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quarta-feira, novembro 12, 2008

Bandeira Nazi na AR Madeira

O deputado do Partido Nova-Democracia (PND), José Manuel Coelho, exibiu a bandeira Nazi durante a sessão da Assembleia Regional da Madeira, no contexto de uma acusação dirigida ao PSD-M, a quem chamou fascistas. A sua intenção era entregar a bandeira ao líder parlamentar social-democrata, Jaime Ramos.

A sessão foi suspensa, e a maioria parlamentar do PSD aprovou o levantamento da imunidade do deputado do PND que depois foi impedido de entrar hoje na AR (com a abstenção do CDS-PP, e os votos contra das restantes forças).

Por muito que cause arrepio ver a bandeira hasteada desta maneira, há que compreender que José Manuel Coelho não o fez como acto de promoção da ideologia fascista, mas no âmbito de uma acusação dirigida ao PSD (ver video). Nesse contexto, não há contradição com o Art 46 da Constituição Portuguesa, afirma no seu artigo 46º, que "Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista." Podendo se discordar da sua opção, não há impedimento constitucional à liberdade de expressão no que diz respeito à simples ostentação de símbolos. "Ilegal" e "inconstitucional" foi, segundo o constitucionalista Jorge Miranda, a suspensão do seu mandato. Apesar de "ser um acto condenável e criticável (...) só quando houver uma acusação é que poderá haver uma suspensão". (ver)

Se há tanta preocupação com a expressão da ideologia fascista em Portugal, então que se cumpra o espírito do Art 46 e se ilegalize o Partido Nacional Renovador (PNR), partido este que tem realizado iniciativas públicas ostentando símbolos nazis, homenageando criminosos de guerra nazis, tem exposto cartazes xenofóbicos, tem associação com conhecidas organizações violentas de estilo para-militar (como os Hammerskins) e tem promovido a ideologia fascista.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Novo Cartaz do PNR no Marquês de Pombal

O PNR colocou um novo cartaz na Praça Marquês de Pombal, desta vez fazendo-se de vítima do sistema judicial, e denunciando a «ilegalidade da prisão de Vasco Leitão» e as «práticas estalinistas contra os nacionalistas» (ver). [Bom, se houvesse práticas estalinistas o Sr. VL já tinha sido resolvido. - Next?] De que é acusado o injustiçado VL, dirigente do PNR e ex-número 2 da lista à CML?

Em Abril passado, VL foi interrogado pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa (TIC) e acusado por discriminação racial, ofensa à integridade física e detenção de arma proibida, em ligação ao espancamento de uma rapariga do movimento SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice; Skinheads contra o Preconceito Racial), em finais de 2005. A vítima foi agredida com violentos pontapés na cabeça e deixada inconsciente. Ela e outros membros do SHARP, estavam marcados como «um dos alvos a abater», no site ‘Forum Nacional’. (ver)

O dirigente do PNR, José Pinto Coelho afirma que com a entrada do novo código penal, a 15 de Setembro de 2007, VL «encontra-se ilegalmente detido». Ao que entendo o argumento não é judicial, mas político. Ele reclama haver uma desigualdade porque foram libertos «assassinos e pedófilos». Na verdade não estão em liberdade, a passear livres na rua e a comer Pastéis de Belém [hmmm]. De acordo com a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), os que saíram da prisão "ficaram na sua maioria sujeitos a medidas de coacção alternativas à prisão preventiva (...) permanência na habitação (em certos casos mediante vigilância electrónica), entrega de caução, proibição de contactos e obrigação de apresentação periódica às autoridades.» (ver) Isto é, ficaram tal como o VL, que está prisão domiciliária. Não há portanto qualquer injustiça.

Segundo o actual Código Penal (L 59/2007), Art. 240, ponto 1a, quem
«Fundar ou constituir organização ou desenvolver actividades de propaganda organizada que incitem à discriminação, ao ódio ou à violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual, ou que a encorajem; »
é punível com 1-8 anos de prisão. [ver também DL 48/95].

