisk, jornalista do Independent, recentemente o militar Israelita que ordenou os ataques a Gaza, aterrou em Heathrow e a polícia Britânica avisou-o que poderia ser preso se sai-se do avião: decidiu voltar a Tel Aviv (ver). Com receio de ser preso num visita à Bélgica para um encontro da NATO, Ariel Sharon contratou um advogado Belga e chegou a sugerir a necessidade de relocalizar a sede da aliança atlântica.

O episódio de Marwaheen ilustra bem os crimes de guerra Israelitas e desmascara os argumentos Israelitas que alertava a população civil antes dos ataques, e que civis foram atingidos porque o Hezbollah usavam "escudos humanos". A população de Marwaheen, uma aldeia Suni, foi alertada pela rádio e altifalantes que deveria abandonar a aldeia dentro de duas horas. A caravana civil de carros e carrinhas foi bombardeada pela Força Aérea Israelita.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Desastre ambiental no Mediterrâneo

Nos primeiros dias do ataque Israelita ao Líbano, entre as várias infraestruturas bombardeadas, encontrava-se uma estação de energia. O ataque foi em sí desmedido pois afectou toda a população Libanesa e não o objectivo assumido - a estrutura do Hezbollah). Em resultado da destruição da estação, 15 mil toneladas de petróleo verteram para o Mediterrâneo, espalhando-se ao longo de mais de 150 km de costa, atingindo a Síria, e possivelmente o Chipre, Turquia e Grécia.
Durante o princípio de Agosto, não puderam ser tomadas quaisquer medidas de tratamento, devido aos ataques aéreos e bloqueio naval Israelita. Só agora, com o cessar-fogo assegurado, é que especialistas podem aferir a gravidade da situação e avançar com medidas.
O ministro do Ambiente Libanês, Yacoub al-Sarrafe, estima o custo da limpeza em USD$200 milhões. Incalculável é o custo ambiental, para a indústria pesqueira, e para o turismo, áreas onde os efeitos do derrame serão sentidos durante mais de uma década.
Paralelamente ao derrame, fogos nas centrais de energia, que duram há semanas, têm lançado gases tóxicos, atingindo um terço da população Libanêsa.

terça-feira, agosto 15, 2006

Desde 12 Julho:
~1,100 mortos no Líbano (maioritariamente civis)
1/4 população Líbanesa desalojada
tecido económico destruido no Líbano
100 soldados e 40 civis em Israel (ver)

terça-feira, agosto 08, 2006

Desde 12 Julho*:
~1,000 mortos e +3,500 feridos no Líbano
1/4 população Líbanesa desalojada (ver)
75 mortos em Israel
(ver)

Em Julho

163 Palestinianos mortos na Faixa de Gaza (36 crianças e 20 mulheres)
15 Palestinianos mortos na Cisjordânia.
O mês com número mais alto de fatalidades desde April de 2002. (ver)


* Foi nesta data que forças ligadas ao Hezbollah sequestraram dois soldados Israelitas. Este rapto tem sido usado por Israel como a causa primeira da sua ofensiva militar no Líbano.

Entretanto, a mãe de um dos solados Israelitas capturados mostrou-se contra a ofensiva Israelita. Numa conferência de imprensa em Paris, no final de Julho, Malka Goldwasser, mãe do soldado Ehud Goldwasser, sem opiniar sobre a acção Israelita e responsabilizando o Hezbollah pelo futuro do seu filho, apelou para a paz:

"Sou uma mãe, e como mãe, não quero guerra. Tenho três filhos, e quero ter os meus três filhos em casa, quero ter netos - simplesmente quero uma vida normal. Digo não à guerra, e estou certa que muitos Líbaneses pensam o mesmo."