Mas o PNR reclama que VL foi preso por "delito de opinião" [!], e fala na «tentativa de limitar a liberdade de expressão dos nacionalistas, criminalizando as suas opiniões".» Delito de opinião?! Só se for opinião expressa à bala, soqueira e sangue. Há que recordar as afirmações de Mário Machado, líder dos Hammerskin, agora preso, à RTP, em Junho de 2006, enquanto exibia a sua shotgun: “Todos os nacionalistas são portadores de armas de fogo e estão preparados para tomar de assalto as ruas quando for necessário”. MM foi detido após essas afirmações, e à saída do TIC lá estava VL para o receber como um herói. A fota à direita é o fruto das apreensões feitas pela PJ, em Abril passado, e inclui carabina com mira telescópica, 15 revólveres e pistolas, milhares de munições de vários calibres, entre as quais três pentes de balas para metralhadora, dezenas de facas, bastões, e soqueiras artesanais feitas de placas de fibra acrílica, recortadas com arestas afiadas (ver).

É que VL e MM são dois entre 36 nacionalistas acusados por dezenas de crimes, incluindo posse ilegal de armas, agressões, ameaças, insultos, sequestros, distribuição de propaganda nazi e discriminação racial, num processo que acumula 240 páginas (ver). Resultado de anos de trabalho da PJ em articulação com Cândida Vilar, a procuradora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa - que foi ameaçada por MM, no início de Outubro, numa carta aberta divulgada em vários blogues na internet em que apela a todos os nacionalistas para que não esqueçam o nome de Cândida Vilar, dizendo estar disposto a dar o seu sangue (ver). Na nota, dá até um tom de erudição ao citar Ramalho Ortigão:“As ideias são como os tratados: pouco vale firmá-las com a nossa tinta quando não somos capazes de confirmá-las com uma gota do nosso sangue”. MM acrescenta: “Eu estou a dar o meu sangue, espero que todos vós possam fazer o mesmo.”

O mais recente incidente (a lista é longa - ver por exemplo),
no passado dia 25, foi a vandalização de cerca de duas dezenas de túmulos no Cemitério Judaico de Lisboa. Carlos Seabra, de 24 anos, conhecido como ‘Lobo nazi’, e João Dourado, de 16 anos, saltaram o muro do cemitério, e profanaram 17 campas inscrevendo cruzes suásticas e defecando em cima de duas delas. Ambos foram apanhados pela PSP, mas libertos no dia seguinte pelo juiz. (ver) [Então? A perseguição política desta vez não funcionou?]

É mais que evidente que os elementos do PNR e associados a eles não estão a ser vítimas de perseguição política, mas alvos de processos por delitos criminais, de violência e discriminação. Se fosse apenas por expressão de uma opinião, ainda que uma opinião anti-democrática, racista ou homofóbica, então a Cândida Vilar não teria necessitado de protecção especial. O Ricardo Araújo Pereira não teria de temer pelas ameaças à sua filha, depois do cartaz dos Gato Fedorento tão bem desmascarar o do PNR.

Ser nacionalista não constitui crime. Mas o PNR por muito que o repita, o reclame e lhe faça referência não é simplesmente nacionalista. O Manuel Monteiro também é nacionalista. Boa parte dos Monárquicos também. [Faço aqui uma importante distinção política entre nacionalista e patriótico. Tirando alguns altermundistas e os que preferiam ver Portugal como mais uma província do Estado Espanhol, boa parte dos portugueses são patrióticos.] O PNR pertence a uma determinada tradição nacionalista, imbuída de ódio, aliada à violência, com afinidade pelo Partido Nacional-Socialista (Nazi), onde o discurso se resume a discriminação e medo do 'outro'. Transformada em actos, esse ódio e discriminação, constituem crimes. [Já para não falar no Art. 46 da Constituição Portuguesa.]

Felizmente que cresce a reacção ao PNR. O "Passeio Pela Liberdade", promovido pelo PNR, a ter lugar em Viana do Castelo, no dia 30 de Setembro, foi recebido por “uma centena de contra-manifestantes”, e a iniciativa acabou por ser cancelada ... devido ao mau tempo. (ver) Mas no dia anterior, uma manifestação antifascista, que contaria com grupos vindos de toda a Europa, também foi cancelada depois de um dos elementos da organização - Movimento Parem o PNR - ter sido agredido por três indivíduos tidos como elementos dos Hammerskins. (ver)

quarta-feira, abril 25, 2007







Lindo desfile do Marquês até ao Rossio assinalando o 33º aniversário do 25 de Abril.
Pessoalmente, o dia ficou marcado pela protecção policial ao outdoor do PNR no Marquês. Um grupo prestou-se a disponibilizar tomates podres para arremessar ao outdoor, mas quando lá cheguei a PSP nem me deixou tocar num tomatinho. Depois de uma rapariga ter conseguido dar azo ao seu asco pela presença do cartaz neste dia, os 2 polícias da foto escoltaram a jovem para longe do local, e foram substituidos por uma dezena de agentes acompanhados de uma carrinha, para proteger os tomates e o cartaz. Mas tal não impediu que outros ainda dessem uso aos frutos, até que a PSP removeu a salada para local secreto. Não deixa de ser irónico que a PJ tenha há dias prendido membros afectos ao PNR, e agora a PSP ali estava a proteger publicidade dessa mesma organização. Seria meritório não fosse tratar-se de um cartaz com uma mensagem que constitui um atentado à constituição. E não fosse a ausência de protecção quando outros cartazes políticos, legais, são removidos, por vezes pela própria Câmara Municipal de Lisboa.

Sobre os acontecimentos que decorreram mais tarde no Largo do Carmo, ver.

sábado, abril 14, 2007

Apaga essa chama

Já aqui tenho defendido que não será ignorando o crescente nacionalismo de direita em Portugual que lhe vamos fazer frente. Há que lhe fazer combate, desmascarando-o como um movimento fascista, retrógrado, xenófobo, anti-comunista, e contrário ao espirito da Constituição Portuguêsa. Está cada vez mais activo, organizado e ambicioso, e se não for a esquerda progressista a fazer-lhe frente, ficarão com o caminho livre e facilitado pela comunicação social. Leiam a entrevista que José Pinto Coelho, presidente do PNR, deu ao jornal SOL. E vejam como a Juventude Nacionalista irá hospedar, no próximo fim de semana, a I Conferência Internacional dedicada ao tema "Activismo Nacionalista", que irá contar com a presença de organizações de extrema-direita europeias, incluindo o NPD (Alemanha), FPO (Austria), Fiamma Tricolore (Itália), PNOS (Suiça), Noua Dreapta (Roménia), e o BNP (Grã-Bretanha), e que só não contará com a presença da Frente Nacional Francesa devido às eleições presidenciais nesse país.

quinta-feira, abril 05, 2007

sexta-feira, março 30, 2007

Um, dois, três fascismos

Como parte do revisionismo histórico que há alguns anos visa redimir Salazar e a ditadura que terminou com a Revolução de Abril, está o argumento que essa ditadura não foi fascista. Mereça ou não esse epíteto em nada retira o seu carácter repressivo, promotor de injustiça social, que colocou o país num atraso economico e cultural do qual ainda sentimos os efeitos. É natural que os defensores de Salazar não queiram associar o seu regime a uma ideologia partilhada por Mussolini, Hitler, ou mais recentemente Pinochet. E o termo 'fascista' de tão arremessado terá divergido do seu sentido mais preciso. Portanto, há que recordar porquê o termo fascista é apropriado para caracterizar a ditadura de Salazar e Marcelo Caetano, o Estado Novo. Não há uma definição do termo universalmente aceite. Há quem o restrinja o termo ao facismo original de Mussolini. Há quem o defina de forma tão abrangente a incluir a social-democracia (os social-fascistas). Mas a maior parte das definições convergem nas seguintes caracteristícas:

1. Nacionalismo
- o enaltecer das qualidades nacionais, com a promoção de mitos e tradições nacionais, associado à protecção contra influência exterior e à noção de superioridade sobre outras culturas. Daqui advém um inerente racismo e xenofobia.
Basta recordar os motes "Tudo pela nação, nada contra a nação" e "Orgulhosamente sós"; o paternalismo colonial (e perversamente racista); o ascenso de mitos nacionais como o Sebastianismo, o culto do Infante e da época de Ouro, ou, mais recente, a aparição de Fátima.

2. Anti-parlamentarismo e hiearquia com um poder fortemente centralizado - limitação dos poderes individuais; a população tem uma vontade comum, uniforme revelada não através da participação mas através da interpretação e acção do líder. Economicamente traduz-se também numa forte concentração de capital, em estreita associação com o poder político.
A didatura foi instaurada como reação ao parlamentarismo da I República e rapidamente o poder concentrou-se na figura de Salazar. Neutralizados foram quase todos os partidos políticos e sindicatos.

3. Anti-modernismo e anti-intelectualismo - rejeição da creatividade e diferença de pensamento. A verdade advém da capacidade de acção, não da razão, pelo que uma vontade suficientemente forte, violenta mesmo, justifica-se a si própria.
A censura actuou sobre todas as formas de cultura nacional e estrangeira.

4. Militarismo - centralidade das forças de segurança e militares, tanto para o combate do inimigo interno, como para a protecção contra ameaças externas e expansão (ou manutenção) da influência além fronteiras, implicando uma nação mobilizada. Aliado ao culto de guerra e do militar vem também um associado machismo e anti-feminismo.
Desde a PIDE/PVDE/DGS, à legião e mocidade portuguesa, à Guerra Colonial que durou 13 anos e causou a morte de mais de 8,000 portuguêses e dezenas de milhares de africanos.

Não procurei aqui ilustrar extensamente como cada um dos pontos se aplica ao Estado Novo. Deixo isso para o futuro e para reflexão de cada um. Mas aos defensores de Salazar e aos neo-fascistas do PNR: se subscrevem os seus princípios, não temam o rótulo, nem tentem passar gato por lebre.

quinta-feira, março 29, 2007

Basta de Nacionalismos

A lista nacionalista perdeu as eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa. Recebeu 81 votos contra os 818 votos recebidos pela lista unitária vencedora. São 81 votos a mais (~10%). Para a derrota terá contribuído o desmascarar da verdadeira natureza da lista X. Um seu porta voz veio falar de tentativas de censura da ideologia nacionalista, sem chamar as coisas pelos seus nomes menos apreciados. O PNR e o seu círculo são fascistas. Sim são nacionalistas, mas também racistas e xenófobos, que comemoraram no centro de Lisboa o aniversário de Rudolf Hess. Veja-se o outdoor colocado hoje no Marquês de Pombal em Lisboa. Antes de mais: um outdoor(!). Como já aqui tenho alertado, isto já não é um movimentozito de skins, mas um partido organizado, com uma áura de respeitabilidade e de participante na democracia, que participa nas eleições, tem tempos de antena, e fundos suficientes para um outdoor no centro de Lisboa. Reconforta-me que às 10:30 da manhã já o cartaz havia sido manchado (tivesse eu acordado mais cedo ...). Em particular onde desejava "boa viagem" aos imigrantes. Não aos imigrantes indigentes e survadores do impostos portuguêses, não à actual política de imigração, como o Presidente do PNR, José Pinto Coelho, quiz fazer crer na Antena Um, mas todos os imigrantes a qualquer imigração.

segunda-feira, março 26, 2007

Este blog combate fascistas

Então o Toni Salazar ganhou o concurso de Grande Português. Não creio que seria motivo de grande preocupação, dado os envolventes e condicionantes de tal escrutínio, não fosse esse circo dar alento à extrema-direita em Portugal. E que ninguem se engane que "eles andam ai" e não são apenas uns skins, marginais à sociedade. Veja-se mais recentemente a tentativa de criar um museu em Santa Combadão, ou os tempos de antena do PNR. É um movimento organizado, "sóbrio", "respeitável", "democrático", com porta-vozes bem-falantes. Mas continuam a possuir nas veias um pulsar violento e intolerante.
Veja-se o caso recente na Faculdade de Letras. Meses atrás, a JCP pintou um mural no exterior da Faculdade com uma citação de Bertold Brecht: «Do rio que tudo arrasta todos dizem violento / mas não das margens que o oprimem.» Há cerca de 3 semanas, o mural foi pintado por cima com alusões fascistas. O colectivo organizou-se e foi prontamente pintar um mural alusivo ao 25 de Abril por cima das referências fascistas. Foram então confrontados com 40 skinheads, rapazes e raparigas, que os tentavam intimitar e obstruir. São confrontados também com agentes da Equipa de Intervenção Rápida da 3.ª Divisão da PSP, que os impedem de completar o novo mural (ver Avante!)
Ao que consta na Faculdade de Letras, a extrema-direita vai ganhando folgo, sendo frequente intimidarem outros estudantes, em particular estudantes comunistas e de esquerda. Vão mesmo candidatar-se à Associação de Estudantes (ver). Segundo o SOS Racismo um dos elementos da lista esteve envolvido no homicídio de Alcindo Monteiro, em Lisboa, em 1995. As eleições irão decorrer no princípio desta semana.
Em Letras já circula um manifesto aberto a assinaturas, e na 5ª
, às 15h30, na Esplanada da Faculdade de Letras (entrada principal, bar à esquerda no corredor), haverá um debate organizado pelo SOS Racismo com participação de Eduarda Dionísio e José Mário Branco.

terça-feira, junho 06, 2006

Fascistas no Dia de Portugal

Estamos quase a marcar o Dia de Portugal (10 de Junho) que calha este ano num sábado, efméride abraçada pelo Estado Fascista em 1933, como o Dia da Raça. No dia da Raça e de Camões “exaltava-se a nação e o império, a metrópole e as colónias”, explica Conceição Meireles, especialista em História Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (cit. JornalismoPorto.Net). Acrescenta que “toda a História foi um instrumento ao serviço da propaganda do Estado Novo”. Ou seja, “a propaganda nacionalista do Estado Novo é verdadeiramente dominada por uma certa mitificação da História, e por uma determinada leitura da mesma”, a partir da qual o regime pretendia promover uma certa ideia daquilo que tinha sido a História de Portugal, enaltecendo determinados acontecimentos e remetendo outros para o esquecimento. O termo 'raça' também não será aleatório; enquadra-se nas perspectivas racistas, eugénicas e ultra-patrióticas do estado fascista, no qual se procurava não apenas enaltecer os valores do povo Português mas também a sua superioridade, e logo legitimidade em invadir, oprimir e explorar outros povos.
Não será assim de estanhar que os neo-fascistas, pela mão da sua frente (infelizmente) tolerada pelo actual estado - o Partido Nacional Renovador, aproveitam uma vez mais este dia para manifestarem a sua ideologia fascista. Irão "
marcando presença na rua em defesa de Portugal e dos Portugueses; Às 17 horas no Largo de Camões, em Lisboa." Deveria ser um oportunidade para de novo este ano se celebrar o 25 de Abril e marcar os 30 da nossa Constituição, juntando anti-fascistas que se opõem à existência desta organização, e às organizações afiliadas, como a Frente Nacional. Recordo que a Constituição Portuguesa, afirma no seu artigo 46º, que "Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista."

O PNR vai também fazer-se "representar na manifestação de profissionais das forças de segurança que terá lugar esta 4ªfeira, 7 de Junho,

«Os Nacionalistas entendem que as forças da ordem e segurança são um dos pilares fundamentais de uma Nação. São elas que garantem a soberania, a autoridade e a segurança das pessoas e do Estado. Não é, por isso, concebível, que esse mesmo Estado as maltrate, despreze e desautorize», alega o PNR no seu «site» na Internet. (cit. PortugalDiário)

A Comissão Coordenadora Permanente (CCP) de Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança marcou a manifestação para exigir melhores condições laborais e sociais, assim como mais diálogo com o Governo. E tanto a CCP como o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) se desmarcaram da participação do PNR. Contudo, há que recordar as recentes declarações xenófobas dopresidente do SPP, António Ramos, ao Diário de Notícias «O aumento da criminalidade em Portugal deu-se com a abertura das fronteiras (...) o Governo não devia deixar entrar tanta gente». O secretário-geral do sindicato, Luís Filipe Maria, afirmou que «antes de haver imigrantes brasileiros não havia assaltos nos semáforos. (...) «Quem matou os agentes na Amadora? Não foi um brasileiro? Quem matou o agente Ireneu na Cova da Moura? Não foram estrangeiros?».

Já tenho defendido aquí neste blog que já passou o momento de ignorar este movimento em Portugal. De não lhe dar atenção. De o considerar um movimento pequeno, pouco influente, composto apenas por cabeças rapadas desmiolados. Parece-me que é um movimento pequeno, é certo, mas organizado, com actividade contínua, que já tem marcado a agenda política, capaz de atrair a atenção dos meios de comunicação social, com elementos de alguma sofisticação intelectual e porta-vozes que têm um discurso com potencial para ecoar entre algumas camadas mais desesperadas da população. O discurso anti-immigrante, anti-homosexual, anti-partidário, mergulhado num saudosismo por um momento mais nobre da nossa história, de afirmação da pátria e da raça, pode encontrar apoiantes entre pessoas desiludidas, marcadas por dificuldades económicas. Esse foi o sólo fértil de apoiantes do fascismo no início do século XX na Itália, Alemanha e Portugal. É o discurso que atraí os eleitores da Frente Nacional em França e na Austria. Não podemos iludirnos que não é possível em Portugal surgir um força de extrema-direita com algum peso. E não podemos ficar impassíveis.

sábado, setembro 17, 2005

Fascismo em Portugal?

Regressei momentos atrás do Parque Eduardo VII, em Lisboa, onde elementos do Partido Nacional Renovador (PNR) se preparavam para uma manifestação. Desta feita, para afirmarem-se contra a adopção de crianças por casais homosexuais e à mistura contra a pedofilia, como se os dois temas estivessem interligados. Mais significativo que o tema desta manifestação em particular, trata-se de mais uma manifestação com razoável atenção dos media de uma organização fascista. Dirigi-me ao local pois enoja-me que uma tal organização exista, revolta-me que não tenha sido ilegalizada, e indigana-me que o Governo Civil tenha mais uma vez permitido uma manifestação desta organização, que está em ascendente de protagonismo e ameaça tornar-se mainstream. Não é meu desejo dar-lhe mais atenção do que mereçem, mas temo que sem uma forte oposição este movimento consiga ir recrutando membros e alargando o seu círculo, à semelhança de movimentos e partidos análogos noutros países da Europa. Já não se trata de um movimentozeco que se reune para ouvir música num recanto escondido. Cada vez mais tentam marcar agenda política e mostram-se à luz do dia. Só nos últimos meses estiveram no Martim Moniz "contra a imigração", e na Baixa Lisboeta homenageando Rudolf Hess como um apóstolo da Paz, esse mesmo Nazi condenado a prisão pertétua pelo Tribunal de Nuremberga.
Quando cheguei ao local, estavam já cerca de 50-70 manifestantes. Após apenas 5 minutos no topo do Parque Eduardo VII, onde exibi um cartaz que citava o artigo 46 da Constituição Portuguesa ("Não serão consentidas (...) organizações racistas ou que perfilhem a ideologia racista") fui solocitado por agentes à paisana da PSP que me afastasse do local para a minha própria segurança. Acabei por abandonar o local, mas não sei expressar-lhes que a opção de por em perigo a minha segurança era minha e assumida, e da ironia de ser quem defende a constituição e a democracia que tem de abandonar o local. Na verdade, em conversa com os agentes, era evidente que eles partilhavam a minha opinião, mas que a sua principal preocupação ser velar pela minha segurança física. Explicitamente, reconheciam que os manifestantes alí presentes constituiam um risco a iniciarem actos de violência. O aparato policial que já às 14h45 se espalhava pelo Parque e Marquês de Pombal reflectia isso mesmo.
O erro é ter sido concedida autorização à manifestação, e desta organização não ser combatida por via legal. Como o artigo da CP citado claramente anuncia, esta organização é inconstitucional. Que não haja dúvidas. Não é um pacato partido nacionalista. Basta consulta a sua página da internet, estudar a sua história, ler e ouvir o que proclamam os seus militantes, para não haver duvidas que se trata de um partido racista, xenófobo e fascista. A nosso democracia não oferece liberdade de associação indescriminadamente. Impõe restrições, que reflectem a nossa história, e correctamente não esquece os 48 anos de fascismo a que os portugueses estiveram sujeitos. Ironicamente, ainda esta semana, os militares portugueses foram impedidos de se manifestarem. Os militares portgueses, que despoltaram a revolução que nos libertou do fascismo, não podem usufruir do direito de se manifestarem (apesar da CP declarar no Art 45 que "a todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação."), mas os que perfilham de fascismo fazem-no. Reconheço, com sentido democrático, o direito de cada um ter a sua opinião mas não reconheço, tal como a constituição não o reconheçe, o direito a estes fascistas de constituirem um partido e desse partido ser reconhecido e poder convocar, organizar, e realizar eventos de promoção das suas ideias. Não foi para isso que o povo português sofreu e lutou contra o fascismo.